Não a privatização do futebol
Os interesses econômicos capitalistas pressionam pelo avanço dos clubes empresas no país, que tem uma verdadeira realidade de 7×1 contra o futebol brasileiro
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Clubes SA levam futebol brasileiro para a falência | comunicacaoesporte.com.br

O futebol vem sendo mais ardorosamente atacado pelos capitalistas e pelo governo Jair Bolsonaro desde 2018, com o avanço na tentativa de legalizar a entrada sem nenhum limite para os chamados clube empresas, para isso projetos de lei foram apresentados ao Congresso e ao Senado. Tal tentativa tenta inicialmente buscar os clubes brasileiros com alguma exposição nacional, mas que se encontram em crise financeiras, tentando fazer estes morderem a isca. O projeto aplica mais “vantagens” para equipes de futebol que realizarem a migração. Uma delas é a possibilidade de propor um plano de recuperação judicial, com base na lei de falências, em vigor desde 2005.

Já no final de 2019 o advogado especialista em compliance esportivo Fernando Monfardini, denunciava que o objetivo indireto do projeto de lei (PL) 5.082/2016, do deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) era exonerar as associações para as transformarem em empresas, sem atacar o verdadeiro problema do futebol: a gestão dos clubes.

No entanto, enquanto as leis atuais para empresas de outros ramos precisam ter dois anos de atividade para propor o plano aos credores, o clube-empresa pode pedir a recuperação logo após a migração. Tal situação está a mexer com o interesse de vários dirigentes esportivos que a não ver saída para a crise capitalista que assolam seus clubes, se lançam desesperados em tal proposta, que na realidade é um poço sem fundo.

O interesse capitalista com este e outros ataques em marcha é fazer os clubes deixarem de ser associações, formato que proporcionou a grandeza do futebol de clubes, para transforma-los em Clubes SA, ou seja, a privatização dos clubes e o fim do futebol cultura popular do país.

Tais ataques tem correlação direta com as grandes emissoras de TV que tem interesse que o esporte seja uma verdadeira máquina de girar dinheiro. Contratos cada vez mais sofisticados, anunciantes, patrocinadores, derrubada de normas que limitavam o número de jogadores e técnicos estrangeiros, como estamos a ver neste momento no futebol brasileiro. E salários cada vez mais altos, intermediados com essa nova “classe” dos agentes de jogadores. Os grandes capitalistas não admitem que tamanhas fortunas fiquem na mão de “dirigentes amadores”, e não em suas mãos.

Neste sentido e neste momento com a ascensão momentânea do Cuiabá Esporte Clube, clube empresa que chegou as quartas de final da Copa do Brasil, em chave de Mata-mata com o Grêmio de Football Portoalegrense e que está em terceiro lugar na Série B do Campeonato Brasileiro, a imprensa volta à tona com a propaganda tendenciosa dos benefícios dos Clubes empresas, assim como mantém sua pressão pela privatização de outros clubes como o Botafogo de Futebol e Regatas, time que levou ao mundo o anjo das pernas tortas, Mané Garrincha.

No entanto, escondem a incrível lista dos clubes empresas que afundaram e estão a afundar neste momento como: Botafogo-SP (ameaçado de rebaixamento na Série B), Bragantino (péssima campanha na Série A, com sério risco de rebaixamento), Oeste (pior campanha da B), e também o caso recente do Figueirense em situação econômica falimentar e ainda vários outros clubes  como Grêmio Osasco Audax (São Paulo), Audax Rio (Rio de Janeiro), mas temos também o 1° clube empresa do País, o União de Araras entrou para a história do futebol brasileiro como a primeira agremiação esportiva a se transformar em clube-empresa em 1994, ainda quando a Lei Zico vigorava. Antes de virarDe onde surgiu o grande lateral brasileiro Roberto Carlos, penta campeão mundial.

O exemplo do 1° clube empresa brasileiro é muito esclarecedor. Em 1988, debutava no Campeonato Paulista da Primeira Divisão, onde em seu primeiro ano terminou em último lugar, mas mesmo assim continuou na elite. No segundo semestre, a ascensão, o clube participa pela primeira vez de um Campeonato Brasileiro: o da Série C, sagrando-se Campeão Brasileiro da Série C, ao empatar na final contra o Esportivo de Minas por 2 a 2. Em 1989, fez sua primeira excursão ao exterior, jogando 4 partidas no Japão, onde conquistou duas vitórias e 2 empates.

Em 1992 o clube consegue mais um grande feito: o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro de 1993. Ainda em 1992, pela primeira vez, o União São João de Araras tem um jogador convocado para Seleção Brasileira: o lateral-esquerdo Roberto Carlos, para a disputa do pré-olímpico. No ano seguinte, o jogador é vendido ao Palmeiras e, mais tarde torna-se o maior lateral-esquerdo do mundo, conquistando títulos mundiais pelo Real Madrid e Seleção Brasileira. Em 1994 veio a privatização do clube e com ela em 1995 a equipe fez uma péssima campanha na Série A do Campeonato Brasileiro, sendo rebaixada para a Série B. No ano seguinte, consegue na Série B o acesso de volta para a série A e o título da Série B, seu título mais importante até hoje. A partir daí, em seu 3° ano de clube empresa, o declínio foi brutal. Em 1997, disputando a Série A é novamente rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Em 2003, quase foi rebaixado no Paulistão, no mesmo ano o União termina o Brasileirão da Série B em último lugar e é rebaixado para a Série C. Em 2004, na disputa do Paulistão o União termina o campeonato com apenas 1 ponto ganho, último lugar, o time não é rebaixado para a Série A2, pois o Oeste de Itápolis foi punido com a perda de 12 pontos por escalação de jogadores irregulares. Em 2005, depois de 18 anos na elite paulista o União é rebaixado para a Série A2. Em 2006, chegou a Segunda Fase da Série A2, mas não conquistou o acesso, fato esse que se repetiu em 2007, 2008 e 2009. Em 2010, assim como nos anos anteriores se classificou à Segunda Fase da Série A2, mas não conquistou o acesso. Já em 2011 a equipe nem se classifica para a próxima fase. Em 2012, depois de 6 tentativas para subir de divisão acabou fazendo uma campanha ruim e foi rebaixado para a Série A3, divisão que não disputava há 32 anos. Em 2013, consegue um inédito rebaixamento à Segunda Divisão (na prática a quarta e última divisão ) do Campeonato Paulista.

O União São João de Araras fechou as portas no dia 3 de fevereiro de 2015, anunciando que em meio a uma grave crise financeira nos últimos anos, com dívidas estimadas em R$15 milhões, pedia o afastamento da Segunda Divisão do Campeonato Paulista para tentar arrumar uma forma de saldar as dívidas e “colocar a casa em ordem”.  Na ocasião o vice-presidente Antonio Carlos Beloto, explicou: “É um momento de muita tristeza para todos nós. Mas não tem como o clube ficar acumulando mais dívidas. Já em 2014 foi difícil, tivemos que recorrer a alguns parceiros, com alguns jogadores emprestados, e no final não conseguimos o acesso. Na verdade, desde que caímos da A1 em 2005 não conseguimos mais subir e só acumulamos dívidas. Chega um momento que você tem que parar e pensar, porque você vai continuar devendo e é melhor parar para depois tentar começar de novo”. O clube nunca mais reabriu as portas.

No entanto, o União São João de Araras que era gerido por Executivos especializados em cada uma de suas áreas, sendo estes cobrados em seu aproveitamento como em qualquer empresa e que sonhava até pelas suas cores em ser o Palmeiras.

Mas como todos os demais que cedo ou tarde irão chegar, o fim do clube empresa se deu em 2015, mergulhado em uma crise financeira sem precedentes, o clube fechou as portas para “organizar a casa”, palavras publicadas em sua página oficial do Facebook, no dia 3 de fevereiro daquele ano.

Inúmeros outros clubes empresas foram lançados no Brasil. CFZ(Clube do Zico), Guaratinguetá, União São João, J Malucelli paralisaram as atividades profissionais  o Barueri foi vendido a um dono desconhecido e jogou a quarta divisão paulista em 2017, encerrando atividades até 2019, quando outro mprsário adquiriu o clube, que participa apenas de campeonatos infantis e juvenis. Já o  São Caetano, como resultado da mesma privatização no dia 24 de outubro de 2020, sofreu a pior derrota de sua história ao ser goleado em casa por 9 a 0 pelo Pelotas, em partida válida pela Série D do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o time entrou em campo com vários jogadores das divisões de base, já que a maior parte dos atletas da equipe profissional entrou em greve devido ao não recebimento de salários atrasados, quase ocasionando uma derrota por W.O., mas que não evitou a goleada dentro das quatro linhas. O Audax foi rebaixado no estadual de 2017 e lanterna do grupo A12 da Série do brasileiro no mesmo ano, eliminado na primeira fase.

Todos esses exemplos mostram o seguinte: que os empresários “investem” no clube até o ponto que vão lucrar com isso, depois, como não têm nenhuma relação com o clube, abandonam e o clube vai pro fundo do poço de novo.

 

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