A política de Bolsonaro caminha inevitavelmente para o desastre

haiti

À medida que vai passando o período de recesso, fica cada vez mais claro que temos uma mudança na situação política e que as tendências à mobilização popular se afirmam.

É um fator decisivo da situação política. O governo está patinando. Não tem autoridade política para conter a rebelião popular por meios democráticos.

Os ataques que estão sendo realizados, que vêm de todos os lados (dos governos municipais, estaduais e do governo federal), estão incitando uma reação muito grande. Em S. Paulo, a greve dos professores da rede municipal foi atacada pelo governo Covas, que cortou o ponto dos professores e teve como resposta a adesão dos diretores de escola à greve. Trata-se de uma manifestação da profundidade e extensão da radicalização latente na situação política nacional.

É um dado fundamental, em torno do qual deve-se estabelecer uma política para enfrentar a situação.

O mesmo ocorre em outros países. Há uma manifestação prolongada no Haiti, com características abertamente revolucionárias, que mobiliza toda a população. A natureza da manifestação é a completa decomposição econômica do Haiti por conta do governo neoliberal. A população saiu às ruas e dominou o panorama político. O fato de não haver uma direção política torna obscuro o futuro da mobilização. Ela aponta, em um certo sentido, para a desagregação do sistema político continental. O Haiti é o país mais pobre da América Latina que está sofrendo uma desagregação social muito maior do que os outros em função da mesma política que está sendo aplicada em toda parte.

Ao mesmo tempo, houve nesta semana uma greve geral contra o governo Lenin Moreno, mostrando a reação da população à manobra para dar um golpe no regime político equatoriano através da cooptação de um membro do partido de Rafael Correa. Mostra que o golpe foi um recurso fraco, que deu origem a um governo fraco, apesar de ser apoiado por toda a burguesia.

Há uma nova onda de mobilização na Argentina contra o governo Macri. Há um conjunto de acontecimentos que apontam para a tendência à reação popular à política dos golpistas em vários lugares e inclusive no Brasil. Mostra que a tendência à mobilização dentro do Brasil não está isolada.

A política levada adiante por Bolsonaro caminha inevitavelmente para o desastre. Isso já foi visto no país com o governo FHC.

No governo Itamar Franco, o plano Real e as privatizações fizeram do país uma “máquina” que funcionava, mesmo que apresentando resultados negativos. A crise especulativa nas bolsas asiáticas desmontou o plano neoliberal. Com isso, ficou claro que o resultado do funcionamento desta “máquina” era a produção de uma miséria espantosa. Isso deu lugar ao governo Lula.

Estamos recebendo a segunda dose do mesmo remédio. Os ataques agora são muito mais diretamente dirigidos às condições de vida da população. É evidente que o governo Bolsonaro veio para completar a obra de FHC acabando com tudo o que a população ainda tem de serviços sociais etc. Isso vai produzir uma situação explosiva no Brasil assim como ocorre em todo o continente. É o aprofundamento de uma política catastrófica.

A questão a saber é: chegamos ao ponto em que a reação vá se dar imediatamente? É possível e é preciso acompanhar a situação. É possível que todos os governos golpistas, depois de tanto esforço e ataques contra a população, deixem a situação escapar do seu controle. É preciso acompanhar o andamento da economia capitalista internacional, que está em situação bastante delicada. A onda neoliberal, apesar de ter provocado uma miséria extraordinária, veio em um período mais favorável da economia mundial. Se essas questões todas se confirmarem, o que vamos ter na América Latina é um enfrentamento entre a população e a burguesia sem precedentes, apesar desta situação não ter se manifestado em vários países. É preciso observar como essas tendências se desenvolvem e como vão provocar, mais cedo ou mais tarde, uma reação de tamanho correspondente aos gigantescos ataques desferidos contra o povo.