Imperialismo coordenou o golpe
Áudios mostraram a participação se senadores dos EUA no golpe de Estado em curso na Bolívia, mas o povo resiste nas ruas e ainda pode derrotar a direita golpista e o imperialismo
El Alto, 10 nov (ABI) .- O presidente Evo Morales pediu neste domingo novas eleições gerais na Bolívia e anunciou a renovação do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), na sequência do relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizou uma auditoria integral do processo eleitoral de 20 de outubro passado. Foto ABI
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Os EUA deram mais um golpe na América Latina durante o fim de semana. Evo Morales renunciou à Presidência no domingo (10) obrigado pelos militares. O comandante geral das Forças Armadas bolivianas, Williams Kaliman, “sugeriu” a Evo Morales que renunciasse. Deve ficar claro que esse pronunciamento foi equivalente a apontar os tanques para o Palacio Quemado, sede do governo boliviano. Até então, os militares permaneciam ocultos nos acontecimentos, como se nada tivessem a ver com o golpe de Estado que estava em curso.

 

O papel dos EUA

O principal agente desse golpe de Estado, os EUA, ficariam em silêncio por mais um dia, deixando para a segunda-feira (11) suas primeiras palavras sobre o ocorrido. O presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou o golpe de Estado, por meio de uma nota oficial publicada na segunda-feira. O presidente dos EUA afirmou: “os Estados Unidos aplaudem o povo boliviano por exigir liberdade e ao Exército boliviano por acatar seu juramento de proteger não só uma pessoa e, sim, a Constituição da Bolívia”. Trump também aproveitou para fazer propaganda do golpe na Venezuela e na Nicarágua, dizendo que o golpe na Bolívia “envia uma mensagem” a esses países.

Um ex-ministro boliviano, que esteve à frente da pasta de Autonomias (equivalente a um ministério do Interior) entre 2015 e 2018, Hugo Siles, disse ao jornal Sputnik que os EUA estiveram participando do golpe desde a candidatura de Carlos Mesa. “Os EUA nunca estiveram ausentes [do golpe], a lógica de ingerência e intromissão esteve na própria candidatura de Mesa”, denunciou Siles, que também lembrou a reação imediata dos EUA exigindo segundo turno depois do resultado das eleições, vencidas por Evo Morales em primeiro turno no dia 20 de outubro.

 

OEA

Outra evidência contundente da participação dos EUA no golpe de Estado foi a atitude da Organização dos Estados Americanos (OEA). Capitulando diante da pressão da direita, Evo Morales chamou a OEA pra fazer uma auditoria das eleições. O problema é que a OEA é uma organização totalmente submissa aos interesses imperialistas dos EUA em todo o continente. De modo que o resultado dessa auditoria era previsível. A OEA não afirmou que haveria fraude, mas declarou que as eleições não eram confiáveis. Isso levou Evo Morales a convocar novas eleições, uma capitulação que precipitou a exigência de sua renúncia e o golpe de Estado do dia 10.

 

Participação do governo do Brasil

Antes do golpe se consumar, o jornal El Periódico divulgou áudios que mostravam conversas entre os líderes golpistas e a participação de senadores dos EUA Marco Rubio, Bob Menéndez e Ted Cruz nos planos golpistas. Além da participação dos EUA, os áudios também falam em apoio do governo brasileiro, hoje totalmente alinhado à política externa dos EUA sob o golpista Jair Bolsonaro.

 

Abaixo o golpe dos EUA na Bolívia!

Portanto, diante dos dados mostrando a participação dos EUA no golpe na Bolívia, devemos denunciar a política golpista do imperialismo em todo o continente e levar adiante uma campanha contra esse golpe. Atos como o realizado ontem (12) no consulado da Bolívia em São Paulo para repudiar o golpe de Estado são uma iniciativa necessária, para demonstrar apoio e solidariedade ao povo mobilizado contra o golpe na Bolívia. Abaixo o golpe dos norte-americanos na Bolívia! Fora o imperialismo da Bolívia!

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