A política do governo Bolsonaro: jagunços fascistas abrem fogo contra comunidade tradicional na Bahia

policia-guarda-grileiro

Com a ascensão do governo ilegítimo de Bolsonaro, se intensificam os ataques contra os trabalhadores do campo.

Na manhã da última quinta-feira (31/1), em Formosa do Rio Preto, interior da Bahia, os tubarões pistoleiros que atuam como “agentes de segurança” da fazenda Estrondo atiraram diversas vezes contra geraizeiros que lutam contra o avanço dos latifundiários sobre suas terras tradicionalmente ocupadas.

Jossinei Lopes Leite, diretor da associação comunitária da Cachoeira, e outros geraiseiros, antes do ataque saíram pelo campo em busca do gado que criam solto nos Gerais (Cerrado) do Alto Rio Preto. Logo perceberam que seus animais haviam sido recolhidos em currais a mando dos proprietários da fazenda.

Quando questionados sobre a devolução dos animais foram alvejados por dois pistoleiros, que os alvejaram. Jossinei conseguiu se afastar do local, mas foi atingido na perna. Mesmo ferido, conseguiu retornar a comunidade, onde foi socorrido por familiares e levado para o hospital do município.

A fazenda Estrondo é resultado da apropriação ilegal de 444 mil hectares de terras nas proximidades da nascente do Rio Preto, importante afluente da Bacia do Rio São Francisco.

A fazenda foi autuada por diversas vezes pelo IBAMA, por conta do desmatamento ilegal e também por trabalho semi-escravo, porém uma série de fraudes cartoriais realizadas no final dos anos 1970 possibilitaram essa grilagem.

O protagonista da grilagem é o empresário Ronald Guimarães Levinsohn. Ele controla, atualmente por intermédio das duas filhas, as três empresas que reivindicam a propriedade das terras: Delfim Crédito Imobiliário S/A, Colina Paulista S/A e Companhia de Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB). Envolvido em inúmeras fraudes e negócios suspeitos, ganhou notoriedade por sua proximidade com próceres da Ditadura Civil-Militar (1964-1985).
As terras griladas eram de uso tradicional das comunidades geraizeiras do Alto Rio Preto, onde estão localizados os municípios de Cachoeira, Marinheiro, Cacimbinha, Gatos e Aldeia.

Depois de se apropriar e desmatar o chapadão onde as comunidades criavam gado e realizavam extrativismo, agora tais empresas avançam sobre a região do Vale do Rio Preto, onde estão localizados os povoados.

No fim do ano passado, com o Golpe a todo vapor e as vésperas da posse ilegítima de Bolsonaro, após inúmeros informes no processo sobre a continuidade das ações de grilagem, o magistrado Sergio Humberto Quadros Sampaio, ao invés de multar as empresas, reduziu a área abrangida na liminar para 9 mil hectares, impondo uma série de outras medidas que inviabilizariam o pleito das comunidades. Paralelamente foram feitas diversas arbitrariedades que só firmam o caráter golpista que as instituições assumiram com mais veemência após o Golpe de Estado comprado no congresso pela Derrubada de Dilma Roussef e a prisão política e ilegal de Lula para que os Golpistas pudessem assumir o poder, ja que sua vitória num cenário democrático seria impossível.

É preciso que os movimentos de luta pela terra, como o MST, reajam a esta ofensiva golpista, organizando e impulsionando a ocupação dos latifúndios em todo o país.

Estas inúmeras arbitrariedades impostas pelo judiciário deixam claro que não adianta ter ilusão nas instituições, cada vez mais autoritárias e fascistas. É preciso mobilizar os trabalhadores sem-terra, para ocupar as terras e enfrentar seus principais inimigos – os latifundiários – uma vez que o sinal está fechado para qualquer luta institucional.