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EUA

A violência e os crimes sexuais da Polícia de Nova Iorque

Os protestos gigantescos e radicalizados nos EUA exigem: fim da polícia!

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Manifestantes encurralados pela polícia no Brooklyn – Foto: Adriana Machado

(*) Por Adriana Machado, correspondente em Nova Iorque

Nos Estados Unidos, desde o assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis, em maio de 2020, protestos contra a brutalidade policial têm sido recebidos, pasmem, com enorme brutalidade policial.

Em Nova Iorque, socos, cassetetes, sprays de pimenta, balas de borracha, e bombas de gás lacrimogêneo, além de prisões em massa, são táticas usadas pela polícia para oprimir os manifestantes.

Nas últimas semanas, quatro mulheres que protestavam pacificamente tiveram suas roupas arrancadas por homens da polícia, e foram forçadas a permanecerem nuas, expostas na rua, diante de centenas de policiais e civis. 

Os crimes sexuais e a violência são, muitas vezes, cometidos por um grupo especial da polícia da cidade, o SRG, ou Grupo de Resposta Estratégica.

Formada em 2019, a unidade policial põe em evidência uma preocupante tendência do imperialismo e dos países abertamente fascistas: ela agrupa “terroristas” e manifestantes civis em um único foco a ser combatido. 

O assassinato de George Floyd forçou a imprensa a mudar o tom da cobertura da brutalidade policial 

A intolerável violência policial que se vê diariamente nas ruas do país é bem diferente da versão glamourizada que gera enorme renda para a imprensa americana. Ela é comum e generalizada. 

Oficialmente, cerca de 1.000 pessoas são mortas pela polícia no país a cada ano. Em 2020, 28% dos mortos eram negros, apesar deles representarem apenas 13% da população. Os policiais raramente são processados, e mesmo quando há processo, quase todos são inocentados – apenas 1% é preso. A cobertura da imprensa frequentemente repete a versão oficial dos fatos, culpa e marginaliza a comunidade, concentra na violência, e evita a todo custo as discussões sobre as razões do problema: o racismo e a luta de classe. 

A democratização dos vídeos e da internet, e, principalmente, a filmagem do assassinato de George Floyd, expuseram ao mundo a absurda situação e a imprensa teve que mostrar o que há muito abafava. Os protestos explodiram e, como era de se esperar, alguns foram extremamente violentos. Edifícios da polícia foram incendiados.

Oficialmente, cerca de 1.000 pessoas são mortas pela polícia no país a cada ano

Pesquisas sugerem que entre 15 milhões e 26 milhões de pessoas participaram de protestos em 40% dos condados americanos, o que tornaria essas manifestações as maiores da história do país. 

Manifestantes pacíficos foram atacados com gases tóxicos, cassetetes, balas de borracha, bicicletas e pisoteados por oficiais montados em cavalos. Crianças, idosos e mulheres grávidas foram alvos dos ataques em várias cidades. Em Nova Iorque, a polícia avançou com carros sobre a multidão, como costumam fazer terroristas da extrema-direita.  

Protestos em NY 

Em 2014, Eric Garner foi morto pela polícia de Nova Iorque, por enforcamento por  ‘mata-leão’, tática proibida na cidade. Akai Gurley também foi morto pela polícia naquele ano, a tiros. O movimento Vidas Negras Importam se desenvolveu, e depois do assassinato de George Floyd, lojas no SoHo, uma área nobre da cidade, foram saqueadas por manifestantes. 

Em junho de 2020, o governador Andrew Cuomo e o prefeito Bill de Blasio restringiram a liberdade básica de ir e vir na cidade da Estátua da Liberdade. Anunciaram o primeiro toque de recolher obrigatório em 75 anos, uma medida “para conter confrontos violentos e evitar danos às propriedades privadas”. O que se viu foi uma licença para os policiais prenderem e espancarem manifestantes pacíficos à vontade. Em apenas uma noite, mais de 60 pessoas foram presas. 

A Human Rights Watch documentou pelo menos 61 casos de manifestantes, observadores legais e espectadores que sofreram ferimentos durante a repressão, incluindo lacerações, nariz quebrado, dente perdido, ombro torcido, dedo quebrado, olhos roxos e potencial lesão nervosa devido à rigidez excessiva das ‘algemas’ de ‘zip-lock’ de plástico.

Depois do toque de recolher, com a pandemia, a repressão, e a ajuda da imprensa, as manifestações diminuíram. Mas alguns grupos continuaram nas ruas. Recentemente, com as tensões econômicas, e da pandemia, o julgamento do assassino de Floyd, e os movimentos de resistência na Colômbia e Palestina,  esses pequenos protestos têm crescido de novo. Os assassinatos pela polícia também aumentaram. 

No dia 14 de janeiro, o policial Artem Prusayev apontou sua arma para manifestantes pacíficos. O grupo passou a marchar, pelo menos 3 vezes por semana, de Manhattan ao 84o recinto da polícia no Brooklyn, ao qual pertence Prusayev, demandando que ele fosse demitido. Confrontada diretamente, a polícia aumentou a pressão, e os ataques sexuais foram registrados. Numa conferência de imprensa, uma das 4 mulheres atacadas nas últimas semanas comentou saber serem grandes as possibilidades de ser presa ao protestar pacificamente, mas nunca imaginar passar por essa situação: pelo menos 5 policiais a seguraram, bateram com cassetete, arrancaram suas roupas e a forçaram a caminhar pela cidade nua, por mais de meia hora, cercada de centenas de policiais e civis.

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Artem Prusayev da polícia de Nova Iorque, aponta arma para manifestantes pacíficos. FOTO: Twitter @JoshuaPotash

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“Fire Artem”: manifestantes pedem que Artem Prusayev seja demitido. Foto: Adriana Machado

Com um orçamento anual de 10 bilhões de dólares, a polícia de Nova Iorque é um dos grupos militares mais fortes do mundo. A unidade SRG, formada por 700 voluntários, tem dezenas de policiais com longos históricos de conduta imprópria. Uma matéria do Intercept afirma que o manual interno do esquadrão ensina como violar os direitos dos manifestantes. 

Milhares de agentes de polícia norte-americanos, entre eles integrantes da polícia de Nova Iorque, fazem frequentes viagens de treinamento em Israel, país que usa grande parte do auxílio imperialista para desenvolver manobras de opressão, testadas sem piedade no povo Palestino. Técnicas de opressão semelhantes são reconhecíveis em torno do mundo. Da Palestina às favelas no Brasil, passando pela Colômbia, até os movimentos Vidas Negras Importam nos EUA, manifestantes perdem os olhos com projéteis não-letais, sofrem enforcamento com mata leão, e são mortos por armas de fogo. 

Dissolver a polícia

Qualquer plano de reforma da instituição é demagógico, a polícia existe para proteger o interesse e a propriedade dos capitalistas e oprimir a população. As demandas do Vidas Negras Importam são variadas, mas muitos, como o PCO, querem o fim da polícia. Grupos comunistas, anarquistas e social-democratas locais anunciam programas de treinamento de autodefesa, e um dos cantos de protestos mais ouvidos nas ruas é “Who keeps us safe? We keep us safe!” ou seja, “Quem nos protege? Nós mesmos nos protegemos”. 

Ser pelo fim da polícia é destruir um dos pilares fundamentais da dominação burguesa. Com a dissolução desse órgão, o monitoramento e a garantia da aplicação das leis em cada região seria organizado por integrantes da comunidade, para proteger os interesses de todos os trabalhadores. Só extinguindo a polícia será possível alcançar, na prática, o papel que a polícia hoje em dia demagogicamente anuncia como objetivo: “servir e proteger”. 

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