Não é o auxílio emergencial
Pesquisa fabricada pela burguesia mostra suposto crescimento da popularidade do presidente ilegítimo
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Rodrigo Maia | Foto: Gabriela Biló/Estadão

Nesta semana, uma pesquisa fabricada pela imprensa burguesa anunciou que Bolsonaro estaria no auge de sua popularidade enquanto presidente da República. A informação, obviamente, é mais uma falsificação da burguesia, uma vez que não há dado algum que comprove maior adesão do povo ao programa neoliberal, responsável pela morte de 105 mil pessoas em cinco meses. A “pesquisa” reflete apenas o interesse da própria classe dominante: como a burguesia conseguiu entrar em um acordo com Bolsonaro após uma série de conflitos, os golpistas procuram apresentar o governo como estável.

As manipulações da burguesia são sempre esperadas. O que chamou nossa atenção, no entanto, foi o fato de que um setor da esquerda nacional acabou aderindo às explicações estapafúrdias da direita para o suposto crescimento da “popularidade” do governo ilegítimo. Em matéria publicada no portal Brasil 247, o jornal progressista não só admite como verdadeira a “popularidade” de Bolsonaro como faz eco à tese da burguesia de que isso se daria por causa do auxílio emergencial:

“Auxílio emergencial puxa aprovação de Bolsonaro, que tem melhor resultado no Datafolha”. No interior do texto, encontramos ainda a explicação de que “Bolsonaro beneficiou-se do pagamento do auxílio emergencial na pandemia de Covid-19, uma iniciativa que não partiu do governo. De acordo com a propostas de Bolsonaro, o auxílio emergencial deveria ser de R$200. Foi a oposição no Congresso que aumentou para R$600”.

Uma análise mais precisa, contudo, dirá que o Bolsonaro não adquiriu maior popularidade, mas sim que conseguiu estabelecer condições favoráveis para governar em meio a uma crise econômica e sanitária de enormes proporções. E o motivo pelo qual Bolsonaro conseguiu estabelecer essas condições está relacionado a outro fenômeno, do qual o auxílio emergencial é apenas uma expressão.

No início da pandemia de coronavírus, a pressão do imperialismo fez com que a esquerda pequeno-burguesa internacional adotasse uma posição bastante reacionária: a de cancelar todas as mobilizações de rua e a de colocar na conta de um suposto setor “científico” da burguesia a responsabilidade por conduzir a sociedade durante a crise. Essa política, que ainda mantém forte influencia na esquerda brasileira, pode ser sintetizada pela palavra de ordem de “fique em casa”.

A política de colocar o destino da humanidade nas mãos de vigaristas como João Doria, Wilson Witzel e Rodrigo Maia empurrou a classe operária para uma série de ataques. Em poucos meses, pautas como a privatização da água e os cortes salarias progrediram rapidamente. E isso aconteceu porque a esquerda pequeno-burguesa, em vez de procurar se colocar como oposição do regime político, decidiu se aliar ao próprio regime. Em todo o mundo, os governos direitistas se beneficiaram dessa política, como na França e na Alemanha.

O auxílio emergencial não foi o resultado de uma pressão da esquerda, nem o indicativo de que a “frente ampla” com a direita forneça frutos. A burguesia já estava disposta a conceder um benefício dessa natureza, justamente para amortecer o impacto da política violenta dos golpistas, que poderia levar a uma revolta popular. A esquerda pequeno-burguesa, ao elogiar o auxílio como um grande feito, apenas se eximiu de denunciar que o valor do auxílio é uma esmola e que os planos da direita golpista são de arrancar a pele dos trabalhadores.

A política da “frente ampla” leva, inevitavelmente, a um clima direitista na sociedade. Afinal, na medida em que os polos, na aparência, se dissolvem, o regime se mostra como forte, sólido, confiável. Na medida em que a esquerda pequeno-burguesa joga todas as fichas na “frente ampla” e procura impedir a mobilização popular, a revolta dos trabalhadores contra o governo fica encoberta.

Bolsonaro nem é popular, nem muito menos comprou sua popularidade com o auxílio emergencial. Foram os parlamentares e a esquerda pequeno-burguesa, completamente desorientada, que se deixaram vender pelas ilusões da “frente ampla”. Em resposta a isso, é preciso reverter, imediatamente, o quadro. É preciso seguir o exemplo das mobilizações que expulsaram os bolsonaristas das ruas. Por uma frente única dos trabalhadores e das organizações do povo para enfrentar o fascismo e derrubar o governo Bolsonaro! Não à frente ampla!

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