Fim da Polícia Militar
A luta contra o aparato de repressão do Estado deve ser travada de maneira direta, sem arrodeio: a dissolução da corporação é uma reivindicação democrática
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Polícia Militar do Pará | Foto: Michel Dantas

Recentemente, chegou ao conhecimento de nossa redação que o policial civil Leonel Radde, membro do coletivo Policiais Antifascismo, em longa reportagem do portal UOL/Folha de S.Paulo, se colocou contra a dissolução da polícia militar. Disse ele:

“Toda vez que a gente agride a profissão dessas pessoas, elas vão ficar cada vez mais odiosas e vai ser cada vez mais difícil de promover mudanças [na polícia]”.

A reportagem ainda alega que, para Radde, “desde a morte de George Floyd está em criação uma lógica de ‘abolicionismo policial’ que não ‘vai acabar bem’ e não discute sobre como acabar com uma violência estimulada pela militarização”.

Essas teses, no entanto, só fazem sentido para Radde porque ele é um policial. Isto é, é um ponto de vista de um membro do aparato de repressão. E nada mais seria natural: um capitalista não quer ser xingado, muito menos que os trabalhadores revindiquem a expropriação da burguesia, um latifundiário treme ao ouvir falar em reforma agrária e um fascista não costuma comemorar quando vê a classe trabalhadora armada.

As comparações nada têm de exagero ou distorção: a polícia é inimiga dos trabalhadores e, portanto, deve ser combatida. A polícia, independentemente de qualquer transformação que possa sofrer, é um instrumento do Estado — e, como o Estado é controlado pela burguesia, é um instrumento da burguesia. E não só um instrumento qualquer da burguesia, como, por exemplo, o Judiciário é, mas um instrumento que lida, diariamente e de maneira direta, com a violência.

A polícia diz combater o “crime”, mas combate, na verdade, tudo aquilo que diz respeito, unicamente, aos interesses da classe dominante. O policial não combate a especulação, o lucro dos capitalistas, a corrupção do Judiciário, a ingerência do imperialismo, os abusos dos patrões nas fábricas etc. A pandemia, inclusive, deixou isso claro: não houve um único policial que tenha entrado em uma agência dos correios ou em algum frigorífico para reprimir os patrões. Ao mesmo tempo, centenas de pessoas foram assassinadas pela polícia e outras milhares foram agredidas e intimidadas durante a pandemia. Somente nesta semana, mais de 400 famílias foram expulsas do local em que moravam, em Minas Gerais, pela polícia.

A única possibilidade de a polícia deixar de ser uma força hostil aos trabalhadores seria em um cenário em que a burguesia deixasse de ser uma classe antagônica aos interesses dos trabalhadores. Isso, contudo, não só seria absurdo como tende a se tornar cada vez mais impossível. A crise capitalista se desenvolve de tal maneira que a política da direita se torna cada vez mais agressiva. A privatização da água e as reduções de salário são apenas uma pequena demonstração dessa ofensiva. Nessas condições, em que as classes sociais não se encaminham para um acordo, mas sim para um conflito aberto, a polícia irá se tornar, por uma necessidade da burguesia, cada vez mais fascista.

Por fora de toda a análise material da situação política nacional e internacional, Leonel Radde tenta encontrar socorro em uma proposta de tipo “educativa” para os policiais:

“O homicídio para a polícia deveria ser um efeito colateral. Nas forças armadas, é algo buscado. Entende o que quero dizer. (…) O militarismo trabalha com uma lógica de que há um inimigo. Quando as Forças Armadas entram em confronto, elas entram para neutralizar e matar o inimigo. É diferente da lógica da polícia, que deve prender, auxiliar o Judiciário, o Ministério Público, investigar elementos que causam distúrbios para ressocializá-los e trazê-los de volta para a sociedade”.

Os aspectos supostamente ideológicos por trás da ação violenta são absolutamente secundários. A realidade material, como sempre, se impõe. As dezenas de golpes de Estado recentes são uma demonstração infinita da capacidade da burguesia manusear suas instituições para todo tipo de política criminosa. Por isso, aos trabalhadores, não cabe educar a PM, instrumento do inimigo para lhe oprimir.

É preciso exigir a dissolução da polícia militar. Nem que, para isso, seja necessário travar uma luta contra a própria corporação, que tende a resistir justamente por ser treinada para defender os interesses da direita. O mesmo vale para os setores progressistas que estejam na polícia: não adianta educar a corporação, é preciso fazer a propaganda pela sua dissolução imediata.

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