Luta estudantil
Filme do cineasta Diógenes Muniz vence o festival É Tudo Verdade com o resgate da luta estudantil do final da década de 1970
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Assembleia estudantil na FAU-USP na década de 1970 | Foto: Reprodução
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Assembleia estudantil na FAU-USP na década de 1970 | Foto: Reprodução

Na noite do último domingo (4) ocorreu a cerimônia de premiação do 25º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Na categoria de melhor filme, o grande vencedor pelo júri foi o documentário “Libelu – Abaixo a Ditadura”, do cineasta Diógenes Muniz.

O documentário reconstitui a história da organização de estudantes Liberdade e Luta, a primeira a levantar a palavra de ordem “Abaixo a Ditadura” nas manifestações contra o regime ditatorial da década de 1970. Posteriormente, a organização se integrou ao Partido dos Trabalhadores (PT) na tendência O Trabalho.

O filme é baseado em relatos dos integrantes da tendência filmados na FAU-USP, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde a tendência do movimento estudantil que se reivindicava trotskista foi criada em 1976.

Contrastando com outras organizações do movimento em aspectos comportamentais (a abertura para a homossexualidade, o uso de maconha e as festas de rock) e estéticos (a ruptura com os ícones marxistas e com o realismo soviético), a organização teve importante atuação na retomada da atividade política que levou a ditadura à derrota.

Como exemplos dessa luta, a participação muito ativa dos estudantes nas ruas em 1977 com a palavra de ordem “Abaixo a Ditadura”, a greve da ECA-USP que desaguou na recriação do DCE-Livre da USP, a campanha pelo voto nulo nas eleições de 1978 e a campanha pela anistia política.

O filme faz o resgate de um momento muito importante da luta contra a ditadura militar, que é justamente quando a centralidade da oposição passa do MDB parlamentar à mobilização estudantil e operária, o que finalmente leva o regime à lona.

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