“Abandonem o Lula”: PSTU propõe “frente contra a direita” sem luta contra a direita

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O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados – PSTU notabilizou-se nos últimos anos por defender uma política que está à direita da direita do PT. O que setores da direita do PT defenderam envergonhadamente, o PSTU defendeu de peito aberto e foi tão à direita que movimentos fascistas se valeram de material do partido, para também fazerem campanha a favor do golpe de Estado, como foi o caso do cartaz “Fora todos” divulgado durante o processo de impeachment da presidenta Dilma. Para quem não lembra o cartaz em vermelho trazia estampado a foto de Dilma, Aécio e outros. Os fascistas só tiveram o trabalho de alterar a cor e divulgá-lo como se fosse dele.

A direita do PT defendeu explicitamente “virar a página” do golpe, como declarou em entrevista o senador de Pernambuco, Humberto Costa. Embora falasse em golpe, toda a política da direita do PT consistia em evitar qualquer movimento que de fato tivesse como propósito colocar o golpe em xeque, seja diante do impeachment, seja diante da campanha de perseguição e condenação de Lula.

O PSTU idem, com a diferença que não teve meio termo para encobrir sua política de frente única com os golpistas, a começar que nem golpe havia existido. Segundo o seu discurso, Dilma foi derrubada pelas mobilizações populares. Lula havia sido condenado e preso por corrupção e o único problema da lava-jato é que a operação deveria prender os demais corruptos.

Com evolução do golpe e na medida que a direita do PT começou a explicitar a sua verdadeira política, a começar pela tentativa de substituição de Lula por Ciro Gomes, depois por Haddad e em seguida a defender de que o termo golpe não era apropriado para a situação brasileira, que a Lava-Jato e Sérgio Moro haviam feito um bem para o país, entre outras aberrações, o PSTU se valeu dessa política para reafirmar que não havia golpe no país, que o PT estava junto com os golpistas, e tudo não passava de mera campanha eleitoral.

Mais és que, como um raio caído em céu azul, o PSTU acordou do sonho da “rebelião popular” às portas de tomar conta do país e se deparou com o “fantasma” do fascismo bufando em sua nuca. Bolsonaro não significa a vitória do golpe, a continuidade do governo Temer, mas “O combate à candidatura Jair Bolsonaro coloca-se como uma tarefa prioritária para a classe trabalhadora no atual momento em função do cenário de autoritarismo que ela projeta, no sentido de possíveis mudanças qualitativas (e não meramente quantitativas) na atividade repressiva do Estado”. Foi um deus nos acuda! Apoiar ou não Haddad, eis a questão. O dilema durou pouco. “Vamos de Haddad. Votar 13, mas não no PT”. Que ridículo, apenas com Bolsonaro o PSTU veio perceber uma mudança qualitativa na situação política!

Até o 2° turno das eleições as condições eram uma linha de continuidade com os governos petistas. Que o Exército tenha se assenhorado do Estado nesse período, que Lula estivesse preso porque era uma ameaça para o golpe, que o país estivesse sob um ataque profundo do imperialismo, isso era a mera continuidade do governo do PT. Com Bolsonaro, tudo mudou.

Eis que passadas as eleições o PSTU, admitindo o governo de mazelas representados por Bolsonaro, divulgou recentemente em seu site matéria sob o título “Frente Única: É hora de construir já a unidade para lutar! ”.

Engana-se quem achou o título pomposo e acredita que o PSTU tem uma proposta para lutar contra o golpe de Estado, agora na sua versão Bolsonaro. A matéria é um plágio de matérias passadas do próprio partido. Trata-se da reedição da defesa de constituição de frentes sindicais para “lutar” contra as diferentes medidas que o governo ilegítimo e golpista de Bolsonaro quer implementar.

Lutar contra o golpe? Que golpe? Nem pensar. É um proposta de fragmentação da luta ao estilo do que foi feito “contra” o governo Temer. Em resumo mais do mesmo.

Assim como no período das “lutas” contra Temer, o PSTU tem um ponto pacífico. Nada de “’Lula Livre’, que não mobiliza e muito menos unifica a classe. Divide a classe operária, isso sim, e só serve para fins eleitorais”.

Quer dizer, a esmagadora maioria da classe operária não está com Lula, aliás, boa parte dela estaria com Bolsonaro, como admite. Por outro lado, a frente parlamentar proposta pelo PT, PSOL, etc., seria uma frente eleitoral e essa frente teria como bandeira a luta pela liberdade de Lula.

Trocando em miúdos, a frente parlamentar que tem como inspirador maior a direita do PT, nunca defendeu Lula, muito menos nas eleições. O PSTU, por sua vez, que nunca defendeu Lula, defende uma frente com esses setores e também acha que não deve defender Lula. Moral da história: o PSTU defende uma frente que tem como condição primeira enterrar Lula. Apoiar todas as medidas de arbitrariedades que são feitas contra o maior líder popular do país. Deixar Lula aos cuidados dos fascistas Bolsonaro e Moro. Isso em nome de quê? “ “Esse é o caminho para derrotar Bolsonaro. O outro caminho nos levará à derrota”.

Pura fanfarronada. O PSTU, assim como a direita do PT, o PSOL são agrupamentos pequeno-burgueses. A única diferença entre eles é que a direita do PT, pelo seu largo convívio com a burguesia, estabeleceu laços com diversos setores dessa classe social. O objetivo desse setor é o de buscar um lugar ao sol no novo regime aberto com o golpe. Embora não admita, Lula é um entrave para o estabelecimento de novas relações. O fator Lula não deixa que o povo esqueça o golpe.

Já o PSTU é o primo pobre dessa pequena-burguesia. Seus dirigentes também almejam um lugar ao sol, mas não têm nenhum lastro social. Como oportunistas pobres, seus objetivos são bem mais modestos. Talvez um carguinho sindical aqui, outro acolá. Quem sabe servir como bucha de canhão para implodir o lulismo… enfim, é a mediocridade em forma de Partido.