Luíza Trajano
Colocar uma empresária na chapa não é uma receita para o sucesso eleitoral

Por: Redação do Diário Causa Operária

Em entrevista à Rádio Super, de Belo Horizonte, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad afirmou que a empresária Luíza Trajano, dona do Magazine Luíza, é um nome bem visto por setores internos do PT. Além disso, ele declarou que

“tem gente no PT que tem saudade da dupla Lula-Zé Alencar. Ele foi a prova que um grande empresário pode ter compromisso com o País e ter responsabilidade social. Tem gente que acalenta o sonho de termos um vice assim”.

Haddad esteve na capital mineira para uma reunião com o prefeito golpista Alexandre Kalil (PSD), que segundo o Estado de S. Paulo, também considerado como um possível vice na chapa petista. A viagem é o início da caravana anunciada na semana passada como campanha presidencial.

Fernando Haddad é apresentado pela imprensa golpista como o substituto de Lula, que tem interesse em apresentar uma alternativa a Lula.

Fica clara a tentativa de Fernando Haddad em acenar para a burguesia um política que mostra disposição para o acordo. Tal política, no entanto, é inviável.

A comparação com 2002 é o primeiro equívoco. Naquele momento, um setor importante da grande burguesia autorizou a eleição de Lula. A presença de José Alencar como vice de Lula foi parte de um acordo que a burguesia já estava disposta a aceitar. A burguesia autorizava a eleição do PT mas escolheu seus representantes de confiança para compor o governo. A burguesia, naquele momento, foi obrigada a lançar mão do governo Lula como um bombeiro da situação política do País que vinha de mais de uma década de governos neoliberais que criaram uma situação social e econômica insustentável.

A situação nesse momento é muito diferente. A burguesia já mostrou que vai votar em Bolsonaro se a eleição ficar entre ele e o PT, como já aconteceu em 2018. O chamado “centrão” já mostrou disposição para apoiar Bolsonaro, como aconteceu na recente eleição do Congresso Nacional. Basta ver também a facilidade com que Bolsonaro consegue fechar acordo com setores da burguesia, como fez com Fernando Collor.

Bolsonaro conta com a anuência das Forças Armadas, o que favorece o agrupamento dos diferentes setores da burguesia, que não estão dispostos a enfrentar tal situação. Além disso, a burguesia internacional impôs um veto ao PT e é muito difícil para a burguesia nacional enfrentar diretamente o imperialismo.

Com esses acenos, como os elogios a Luíza Trajano, Haddad acredita que vai ganhar a eleição se transformando em um Doria. O problema é que o PT não é o PSDB, o PT não é um partido de direita. Haddad deveria parar de fazer campanha para uma chapa centrista e fazer campanha para a candidatura de Lula.

A candidatura do PT, para ter alguma chance, precisa apostar na polarização. O PT só tem como ganhar se for enfrentando toda a burguesia, ou seja, enfrentando o regime golpista de conjunto. Até mesmo do ponto de vista do apoio de um setor da burguesia, só com mobilização, só com pressão das massas seria possível rachar a burguesia e arrastar uma parte para o apoio ao PT. Ou seja, uma parte da burguesia deveria se sentir obrigada a apoiar a esquerda com medo do resultado que uma mobilização popular poderia causar.

A ideia de Haddad e dos petistas que estão levantando o nome de Luíza Trajano é ultrapassada. Não basta colocar um empresário e acenar com coisas direitistas para conseguir o apoio da burguesia. Seria preciso que a situação se modifique substancialmente para que isso ocorra.

Uma candidatura do PT só pode ser uma expressão de um movimento de massas, colocar uma empresária na chapa não apenas não vai resolver o problema para o apoio da burguesia, que já deixou claro não que não está interessada em apoiar o PT, e vai desmoralizar uma parte dos trabalhadores e da militância que entende a necessidade de uma candidatura que enfrente o regime político podre da burguesia golpista.

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