“A questão eleitoral não é a mais relevante para o PCO, mas expor a nossa visão e unificar a classe operária”

andreá

Da redação – A candidata ao Senado pelo PCO em Santa Catarina (SC), Andreá Luciano Carvalho, mora em Criciúma, é formada em Secretariado, no curso de Pedreiro de Alvenaria e hoje trabalha no comércio da cidade. Militante do partido, ela faz campanha semanalmente nas ruas da cidade e região, vendendo o Jornal Causa Operária, distribuindo milhares de panfletos, adesivos, cartazes e ajuda a população a compreender melhor a luta contra um golpe com o direcionamento do programa histórico da classe trabalhadora, somado à experiência de décadas do partido.

 

Segue a entrevista da companheira, concedida ao jornal Página 3, de Balneário Camburiú (SC):

 

No caso de ser eleita, de que forma deve trabalhar no Senado?

Andreá – O PCO não acredita nas instituições burguesas ou administradas por burgueses. E também não vemos credibilidade nas eleições, uma vez que, para nós, não é a forma correta de se colocar alguém no poder. Acreditamos em comitês. Não tenho expectativa de estar lá, de ser eleita.


Então, por que entrar na disputa eleitoral?

Andreá – A nossa função é tentar unificar a classe operária, utilizando o espaço de campanha para a conscientização quanto à fraude que são as eleições e à falta de democracia que representam. Por isso o trabalho de construir comitês em todo estado e em todo país para unificar as massas para que, essas sim, possam exigir suas reivindicações, cobrando do Estado que hoje é um jogo de cartas marcadas.

 

Fazer algo de baixo para cima, invertendo a lógica ?

Andreá – Não é inverter a lógica. É dar poder e voz ativa para a maioria da população. Quando vemos o Judiciário se autoconcedendo aumentos e nos percentuais que temos visto, fica muito nítido que o poder, qualquer que seja, está distante da população. E que houve um golpe de Estado, que não foi dado apenas por políticos, mas por toda essa cadeia que está aí, de classes burguesas, inclusive o Judiciário.

 

Qual a espinha dorsal de uma campanha sem a pretensão de vitória?

Andreá – São três, na verdade: contra o golpe, liberdade para Lula e garantia de sua participação nas eleições. Não se pode restringir o direito do povo de escolher o que ele quer.

 

O descrédito da classe política também atinge partidos como o PCO?

Andreá – Esse descrédito não é no político em si, na pessoa. Existe uma questão quase cultural de achar que todo político já entra para roubar. Mas não é assim. Todo político entra em um sistema, este sim, totalmente errado. É o sistema que está em descrédito, que precisa ser mudado.

 

O PCO corre risco de desaparecer se não eleger representantes?

Andreá – Sim. Pela cláusula de barreiras. Existe essa possibilidade, mesmo ela sendo inconstitucional. Mas não estamos preocupados com isso. A questão eleitoral, ou eleitoreira, não é a mais relevante para o PCO, mas expor a nossa visão e unificar a classe operária.