A proibição que mata: depois de veto no Senado argentino, mulher morre tentando abortar em casa

Abortion rights activists gather as lawmakers are expected to vote on a bill legalizing abortion, in Buenos Aires

O veto do Senado argentino ao projeto que visava a legalização do aborto no país já tem seus efeitos. No último domingo (12), foi constatada a morte de uma mulher argentina na tentativa de realizar aborto – sendo esta sua terceira tentativa de aborto. O caso se deu em um dos hospitais de Buenos Aires, e deixa muito claro no quê implica a proibição do aborto na vida das mulheres. O impedimento de realizar o procedimento legalmente, não acarreta somente na intervenção do direito a escolha sobre seu corpo, mas também como medida mais drástica se concretiza na morte de milhares de mulheres por conta das complicações.

A jovem de apenas 24 anos deu entrada no hospital diagnosticada com infecção generalizada, devida a maneira precária como tentou realizar o aborto. Ela que já fora mãe por duas vezes, e como citado acima, já havia tentado realizar aborto em outras oportunidades, dessa vez sofreu com complicações maiores que a levaram ao óbito. Fato é que isso demonstra a política que é colocada contra os direitos das mulheres e que isso prontamente reforça o avanço da política de setores decisivos no massacre das mulheres, principalmente quando se trata de questões urgentes na luta das mulheres como é o aborto.

A legalização do aborto passa por um campo muito mais amplo, diferente do que declaram os setores que restringem a questão estritamente a leis morais, e que na verdade apenas servem como suporte a opressão das mulheres de conjunto. É isso que representa a proibição do aborto: a morte indiscriminada de mulheres, que não possuem acesso a um direito básico que está relacionado diretamente a sua saúde e bem estar psicológico, sabendo que a criminalização impõe também a tortura psicológica nas mulheres.

Portanto, a reivindicação pela legalização do aborto não é apenas para que as mulheres sejam devidamente amparadas pelo Estado, mas que não precisem morrer para terem um direito plenamente assegurado. E para isso, a organização das mulheres é essencial, é preciso denunciar casos como o recente acontecido, somente o próprio movimento de luta das mulheres será capaz de emancipar-las efetivamente e, consequentemente, garantir o direito ao aborto e demais direitos democráticos.