A via parlamentar
Dos eleitos, considerando todos os cargos, apenas Dulce Amorim (PT), foi eleita, porém para o cargo de suplente
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Eriberto Medeiros (PP), golpista reeleito para a presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco | Foto: Alepe
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Eriberto Medeiros (PP), golpista reeleito para a presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco | Foto: Alepe

Na última sexta-feira (4), ocorreu a eleição para a presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e a direita golpista saiu novamente vitoriosa, com atuação completamente confusa da esquerda. Concorreram ao pleito os deputados Álvaro Porto (PTB) e Eriberto Medeiros (PP), o candidato da vez, que já havia sido reeleito uma vez. Eriberto Medeiros saiu vencedor com um total de 31 votos contra 14 do petebista.

Além de presidente da casa, a eleição procurava nomear mais 6 deputados para as funções de comando na mesa, e 7 suplentes. Dos eleitos, considerando todos os cargos, apenas Dulce Amorim (PT), foi eleita, porém para o cargo de suplente. Ou seja, a esquerda não conseguiu emplacar nenhum parlamentar.

A Alepe conta com 49 deputados estaduais, sendo que apenas 47 participaram da votação. A eleição ocorreu de forma presencial, e faltaram João Paulo Costa (Avante), que está com a Covid-19, e William Brígido (Republicanos). Além disso, dois parlamentares anularam seus votos, um votando em branco e outro em nulo.

O voto foi secreto, entretanto é possível ainda identificar a falta de posicionamento da esquerda dentro do pleito. É preciso notar, antes de tudo, que a esquerda conta com apenas 5 parlamentares na Assembleia, 3 do PT, 1 do PSOL e 1 do PCdoB, sendo eles – Dulce Amorim (PT),  Doriel Barros (PT), Teresa Leitão (PT), a candidatura coletiva Juntas (PSOL) e João Paulo (PCdoB) -, entretanto isso não justificar a omissão diante da eleição.

Pois bem, logicamente, se há 5 candidatos da esquerda e apenas 2 anularam seu voto, é possível concluir que 3 deles tiveram votos válidos. Isto é, 3 parlamentares da esquerda votaram na direita golpista, no candidato do Partido Progressista (PP) ou no do Republicanos, dois partidos deliberadamente bolsonaristas. A confusão se estende até o fato de que não não se candidataram nenhum da esquerda, consagrando a atuação da esquerda nas eleições para presidente da Alepe como vergonhosa.

Dessa forma, é válido refletirmos que os votos na direita devem ser considerados um posicionamento dentro da casa. Do que vale se eleger com a placa da esquerda e votar em golpistas? Talvez seja possível dizer que a desmoralização na hora das campanhas, implorando pelo voto da classe média, dita da esquerda, seja o pleno reflexo da confusão política e da falta de posicionamento contra o bolsonarismo.

Esse é, definitivamente, o papel político que cumpre a Frente Ampla, anunciando candidaturas da esquerda, ditas “revolucionárias”, de luta dentro do parlamento. Porém, a luta dentro do parlamento parece bem desmoralizador. E, o mais importante, esta atuação reflete a maneira como a esquerda frente amplista lida com os bolsonaristas e, sobre isso, podemos concluir facilmente que não é uma luta pela derrubada da extrema direita do poder.

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