Coronavírus
Rafael Dantas
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Hospital de campanha na Primeira Guerra Mundial. Pode não demorar muito até que a situação se repita | Foto: Reprodução Jornal de Brasília

A epidemia ceifará vidas e causará uma enorme destruição das forças produtivas, danos irreparáveis, os quais os capitalistas cinicamente anunciam como uma premissa necessária para a retomada, para uma nova etapa de prosperidade e paz – até que o mundo seja mergulhado em uma nova guerra. Parece que está chegando a hora.

A verdadeira dimensão e profundidade do impacto da pandemia ainda não pode ser totalmente medida. Mas, dois meses depois que a Organização Mundial de Saúde anunciou o estado de pandemia mundial, já é possível observar uma tendência clara. O contágio e as mortes crescem e todas as medidas tomadas pelos governos para impedi-los são ineficazes. As baixas crescentes evoluem no ritmo de um conflito militar. Há tréguas, recuos e retomadas da evolução de contaminados e mortos, mas não há uma previsão clara de quando o vírus e sua dispersão serão controlados.

É comum comparar a pandemia do coronavírus com epidemias anteriores – a gripe espanhola é, destacadamente, a primeira que vem à mente. A distância entre o número de mortos até agora pelo Covid-19 e os da Primeira Guerra Mundial (30 milhões) e da Segunda Guerra (73 milhões, dos quais 62% eram civis), fazem a crise atual parecer pequena. Ela, no entanto, está apenas começando. Juntas, as duas grandes guerras somaram cerca de 10 anos. O número de mortos, entretanto, não chegou aos milhões da noite para o dia, em um par de meses. Infelizmente, o caminho está aberto para que a pandemia consuma um número indefinido de vidas.

Desde a Segunda, terminada em 1945, o caráter mundial das guerras no século XX se deu pela sua diluição em conflitos parciais ligados por sua relação direta com os interesses dos países imperialistas que as promoveram, financiaram e delas se beneficiaram. O estado de guerra permanente envolveu todos os hemisférios e latitudes. 

O mesmo ocorre na pandemia. A crise do sistema de saúde, a incapacidade dos governos dos grandes capitalistas de apresentar uma saída, pelo tratamento ou a prevenção, conduziu ao caos econômico atrelado ao isolamento social.

A comparação com a guerra pode parecer indevida. A própria expressão “guerra” está sendo utilizada pelos governos de direita e esquerda para se referir ao “combate” ao vírus. Será essa mesmo a guerra que realmente está em marcha? Uma guerra em que todos, ricos e pobres, direitistas e esquerdistas, opressores e oprimidos estão juntos contra um vírus?

O número de baixas que a epidemia já produziu – e pode vir a produzir em escala gigantesca e aterrorizante – aumentam dos milhares às dezenas de milhares. Caminham para centenas de milhares, milhões, de acordo com as estimativas dos órgãos oficiais, que estão muito além de qualquer controle ou fiscalização popular. Se os números continuarem a crescer, podem alcançar os de guerras regionais ou mesmo das guerras mundiais do século passado. Não seria portanto uma surpresa para a humanidade que um evento em escala internacional como esse terminasse em um verdadeiro morticínio.

Outra semelhança entre a pandemia e a guerra mundial está na questão: “quem vai morrer?”

Nas guerras, operários dos diversos países foram levados a se confrontar nas trincheiras, matar seus irmãos  trabalhadores em defesa dos interesses dos grandes capitalistas, a minoria da população. A classe operária foi sacrificada pela burguesia sem nenhum remorso ou piedade simplesmente para que um país imperialista pudesse dominar e colonizar os países atrasados.

Uma guerra contra o vírus, como a que dizem travar hoje os dirigentes das nações avançadas e atrasadas, à direita e à esquerda, vai deixar baixas onde? Que setor da população vai pagar pela política neoliberal dos capitalistas, de destruição dos serviços públicos, de saúde etc. 

Agora, cinicamente, os liberais, defensores da “livre iniciativa”, vão fazer sangrar os cofres públicos para impedir sua falência. Os que saquearam países inteiros durante anos, deixaram a população sem meios de se prevenir da morte certa, fazendo uma conta simples: as mortes de milhares de trabalhadores e pobres do mundo todo são apenas danos colaterais. Esse é um dos sentidos em que a pandemia pode ser encarada como uma guerra.

As forças imperialistas estão concentradas em impedir que a população pobre e trabalhadora de todo o mundo. O povo não pode pagar pela crise, a trincheira está colocada aí e é preciso adotar um ponto de vista de classe.

Se estamos em guerra contra o vírus, nessa guerra há os que lutam pela sua sobrevivência e há os que lutam para que a maioria do povo pague com sua própria vida pela irresponsabilidade, negligência e descaso das condições de vida de toda a população mundial.

Na época do imperialismo, que se abriu no início do século XX, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa inauguraram a etapa de guerras e revoluções que ainda não se encerrou – e não se encerrará até que o capitalismo seja eliminado por completo. Que a pandemia e a revolta que já está se levantando em todo o mundo sejam o prenúncio do seu fim.

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