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Mais pobres morrerão primeiro
A quarentena não é para todos, é só para quem pode
Enquanto o coronavírus e Jair Bolsonaro matam a população mais pobre, a esquerda pequeno burguesa resolve ficar em casa e abandonar a luta política
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Mais pobres morrerão primeiro
A quarentena não é para todos, é só para quem pode
Enquanto o coronavírus e Jair Bolsonaro matam a população mais pobre, a esquerda pequeno burguesa resolve ficar em casa e abandonar a luta política
Favela da Rocinha
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Favela da Rocinha

Frente à crise do coronavírus, o que a esquerda pequeno burguesa pensa, justamente por ter esse caráter pequeno burguês e não se encontrar próxima da população trabalhadora e mais pobre, é a de que se todos ficarem em suas casas, o coronavírus não irá se alastrar e daqui a duas semanas tudo estará resolvido. É claro que isso está o mais longe da realidade possível, pois a maior parte da população não possui o privilégio de se trancar dentro de casa, a maioria tem de sair para trabalhar, além da grande parcela da população que não tem onde morar ou está presa.

Uma pesquisa divulgada pelo órgão Data Favela demonstra que após uma semana em casa, 72% da população de todas as favelas do país já é obrigada a baixar o seu nível de vida, que já era baixo antes da crise do coronavírus. Isso se dá justamente pelo fato de essa parcela da população ser obrigada a trabalhar para sobreviver. Sem o trabalho, não recebem, o que gera falta de alimentos e produtos como os de higiene pessoal, essenciais nesse momento de pandemia.

Muitas das pessoas que vivem em favelas vivem em casas pequenas, porém com um grande número de habitantes, o que também ajuda na propagação do vírus, além de que a crise que já vinha se desenvolvendo antes do coronavírus – proveniente da crise do capitalismo mundial, mas intensificada pelo golpe de Estado de 2016 e pela eleição fajuta de Jair Bolsonaro – havia elevado os custos de vida da população e aumentado os níveis de desemprego. Com o desemprego crescente, grande parte da população teve que procurar algum tipo de trabalho autônomo precarizado.

Ficamos então com uma faca de dois gumes: aqueles que tem emprego, tem de sair de casa para não o perder, já aqueles que estão desempregados, passam fome ou tem de buscar algum tipo de emprego precário (muitos dos quais não tem podido funcionar devido ao corona).

Sendo assim, a política de ficar em casa e abandonar a luta contra o governo fascista de Bolsonaro, que está aproveitando do vírus do corona para destruir ainda mais a população pobre com cortes de salário e a tentativa de permitir que os trabalhadores ficassem 4 meses sem receber, é um auxílio para que o governo fascista destrua a vida da população mais pobre que não partilha desse privilégio.