Frente Ampla
Política de frente ampla em São Paulo explica porque a esquerda insiste numa política que só leva os trabalhadores à derrota
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Doria e deputado do PSDB
Governador Joao Doria (PSDB) e o deputado estadual Cauê Macris (PSDB-SP) | Reprodução
Doria e deputado do PSDB
Governador Joao Doria (PSDB) e o deputado estadual Cauê Macris (PSDB-SP) | Reprodução

A situação do País, neste momento, pode ser resumida da seguinte forma: a extrema direita bolsonarista e a direita golpista tradicional lutam para se fortalecerem para a disputa da presidência em 2022. A esquerda parlamentar – através de critérios mesquinhos, avaliando ganhos imediatos – decide qual dos dois setores vai apoiar.

No entanto, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), isto ocorre desde 2006. Segundo informações do jornal Estadão, o líder do governador João Doria (PSDB), deputado Carlos Pignatari (PSDB), será candidato a presidência do parlamento estadual com o apoio do PT e do DEM!

Pignatari é o relator do projeto de ajuste fiscal de Doria, enviado para a Alesp para destruir uma série de direitos e conquistas trabalhistas, aprovado com o uso do aparato de repressão estatal, especialmente com a Polícia Militar reprimindo professores e servidores.

PT e DEM possuem hoje a 1ª e 2ª Secretarias da presidência da Alesp, posição que o acordo para apoio a Carlos Pignatari, o PT procura manter, como explica o deputado petista, atual 1º secretário, Arselino Tatto (PT):

“O que existe de mais democrático é formar a Mesa (Diretora) partindo das maiores bancadas. Somos oposição ao Doria no Estado, mas na Mesa Diretora não.”

Por um lado, o deputado está correto, a mesa diretora ser formada pelos partidos que tem mais “representação” no parlamento é democrático. Mas não se trata disso, pois o próprio PT, como a esquerda, não procura reformar as regras da Alesp para que o processo de escolha seja mais democrático. Diante de uma estrutura profundamente antidemocrática, o PT não procurou combatê-la, reformá-la, mas sim costurar um acordo para manter sua posição. Não é, neste sentido, uma questão de luta pela democracia interna da Alesp, mas sim uma aliança com os golpistas, que destruíram a democracia a nível nacional, para manter alguns cargos, sem alterar de nenhuma forma a estrutura antidemocrática do parlamento estadual, que há anos é uma ditadura controlada pelo PSDB.

Isso também fica claro no fato de compor a mesa da Alesp, desde 2006, mais impediu o PT de lutar contra a direita, do que combatê-la. Alguém lembra de uma grande disputa em que os deputados do PT lideraram contra a ditadura dos tucanos em São Paulo?

Esta trajetória do PT em São Paulo ajuda entender o momento atual da disputa pelas eleições da mesa da Câmara Federal dos deputados. A esquerda vive uma espécie de crise existencial:  apoiar o candidato de Bolsonaro, Artur Lira (PP), ou o candidato do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), num bloco que também tem MDB e PSDB.

Em São Paulo, há pelo menos 14 anos o PT adota essa política. Como mostra matéria da imprensa burguesa sobre a disputa que ocorreu em 2019:

“Com direito a uma aliança entre PT e PSDB, o deputado estadual Cauê Macris (PSDB) foi reeleito hoje para a Presidência da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), em uma sessão que começou com ânimos quentes no plenário.”

Esta situação também foi confirmada em recente entrevista à TV 247, em que o ex-dirigente do PT, José Dirceu, afirmou que na Alesp o PT compõe a mesa da presidência e é a 2ª maior força do parlamento estadual do maior estado do País. Dirceu utilizou isso como um exemplo das possibilidades que o PT deveria discutir a nível nacional, na eleição da Câmara.

No entanto, é preciso questionar qual a vitória que esta situação e essa política de conciliação com a direita golpista trouxe aos trabalhadores e aos paulistanos.

Obviamente que nenhuma!

Doria, com essa base de apoio, em que o PT participa, aprovou todo tipo de ataques contra os trabalhadores e os servidores, com direito à repressão e mais de 40 mil mortos na pandemia. O tucano foi o governante que jogou água em mendigo em pleno inverno de São Paulo, demoliu casas com gente dentro, deu ração para as crianças da Educação Básica! Como tantas outras atrocidades.

São Paulo é o estado mais rico do País, é onde a burguesia possui mais interesses e poder. Isso não muda o fato de que para manter sua dominação a burguesia controla a classe operária. Pelo contrário, a burguesia é uma classe muito minoritária, não vai às fábricas, não vai às favelas e os meios à distância pelos quais ela chega até a população (TV, Rádio, Internet, etc) não são suficientes para manter seu controle. Portanto, ela precisa da esquerda.

A esquerda, diferente da burguesia, tem uma ligação direta com os trabalhadores e com o povo pobre, o PT é uma expressão clara disso. É o maior partido de esquerda da América latina, elegeu 4 vezes o presidente da república, é o Partido que dirige a Central Única dos Trabalhadores (CUT), 4ª maior central sindical do mundo. O partido que tem uma liderança como o ex-presidente Lula, que dê saída, em qualquer eleição, tem pelo menos 1/3 dos votos entre os 147 milhões eleitores!

Neste sentido, a esquerda transforma-se em uma correia de transmissão entre a burguesia e a classe operária. Se a esquerda, que lidera os trabalhadores, tem uma política de conciliação com a burguesia, a tendência é os trabalhadores se manterem em conciliação, paralisados. Se a esquerda tem uma política de confronto com a burguesia, isto levará os trabalhadores para o confronto contra ela. Se a massa de trabalhadores se chocar com a burguesia de forma minimamente organizada, a tendência é o movimento crescer até chegar à necessidade da tomada do poder. Ou seja, a mobilização é uma espécie de semente que desenvolve a classe trabalhadora rumo à revolução, o que a burguesia abomina e procura evitar de todas as formas possíveis.

Por isso, é fundamental para a burguesia ter uma esquerda domesticada, que evite o confronto e busque sempre a política de conciliação de classes. Do contrário, a burguesia enfrentaria enormes dificuldades em controlar a classe operária.

É daí que vem a política da frente ampla. Os cargos que o PT possui na Alesp não serviram para nada em termos de mobilizar os trabalhadores para a defesa de seus interesses. Pelo contrário. A postura vista nos próprios elementos do PT que defendem o acordo com a burguesia vai no sentido de fazer os trabalhadores crerem que o caminho da luta é ter um mandato e cargos no parlamento. Coisa que não aconteceu em nenhum lugar, sobretudo em São Paulo, onde a Alesp tem sido uma máquina violenta de aprovação de projetos contra a população.

Como tem sido visto na política nacional, ao não intervir com uma fisionomia e programa próprios, a esquerda abdica de qualquer princípio histórico de luta pela independência de classe, sequer luta por reformas democráticas, e passa a cumprir uma função social reacionária, como um instrumento de domesticação dos trabalhadores em favor dos seus maiores inimigos, a burguesia.

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