A saída não é institucional, é nas ruas!

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Diante da intensa crise política do governo Bolsonaro, a direita e a burguesia já movimentam suas peças para se anteciparem a uma derrubada do presidente ilegítimo pela força popular.

O governo foi montado de maneira caótica, improvisada, porque Bolsonaro nunca foi a primeira opção da burguesia e do imperialismo. Isso porque, sendo um político do baixo clero, não teria condições políticas para comandar um governo estável. A crise do regime político como um todo não deixaria. Era previsível que a situação atual seria realidade, antes cedo do que tarde.

Mas a burguesia comanda todas as instituições, com um controle absoluto da direita pelo menos desde o golpe de 2016. Essas instituições são formadas por bolsonaristas ou elementos com uma política muito semelhante, de ataque aos direitos da população e entrega da economia ao imperialismo. Portanto, ela tem condições de trocar Bolsonaro por um governo igualmente repressivo e destruidor. Ela domina o jogo institucional.

O Congresso pode estar contra Bolsonaro, o Judiciário pode estar contra Bolsonaro, o Exército pode estar contra Bolsonaro. Mas nenhum deles está contra a política geral de Bolsonaro. Todos defendem o desmonte da economia nacional, o máximo possível enquanto isso não atinja seus interesses corporativos, cada um representando um determinado setor da burguesia. Logo, nenhum deles defende os interesses do povo.

Acreditar que um impeachment, por exemplo, por si só resolveria a situação em favor da população, é um equívoco. Obviamente, se existir a possibilidade de derrubar Bolsonaro por um mecanismo institucional como este, o movimento popular deverá colocar a máxima pressão das ruas para que isso leve a uma saída que atenda aos interesses imediatos da população.

Mas não se pode esperar uma decisão oficial, das instituições dominadas pelos golpistas, para agir. E, muito menos, deixar em suas mãos a queda de Bolsonaro e a escolha de um novo governo, porque este governo teria as mesmas orientações, com a diferença de que poderá ser mais estável, ou seja, mais rigidamente controlado pela ala mais poderosa da burguesia.

As manobras e negociações parlamentares não interessam ao povo. Se a esquerda quer levar adiante uma política que realmente atenda às exigências populares, não adianta querer entrar em negociatas com setores da burguesia contrários a Bolsonaro, porque o interesse desses setores é substituir Bolsonaro por um governo igualmente antipopular.

Se quiser estar em sintonia com o povo, a esquerda precisa mobilizar suas bases na direção do enfrentamento concreto a Bolsonaro. Como tudo na história, o que leva à conquista de reivindicações populares é a pressão popular. Se a esquerda conseguir organizar o movimento popular que tem uma ampla tendência para a derrubada de Bolsonaro, isso surtirá, no mínimo, um efeito sobre a burguesia, acuada pelas mobilizações de massa, que se verá obrigada a ceder a algumas reivindicações. Por isso, além de ter como palavra de ordem o Fora Bolsonaro, é preciso estabelecer um programa imediato mínimo para o que ocorrer depois.

Se Bolsonaro cair, é preciso que haja eleições gerais, porque, como Bolsonaro não é legítimo por ter sido “eleito” em meio a um golpe de Estado, nenhum sucessor seu (o vice-presidente, o presidente do Senado, da Câmara, etc.) será legítimo, pois é parte fundamental desse golpe. Eleições livres para que o povo tenha condições de eleger quem ele quiser. Assim, é essencial que o ex-presidente Lula – preso político há mais de um ano para que não vencesse as eleições de 2018 – seja libertado e possa concorrer, uma vez que é o líder mais popular do País e o povo clama sua liberdade.

Tudo isso só poderia ser garantido pela mobilização revolucionária dos trabalhadores e da população explorada. A burguesia não entregaria nada de graça, pelo contrário, se não se sentir ameaçada ela nem mesmo atenderá aos mínimos pedidos do povo. É preciso forçar a burguesia a entregar o anel para não perder os dedos, por isso é vital a constante mobilização popular, nas ruas, como ocorreu no dia 15 de maio. O povo deve permanecer nas ruas, mobilizados pela esquerda e suas organizações de massa, para derrubar Bolsonaro e impor sua política democrática.