Estelionato
A condição da unidade da esquerda é Lula abrir mão de sua candidatura, ou seja, de seus votos para apoiar outro candidato
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SP - LAVA JATO/LULA/TRF-4/RESULTADO - CIDADES - O ex-presidente Luiz In·cio Lula da Silva (PT) (e), acompanhado do coordenador nacional   do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, participa de ato   de apoio ao petista realizado por militantes de movimentos sindicais e populares, na PraÁa   da Rep˙blica, no centro de S„o Paulo, nesta quarta-feira, 24, dia em que Lula teve recurso   contra a condenaÁ„o no caso do triplex negado pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de   Porto Alegre. Lula foi condenado por corrupÁ„o passiva e lavagem de dinheiro. Os   desembargadores ampliaram a pena do ex-presidente de 9 anos e seis meses para 12 anos e   1 mÍs. Ainda cabe recurso por parte da defesa.   24/01/2018 - Foto: ALEX SILVA/ESTAD√O CONTE⁄DO
"Passa para mim seus votos, Lula" | Arquivo

Em entrevista à Pública, no último dia 10 de dezembro, o ex-candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, defendeu uma unidade da oposição para derrotar o bolsonarismo. Boulos e o PSOL já se preparam para a eleição de 2022. Em meio a declarações de que vai viajar o País em 2021, Boulos dá o seu veredicto quanto ao futuro da esquerda:

Se a unidade não prosperar, se não houver uma compreensão e uma maturidade política de lideranças do nosso campo sobre a importância da unidade para derrotar o bolsonarismo, bom, só nos resta lamentar. Se o resultado for este, cada campo, cada partido de esquerda vai ter a sua candidatura, vai apresentar o seu projeto, e a chance de a gente repetir fracassos agindo dessa forma é muito maior

Mas o que significa a unidade pedida por Boulos? A resposta deve ser encontrada em sua consideração sobre a “maturidade” política das lideranças da esquerda sobre a unidade. Muito próximo do que afirmou seu correligionário Edmilson Rodrigues, eleito prefeito de Belém, que afirmou que “o Lula tem que fazer autocrítica, reconhecer que não é Deus.” E faz a mesma consideração de que se não houver unidade não será possível “derrotar o fascismo”.

Por trás do discurso de que deve haver unidade e ela está condicionada a essas palavras tão bonitas de “humildade”, “maturidade”, está uma condição implícita: a de que Lula, o nome mais popular da esquerda, deve abrir mão de sua candidatura.

Embora tente disfarçar, essa posição fica bastante evidente em seu comentário sobre a entrevista de Fernando Haddad à Folha de S. Paulo de que o PT insistirá numa candidatura própria, prioritariamente à de Lula:

Eu vou seguir fazendo esforço de buscar construir unidade no nosso campo. Se a unidade não prosperar, se não houver uma compreensão e uma maturidade política de lideranças do nosso campo sobre a importância da unidade para derrotar o bolsonarismo, bom, só nos resta lamentar. Se o resultado for este, cada campo, cada partido de esquerda vai ter a sua candidatura, vai apresentar o seu projeto, e a chance de a gente repetir fracassos agindo dessa forma é muito maior

A colocação é uma mera manobra de palavras, se é que podemos chamar assim. Boulos estabelece que há um igualdade entre o PSOL, o PT e demais partidos de esquerda. Daí, deveríamos acreditar que Lula, o político mais popular do País, deveria ser “humilde”, abrir mão de seu eleitorado nas eleições em nome de uma unidade abstrata. Se Lula e o PT não fizeram isso serão acusados de terem beneficiado o bolsonarismo.

Tal ideia não é nada mais do que uma chantagem. A única unidade possível do ponto de vista eleitoral, se realmente a esquerda institucional, como é o caso do PSOL, quer derrotar Bolsonaro, é a unificação em torno do candidato mais popular da esquerda, que é Lula. O resto não passa de conversa mole, de um golpe na praça contra o eleitorado de esquerda.

Tudo isso apenas se levarmos em conta o problema eleitoral que é o que está considerando Boulos. Se levarmos em conta o problema da mobilização popular e da luta contra os golpista, a candidatura de Lula é ainda mais necessária. A defesa de seus direitos é uma condição para aqueles que dizem lutar contra os golpistas. A defesa de sua candidatura coloca em xeque um dos fatores fundamentais do golpe que é a retirada de Lula do cenário eleitoral, a fraude eleitoral e assim facilitar a vida da direita.

Boulos acredita na propaganda que a imprensa golpista e a direita estão fazendo dele próprio. Acredita que seus votos em São Paulo são produto de sua própria popularidade. Acredita, assim, que pode negociar a unidade com Lula e o PT de igual para igual.

Os votos de Boulos nas eleições presidenciais de 2018 foram pouco mais de 600 mil. Nas eleições para a prefeitura de São Paulo o psolista teve mais de 2 milhões e 100 mil votos. O que teria produzido o milagre da multiplicação dos votos? Dois fatores essenciais fizeram com que Boulos obtivesse essa votação. O primeiro foi a publicidade da imprensa golpista, que desde o início escolheu o psolista como o oficial da esquerda nas eleições. O segundo e decorente do primeiro foi que a exposição na imprensa golpista tinha como objetivo fazer os votos do PT migrarem para Boulos, apresentado como o candidato de esquerda mais viável.

A votação que Boulos apresenta como uma opção do eleitorado pela “novidade” não é nada mais do que o roubo dos votos do PT na capital paulista.

Portanto, trata-se de um estelionato afirmar que Lula deve ser humilde em nome da unidade. É um golpe que visa na realidade anular a popularidade de Lula e transferir parte de sua votação para um candidato da esquerda que não tem a mesma popularidade, quem sabe o próprio Boulos.

Quem pode mais, chora menos e quem pode mais – e muito mais – em termos de eleitorado é Lula. Se Boulos afirma querer unidade para derrotar Bolsonaro, não adiante chorar, deve se submeter ao único que tem condições de derrotar Bolsonaro no voto.

O problema aí é que Lula ainda está virtualmente impedido de se candidatar e justamente por isso que a campanha por seus direitos se faz necessária. Mas o PSOL prefere pedir que Lula se ja “humilde”. Isso tudo na realidade serve para disfarçar o fato de que, caso a direita insiste nas perseguições a Lula, a esquerda irá se submeter novamente à fraude e ao golpe como fez em 2018.

A única unidade possível e que serve para impulsionar a luta dos trabalhadores é aquela em torno de uma campanha pela candidatura de Lula e por seus direitos políticos. Se é um problema de ser “humilde” e “maduro”, quem em primeiro lugar deveria pensar nisso é o PSOL. Mas a crença na propaganda da imprensa golpista fez subir à cabeça de Boulos sua vaidade política manipulada pela direita, que na prática se apresenta por meio de uma política oportunista. É esse oportunismo que impede o PSOL e Boulos de notarem que estão servindo aos interesses da direita golpista cujo principal interesse é ver Lula bem longe da disputa eleitoral. Não fosse isso, não seria Lula o perseguido e atacado pela burguesia, mas o próprio Boulos, a não ser que o PSOL acredite nas acusações contra Lula.

No fundo, o PSOL endossa é que Lula errou mesmo, por isso foi preso, que o PT realmente é corrupto, por isso levou o golpe de Estado, e assim por diante. Está na hora da “novidade”, um partido ético e um candidato amável, ao gosto da imprensa golpista.

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