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Domingo: Rui C. Pimenta apresentará balanço da situação política

Farsa eleitoral

A vitória dos menos populares

Na eleição não ganhou nem a esquerda nem a extrema-direita, ganhou quem tem menor popularidade, isto é, a direita, o "centrão"; que ficou fora da eleição presidencial

A ratazana do congresso nacional – Foto: Reprodução

Nesse domingo (15/11), ocorreu o primeiro turno das eleições municipais. O que é vendido nas páginas dos jornais da burguesia, onde a mudança vai vir pelo voto em candidatos da burguesia, se mostrou novamente para toda população uma grande manipulação, uma fantasia. O que vimos nas eleições municipais foi o mesmo que o prognóstico do PCO já destacava: a eleição mais fraudulenta desde a ditadura militar. A principal prova disso é que o Centrão, bloco político que é sustentáculo do regime, que integra oligarquias locais e tem profundas relações com o imperialismo mundial, ganhou as eleições municipais; na maioria dos lugares, com larga vantagem. São 752 municípios em todo país com prefeituras do DEM, segundo os dados do Tribuinal Supremo Eleitoral (TSE). o PP tem 664 eleições fraudadas em primeiro turno, e o PSD, 630.

É importante lembrar que essa direita “civilizada” formada pelo centrão estava falida até pouco tempo atrás, tanto que teve que organizar um golpe de estado em 2016 e perseguir o Partido dos Trabalhadores. Como em um milagre, essa direita cambaleante “ressuscitou” com força total.

O ponto central da fraude eleitoral é a vitória do Centrão nas eleições municipais. O bloco fisiológico da burguesia atua, muitas vezes, na sombra e na penumbra da vida política nacional. É esse bloco que domina, na verdade, o Congresso Nacional desde 1988; e que já dominou toda política nacional em períodos históricos anteriores, como na República Velha que vai até 1930. Esse mesmo bloco político domina hoje todos os governos que passaram pelo período pseudodemocrático, que vai de 1989 a 2016, quando com a ajuda dessa ala da direita o governo de Dilma Rousseff (PT) foi deposto ilegalmente, inclusive colocando a figura do MDB, Michel Temer, como o governo provisório do golpe de Estado. Esse bloco que não lança candidatos presidenciais, que quando lança é justamente para fazer lobby no congresso, que só consegue colocar na cabeça de um governo nacional um governo de caráter provisório, são os “mais populares” nas eleições municipais.  

As ratazanas do congresso só saem ao sol nas eleições municipais por que?  Como alguém o grupo político de Rodrigo Maia e Alcolumbre sai com essa tamanha vitória em uma eleição? Justamente porque são eleições extremamente ditatoriais, controladas por oligarquias, latifúndiários e a burguesia. Um local frutífero para farsa, extremamente mais controlado do que a eleição presidencial. Exatamente por isso, pelo controle mais frouxo da eleição nacional, que nas eleições municipais essa direita nada de braçada. 

A burguesia busca acabar com a polarização política. A polarização faz a burguesia perder o controle da situação e o que houve nas eleições tentar acabar com essa situação política. O objetivo foi retirar do bolsonarismo boa parte do poder político nas prefeituras municipais e câmaras de vereanças; segundo, retirar do PT o protagonismo eleitoral sob o bloco da esquerda do regime. Duas operações difíceis de serem realizadas em eleições nacionais, mas facilmente realizáveis por eleições farsa, isto é, municipais. Esse era o principal objetivo das eleições municipais, do ponto de vista da burguesia.  

Primeiro que a despolitização reinou, o que garante uma manobra muito mais fácil de ser realizada. Não estava em jogo as grandes questões nacionais, os interesses dos trabalhadores. O que se via era uma enxurrada de demagogia. A direita tem esse método como algo tradicional, integrado ao seu modo de fazer política. Afinal, ninguém se elege dizendo que o seu programa é atender a oligarquias, latifúndios, banqueiros, fascistas… ser honesto politicamente não cabe no modus operandi da direita, afinal até mesmo em uma fraude como essa seria difícil de enganar.

A esquerda, por sua vez, contribuiu enormemente para essa situação. Foi a reboque dessa política da direita com uma enxurrada de demagogia e deixando questões fundamentais de fora da campanha como a luta contra a direita.

Não houve denúncia do fascismo, não houve denúncia do Bolsonaro, não houve denúncia da direita. Houve as brigas de compadres e a discussão do “socialismo” provinciano, de como o candidato vai transformar sua cidade em uma cidade europeia; em meio a um golpe de Estado. 

Isso abriu espaço para manobra ser bem-sucedida da burguesia para conter a polarização. Conseguiram na maior parte dos municípios e, em especial as capitais, controlar a extrema direita e isolar o PT para reduzir seu poder eleitoral. A maior parte dos lugares em que o bloco bolsonarista tentou se lançar para dominar o poder político local, foi fracassado. A direita fisiológica e sem voto do DEM, PP, PSD, PL, etc, partidos esses formados pelo centrão saíramvitoriosos. 

E costura-se assim a frente ampla, pois a manobra de substituir o PT dentro da farsa das eleições municipais saiu-se vitorioso. O PSOL aumentou sua bancada em dezenas de cidades, colocando assim em marcha o plano da burguesia de substituir o petismo por uma esquerda moderada e ainda mais mansa com a burguesia. Uma esquerda que não possui inserção dentro dos trabalhadores e não tem essa pressão das classes mais populares que podem sair de controle. Essa esquerda é o PSOL. Que duplicou, triplicou e quadriplicou sua bancada em diversas câmaras de vereadores e agora está no segundo turno da cidade mais importante do País: São Paulo. Isso mostra o que a burguesia está preparando para o PSOL e a capacidade do partido pequeno-burguês em se adaptar ao regime golpista e conquistar cargos em prefeituras numa clara tentativa de isolar o PT e a ala Lulista para impor a frente ampla. 

Para romper com essa política de cabresto é necessária uma mobilização de massas dos trabalhadores pelas suas reivindicações políticas: Fora Bolsonaro e Lula Presidente! É necessário continuar uma ampla campanha de rua para derrubar os golpistas, impedir o crescimento do centrão e retirar do domínio da burguesia o controle do poder político no País, que só faz avançar o fascismo e resguardar as ratazanas e gabinetes. Para isso os trabalhadores serão que se dispor dos seus métodos de luta.  Greves, mobilizações de rua, agitações para derrubar os golpistas e impor uma derrota para a burguesia derrubando Bolsonaro e colocando Lula na presidência; só assim os trabalhadores sairão vitoriosos na ditadura que se desenha. 

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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