Os jagunços modernos.
O rótulo dado à corporação não é resultado do pensamento e nem da análise individual de seus representantes, mas o caráter de classe que ela desempenha e para qual foi objetivada.
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Comemoração da criação da Polícia Militar | Imagem: Reprodução

Após ter circulado nas redes sociais vídeo em que um empresário humilha dois policiais militares, o policial civil do Rio Grande do Sul e líder dos policiais antifascistas, Leonel Radde, comentou em sua conta do Twitter: “acham que somos seus jagunços”.

“Essa é a verdadeira face dos Bolsonaristas e membros da elite que dizem que amam a polícia. Mais claro impossível: acham que somos seus jagunços e só!” disse Radde.

Embora o líder dos policiais antifascistas se apresente como um defensor da “democracia” e contra os fascistas, sua opinião, de maneira alguma, muda o caráter da polícia; afinal, o rótulo dado à corporação não é resultado do pensamento e nem da análise individual de seus representantes, mas o caráter de classe que ela desempenha e para qual foi objetivada. São fartos os exemplos em que a polícia se coloca como cão de guarda das classes dominantes. Neste final de semana, manifestações tomaram as ruas em diversas cidades. Em São Paulo, vimos a Polícia Militar (PM) reprimindo somente o lado antifascista, além de ajudar pessoas fascistas como foi visto no caso da mulher com taco de beisebol.

No Rio de Janeiro, por sua vez, após torcedores antifascistas do Flamengo terem saído às ruas segurando uma faixa com os dizeres “Democracia rubro-negra”, foram prontamente recebidos com truculência pela PM que logo tratou de proteger os elementos bolsonaristas. A ação da polícia foi acompanhada da ameaça de um dos seus representantes. Em gravação feita quando ia em direção a um ato pró-governo em Copacabana, o deputado federal fascista Daniel Silveira (PSL-RJ) divulgou, neste domingo, 31, vídeo em que faz claras ameaças a manifestantes de esquerda.

“Vocês vão pegar um ‘polícia’ zangado no meio da multidão, vão tomar um no meio da caixa do peito, e vão chamar a gente de truculento”, disse Silveira. “Eu estou torcendo para isso. Quem sabe não seja eu o sortudo.”, disse o fascista.

Silveira teria chegado a pedir para ir até os manifestantes, quando ouviu de um outro policial que já tinha mandado queimar a bandeira dos manifestantes antifascistas. Meus amigos tá al (sic), já mandei eles ir lá queimar aquela bandeira ali (sic)”, disse o policial.

Cumprindo seu papel de guardiã dos interesses das classes dominantes e, em tantos outros casos, segurança particular de elementos da direita, a PM tratou de isolar os fascistas através de um cordão de policiais enquanto reprimia de forma violenta os manifestantes antifascistas com balas de borracha, bombas e gás de pimenta.

O caso de Alphaville revela, entre outras coisas, a diferenciação que se dá quando a polícia é obrigada a atuar em CEPs tão distintos. Nesse caso, ao atuar em um bairro de ricos, cheio de magnatas, a PM tratou de ser dócil como um cão amestrado, diferente do que ocorre diariamente nas favelas do país. O empresário não poupou xingamentos e os policiais simplesmente nem ameaçaram entrar em sua casa. Essa é o tratamento que se dá ao burguês. Nesse sentido, nada mais natural do que serem tachados de jagunços, pois é essa a função dos policiais.

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