A pressão dos militares contra o STF continua, prisão política de Lula é um virtual golpe militar

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Há uma semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Lula. De maneira legítima, o ex-presidente, que vem sendo energicamente perseguido desde que a burguesia resolveu dar o golpe de Estado, tentou se defender da arbitrariedade de Sérgio Moro – conhecido como Mussolini de Maringá -, que mandou que o maior líder popular do país fosse preso sem ter sequer sido julgado em terceira instância.

A sessão do STF, no entanto, não resultou em nada positivo para a classe trabalhadora. Embora alguns setores da esquerda tivessem a ilusão de que o “espírito democrático” faria com que alguns ministros votassem de maneira favorável ao ex-presidente, o que aconteceu foi o óbvio: Lula perdeu a votação em uma sessão que se mostrou uma verdadeira armação dos golpistas.

Plenamente decididos em prender Lula, os golpistas, obviamente, não iam depositar a definição do encarceramento de Lula no “espírito” de nenhum juiz. Chantagearam, corromperam e garantiram, antes mesmo da sessão começar, que seriam vitoriosos.

A maior chantagem dos golpistas foi, sem dúvida, a dos militares. Vários generais, incluindo o comandante Eduardo Villas Bôas, fizeram ameaças nas redes sociais, insinuando que haveria um golpe militar caso o STF abrisse alguma brecha para que Lula não fosse preso. Um general da reserva chegou a, de fato, dizer claramente que, caso o STF aceitasse o habeas corpus, a única solução seria a “reação armada”.

Recentemente, os militares demonstraram que, mesmo tendo sido vitoriosos com a prisão de Lula, ainda estão dispostos a dar um golpe militar sob qualquer justificativa. O general Clóvis Purper Bandeira, vice-presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro, disse estar “preocupado” com os recursos futuros que a defesa pode impetrar.

Os recursos que o general cita e até mesmo o habeas corpus não se tratam de nenhum crime: são direitos, garantias constitucionais que todo Estado que almeje ser minimamente democrático teria de atender. Dessa forma, os militares estão, mais uma vez, se posicionando abertamente contra os direitos democráticos da população e a favor de um Estado de arbítrio, onde impere as vontades do imperialismo sem qualquer resistência.

O golpe militar é uma ameaça que deve ser enfrentada pela classe trabalhadora e os setores democráticos. Por isso, é necessário que se criem comitês de luta contra o golpe, capazes de levar adiante a luta pela liberdade de Lua e impedir um possível golpe militar.