Abaixo a ditadura dos golpistas, mobilizar desde já contra Bolsonaro e a extrema-direita

UNICA FORUM / PRESIDENCIAVEIS

Com as eleições fraudulentas que colocaram, por meio de diversas manobras, o político de extrema-direita, Jair Bolsonaro, no poder do Estado brasileiro, o golpe de Estado conseguiu uma coisa que ele queria desde o início: dar um ar de legalidade às arbitrariedades cometidas pela direita golpista e o imperialismo.

Logo inicialmente, a imprensa burguesa e os políticos defensores do golpe anunciavam que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) acontecia dentro dos marcos da legalidade, sem desrespeitar nenhum princípio da constituição, apesar de até os dias de hoje, mais de dois anos depois do processo, não terem achado o crime por ela cometido para justificar o impeachment.

Em seguida, toda perseguição política exercida pela operação Lava Jato, em que o caso do ex-presidente Lula é significativo, foi apresentada pelos golpistas como totalmente legal e de acordo com os princípios democráticos da jurisdição. Mas na verdade, o que se viu foi uma total quebra dos direitos individuais por meio da perseguição do aparato do estado burguês.

Tiraram Lula das eleições, desrespeitando o direito do povo de escolher seu próprio candidato. Sem falar em todos os outros direitos democráticos que foram desrespeitados por aqueles que estão levando adiante o golpe e colocaram Bolsonaro, um elemento de extrema-direita, no poder.

Agora, ao invés de estar denunciando a fraude, as agressões da extrema-direita, o golpe e alertando para o aumento da repressão e do aprofundamento dos ataques à população através do governo Bolsonaro, a grande maioria da esquerda está caindo no jogo dos golpistas, procurando uma aliança com eles.

Políticos de esquerda que cresceram durante as eleições, como Guilherme Boulos e Fernando Haddad, já anunciaram que Bolsonaro é um governo legítimo, eleito pelo povo, e que portanto a única alternativa seria fazer uma “oposição” política, ao estilo parlamentar, dentro do espaço (quase inexistente) delimitado pelo regime golpista, e esperar mais 4 anos, até ganhar as eleições. Tudo isso, obviamente, com uma aliança com setores “democráticos” dos golpistas, como o PSB, o PDT, a REDE, o PSDB e tantos outros.

Trata-se de uma política suicida, totalmente capituladora, que pode levar toda a esquerda para o buraco. Não existe mais “regime democrático”, os golpistas já passaram por cima de tudo isso. A extrema-direita está nas ruas agredindo, censurando e assassinando uma série de gente. E a única maneira de derrotar isso é a mobilização dos trabalhadores contra os golpistas.

Isso ficou claro em todo o processo político. Não fossem as mobilizações contra a prisão de Lula, o metalúrgico teria sido preso já em 2016, quando Moro decretou sua condução coercitiva. Não fossem as mobilizações contra o impeachment, Dilma teria sofrido o golpe em 2015, e não em 2016. E todas essas vitórias dos golpistas só foram realizadas pois as lideranças da esquerda capitularam diante da direita, da mesma forma que estão capitulando neste momento, colocando a luta contra Bolsonaro nos marcos de uma suposta oposição parlamentar, e em aliança com setores da direita golpista.

Agora, o momento é de aumentar a mobilização contra o golpe. Reorganizar os comitês de luta contra o golpe e unificar todo o movimento contra o golpe em torno de grandes atos nacionais pela Liberdade do Lula, contra Bolsonaro e todos os golpistas e denunciando a fraude eleitoral.

Apenas entrando em total oposição à política dos golpistas será possível derrotar o golpe. Ou seja, a única maneira de derrotar a ditadura que está sendo estabelecida pelo regime golpista e de reconquistar os direitos democráticos da população é lutando efetivamente contra o golpe. Propostas de unificação com a direita e de “luta institucional” servem apenas para jogar areia nos olhos da população.