Direita golpista na Argentina mantém aborto como crime

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O Senado argentino rejeitou na madrugada desta quinta-feia, 9, por 38 votos a 31 a o projeto de legalização do aborto. A sessão começou na manhã de ontem, em uma tentativa de evitar que as discussões se prolongassem demais, porém, em vão, sendo que a mesma durou quase 16 horas e terminou por volta das 3h da manhã.

O projeto de legalização do aborto até a 14ª semana de gravidez, que havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em junho, trazia um direito essencial, uma conquista necessária, que deveria ser básica em qualquer sociedade minimamente democrática: da liberdade de escolha pela mulher sobre seu próprio corpo, e, neste caso, de poder interromper a gravidez, o que agora, continua a ser tratado como um crime punido com até quatro anos de prisão. A fina, para a direita, é melhor uma mulher presa do que livre. 

Os dados sobre o aborto na Argentina, bem como em todos os países atrasados, nos revelam que a cada um minuto e meio uma mulher aborta no país. Isso se levarmos para países ainda mais miseráveis, explorados pelos grandes capitalistas, teremos um número mais assustador, de mulheres que morrem, tem seus corpos mutilados, tudo por conta que a direita impõe seus preceitos religiosos contra as liberdades das mulheres. E vale ressaltar, o aborto legal em países de capitalistas, não deixa de acontecer, não deixa de ter números altos de realizações, porém, com dignidade para a mulher. 

Segue um dos exemplos de ignorância total da direita sobre o tema, na fala de Esteban Bullrich, ex-ministro da Educação do servo do imperialismo, Mauricio Macri:  “Um aborto não será menos trágico porque é feito em uma sala de cirurgia. Não, será igualmente trágico. O objetivo é que não haja mais abortos na Argentina, isso é aspirar a mais”. O senador é um dos muitos católico fervoroso e defensor do “Não à lei”, impondo sua visão que esconde as toda miséria que as mulheres pobres vivem dentro do sistema capitalista que, inclusive, esses são os representantes nos países escravizados pelos países imperialistas. Essa fala resume bem a posição dos grupos antiaborto: o embrião tem direitos constitucionais a partir do momento da concepção, mais do que a mulher, e, embora o aborto seja um fato preocupante, numericamente comprovado, não poderá ser reduzido com uma lei que o regulamente.

Atualmente a estimativa é de que sejam efetuados pelo menos 500.000 abortos por ano na Argentina. As mulheres se descobertas, são condenadas e presas. Além das consequências legais e psicológicas, muitas morrem, ou apresentam sequelas depois de efetuado o procedimento, uma vez que muitos espaços não oferecem estrutura física e médica adequada.  São pelo menos 60.000 internações anuais devido a essas complicações cirúrgicas. A seguridade, nesses casos, é apenas para aquelas que possuem condições financeiras para pagar clínicas de qualidade, ainda que na clandestinidade.

Segundo a ONG americana “Center for Reproductive Rights”, atualmente, em 63 países o aborto é legalizado. Permitido também em outras 13 nações. Nesses locais as regras variam. Em boa parte o procedimento pode ser efetuado até a 12ª semana de gestação. Já em outros 124 países, a prática ainda é totalmente proibida, ou com algumas exceções.

No Brasil, onde a direita também concretizou um golpe de Estado, a prática segue proibida, a exceção de riscos a vida da gestante, estupro ou má formação fetal. Todavia já se iniciaram as primeiras audiências públicas, no Supremo Tribunal Federal (STF), para a descriminalização total do aborto, até a 12ª semana gestacional.

Essa votação era esperada pelos que conhecem a política da direita, e, infelizmente, serve de exemplo para todas as mulheres na América Latina, no Brasil, compreenderem melhor o horror, o atraso, que estão embutidos nas ações desses golpistas. Esses são os que perseguem Cristina Kirchner na Argentina, que derrubaram Dilma Rousseff no Brasil, e que se depender deles, as mulheres não só nunca vão ter direitos legais sobre seu próprio corpo, como, já estão voltando a trabalhar grávidas em locais insalubres. É preciso lutar contra a direita fora das instituições podres que as mesmas controlam, derrotando a ofensiva golpista, imperialista em toda América.