Extermínio do povo negro
A pandemia do coronavírus mata, em média, 1 quilombola por dia. Desde o início da pandemia, são 118 óbitos confirmados. O RJ registra 36 mortes no total, seguido do Pará com 33
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Bandeira das Comunidades Quilombolas do Maranhão | José Cruz/EBC

A pandemia do Covid-19 tem significado um extermínio progressivo dos quilombolas e suas lideranças sociais no país. De acordo com levantamento da Articulação das Comunidades Rurais Negras Quilombolas (Conaq), já são 118 óbitos desde a confirmação do primeiro caso entre as comunidades quilombolas. Isto corresponde a uma média de 1 morte diária.

O estado do Rio de Janeiro lidera o ranking de mortes, com 36 no total. Em seguida, vem o Pará com 33 mortes, Amapá com 16, Maranhão e Pernambuco com 9, Bahia e Espírito Santo com 5, Goiás com 2 e Ceará,  Paraíba, Mato Grosso e Amazonas com 1. É de se destacar a crônica subnotificação dos dados, o que aponta para uma realidade ainda mais dramática de maior número de infecções e mortes.

As lideranças quilombolas relatam o abandono por parte dos governos, porém de forma especial do governo federal. Não há políticas de assistência social e as comunidades têm dificuldade de acesso aos serviços mais básicos, como saúde, abastecimento de água, energia elétrica e internet. Em tempos normais, estes serviços já eram de difícil acesso pelas comunidades. A pandemia aprofundou a situação.

A mortandade de quilombolas e de suas lideranças pelo Covid-19 é conveniente, pois vai de encontro à política do governo Jair Bolsonaro. O presidente fascista afirmou, em diversas ocasiões, que pretendia rever as terras quilombolas demarcadas e que, em seu governo, não ia permitir demarcações de terras indígenas e quilombolas. Desde que assumiu fraudulentamente a Presidência da República, Bolsonaro promove e incentiva a invasão de terras por parte do agronegócio e a perseguição de lideranças quilombolas.

A nomeação de Sérgio Camargo para a Fundação Cultural Palmares segue a lógica de guerra contra os movimentos negro e quilombola. Camargo dedica-se a atacar o movimento quilombola, desconstruir sua história, difamar e caluniar os seus ícones históricos de resistência e sua tradição de luta. Ele referiu-se ao movimento negro como “escória maldita” e afirmou que Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares era, na verdade, um escravizador de negros. Em nenhum momento, Camargo recebeu representantes do movimento negro e quilombola.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o Brasil tem 5.972 comunidades quilombolas. Um pouco mais da metade  (3.432) são certificados pela Fundação Cultural Palmares e apenas 182 foram titulados.

Jair Bolsonaro e o bloco político golpista abandonam intencionalmente as comunidades quilombolas ao contágio e à morte pela Covid-19. Para a extrema-direita fascista que controla o Estado, o coronavírus presta o serviço inestimável de exterminá-los e facilitar a tomada de suas terras.

 

 

 

 

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