A política da esquerda que não quer gritar “Fora Bolsonaro” é de preservação do golpe

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Para qualquer pessoa que tenha um mínimo de discernimento político e tenha um senso crítico com relação à situação política do país, fica por demais evidente, que embora exista uma profunda repulsa popular ao governo Bolsonaro, existe todo um setor da esquerda, ou melhor, da ala direita da esquerda, que é absolutamente contrária a levantar essa palavra de ordem e pressiona a esquerda de conjunto para que não a adote na perspectiva de frear a crescente tendência às mobilizações populares que irão de encontro diretamente contra Bolsonaro e o golpe.

Esse aparente contrassenso daqueles que apontavam durante as eleições Bolsonaro com o “cavaleiro das trevas”, “a barbárie” e o “apocalipse para o país”, tem uma explicação que não tem nada de misteriosa.

Ao mesmo tempo que alardeiam pelo país que tirar Bolsonaro implicaria na posse do seu vice, o general Mourão, portanto seria trocar seis por meia dúzia ou até pior que isso, promovem nos “bastidores da República” confabulações com os militares e como não poderia deixar de ser, com o próprio Mourão, sobre uma possível derrubada do presidente capitão ,e sua substituição pelo seu vice, o general Mourão.

Esse quadro aponta que existe claramente duas políticas na esquerda. Uma política que impulsiona a mobilização popular, e que tem na palavra de ordem “Fora Bolsonaro” a materialização da luta para derrotar o golpe de Estado de 2016 e uma outra política, que, diante do aprofundamento da crise do governo Bolsonaro e do próprio golpe, busca uma saída para o regime político nos marcos da preservação do próprio regime golpista.

Um aspecto interessante dessa política de direita dentro da esquerda é o PSTU, que pela sua natureza peculiar, aos contrário de outros partidos que se camuflam, não consegue disfarçar que sua política é a expressão mais acabada dessa ala direita. O PSTU fez coro com os golpistas para derrubar a presidente Dilma. As suas faixas e bandeiras durante a campanha pelo impeachment “clamavam” pelo “Fora todos”. Se era fora Dilma, Aécio, Cunha, Temer, etc., porque não “Fora Bolsonaro”? Ou o Bolsonaro, pela própria ótica do PSTU seria diferente dos demais politicos “burgueses e corruptos”?

A resposta para isso é simples. O PSTU, apesar do seu aparente discurso de “extrema esquerda”, é um mero rabo dessa política direitista e por isso se auto denuncia com mais facilidade.

Os motivos que estão por trás da política da direita podem ser os mais diversos possíveis, mais essa questão é absolutamente secundária. O que importa é que no final das contas essa é uma política de preservação do golpe e portanto, da sua continuidade.