“A situação econômica do Brasil se deteriora rapidamente”: confira análise de Rui Costa Pimenta

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Rui Costa Pimenta explica porque a política neoliberal não pode produzir crescimento econômico e alerta sobre o potencial explosivo de se ter uma massa gigantesca de desempregados.

“Saíram várias estatísticas econômicas que apontam que a situação econômica do país está se deteriorando rapidamente. O Banco Mundial publicou que de 2017 até agora 8 milhões de pessoas adentraram a condição de pobreza absoluta; vejam bem: 8 milhões de pessoas. O Desemprego aumentou. Nós temos entre 13 e 14 milhões de desempregados. Isso sem falar nos sub empregados, que não são pessoas verdadeiramente empregadas. Calcula-se que mais de 25% da mão de obra brasileira esteja fora do mercado de trabalho. E a política do governo é uma política recessiva, de ataque ao crescimento econômico. Está totalmente voltada a atrair o capital especulativo, não a desenvolver nenhum aspecto da situação econômica.

Evidentemente, no médio prazo essa política só pode provocar isso mesmo [recessão] não há nem como ter algum tipo de ilusão. Num momento muito mais favorável, com o país muito mais robustecido economicamente o FHC botou em prática essa política e levou o país a uma miséria espantosa.  No mundo todo essa política tem levado a uma situação de miserabilidade enorme.

Não há como ter expectativa que isso vá levar a algum desenvolvimento ou crescimento real (a não ser nas estatísticas, para um punhado de capitalistas). Essa política que vem sendo aplicada no mundo desde a década de 1980 a partir da Inglaterra (que é a política neoliberal) é uma política, fundamentalmente, de destruição das forças produtivas, o que implica em lançar milhões e milhões de pessoas para fora do mercado de trabalho, na miséria. É uma política de brutal arrocho salarial, de destruição das conquistas operárias: só pode terminar em miséria, não há outra possibilidade.

De lá pra cá,   a miséria mundial se amplificou extraordinariamente. No Brasil tem uma propaganda de toda a imprensa coligada (no resto do mundo também tem isso), que nós vivemos no melhor dos mundos possíveis: é uma barbaridade. Nos últimos 30 anos a indústria brasileira retrocedeu, perdemos cerca de um terço do parque industrial.

Quando aparece um maluco como Paulo Guedes falando que vai “recuperar a economia”, nós temos que traduzir para o português: Ele vai criar condições melhores para os investidores especulativos, que vão tirar dinheiro dos outros e aumentar a miséria. Não tem plano de recuperação da economia.

Nenhum governo aguenta essa situação. Aqui nós temos que elaborar a seguinte tese: Se o governo Bolsonaro conseguisse, com uma série de medidas, criar melhores condições para os empresários, o problema da população  também é um fator econômico. Não dá pra um país como o Brasil pacificar uma massa de centenas de milhares de miseráveis, mesmo que as empresas estejam ganhando dinheiro e comprando uma parcela grande classe média. O país tende a explodir do ponto de vista social.

Nós temos um caso anterior que é o que aconteceu no fim da ditadura militar. Em 1983 o governo militar havia provocado uma recessão (inclusive para conter o movimento operário, que é uma coisa curiosa) e a população desempregada de acumulou de uma tal maneira que em São Paulo houve um tremendo quebra-quebra que foi interpretado como sendo o princípio de uma explosão social generalizada no país. Aí eles tiveram que mudar completamente a política, que levou a uma onda inflacionária que levou ao plano Collor e depois ao Real.

O governo Bolsonaro está caminhando num terreno extremamente perigoso. A não ser que alguma mudança na situação econômica internacional intervenha, ou aconteça alguma coisa muito extraordinária, o situação tende a ficar crítica.”