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Polêmica com Ribamar Fonseca
A paz mundial só pode ser alcançada com a derrota do imperialismo
Em artigo publicado pelo portal Brasil 247, o jornalista Ribamar Fonseca afirmou que a política da “paz” seria a única garantia de segurança para o planeta.
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Polêmica com Ribamar Fonseca
A paz mundial só pode ser alcançada com a derrota do imperialismo
Em artigo publicado pelo portal Brasil 247, o jornalista Ribamar Fonseca afirmou que a política da “paz” seria a única garantia de segurança para o planeta.
Drone utilizado para assassinar o general iraniano Qassem Soleimani. Foto: Isaac Brekken
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Drone utilizado para assassinar o general iraniano Qassem Soleimani. Foto: Isaac Brekken

No dia 11 de janeiro, o portal Brasil 247 publicou um artigo intitulado Só a paz pode garantir a segurança em nosso planeta, assinado pelo jornalista e escritor Ribamar Fonseca. No texto, o autor comemora o recuo do presidente norte-americano Donald Trump em relação à ofensiva contra o governo iraniano. Desse evento, Fonseca acaba chegando à conclusão de que a paz entre os governos de todo o mundo deveria ser a política fundamental para garantir a segurança dos povos. É sobre essa conclusão imprecisa por parte do autor que centra a nossa polêmica.

Ribamar começa da seguinte maneira seu artigo:

O mundo respirou mais aliviado depois que Trump recuou da disposição de bombardear alvos iranianos, preferindo responder aos ataques a bases americanas no Iraque com novas sanções econômicas.

De fato, o recuo de Trump é uma notícia positiva para os povos do Oriente Médio e para os trabalhadores de todo o mundo de maneira geral. No entanto, a substituição de uma efetiva ação militar por sanções econômicas não deve ser encarada como um evento de menor importância. Na verdade, é justamente esse o debate fundamental.

As sanções extremamente abusivas por parte do governo norte-americano são tão agressivas e inaceitáveis quanto os mísseis jogados no território iraquiano. Afinal, Trump não decidiu atacar assassinar uma das figuras mais importantes do regime iraniano à toa ou por pura loucura: as investidas bélicas contra o Irã são o resultado do aprofundamento da crise política – por sua vez, resultante de problemas econômicos – entre o Oriente Médio e os Estados Unidos.

Os ataques promovidos pelos Estados Unidos ocorreram porque os países imperialistas, afogados em uma crise profunda do imperialismo, estão perdendo o controle dos regimes políticos de todo o mundo – em especial, dos países atrasados, que conservam contradições ainda maiores entre as classes que encerram.

Diante dessa discussão, seria necessário declarar, portanto, que o recuo de Trump se deu por causa das condições colocadas no momento, mas que a relação entre os Estados Unidos e o Oriente Médio permanece a mesma: uma relação de exploração e de dominação por parte do imperialismo.

Os motivos que levaram ao recuo de Trump também não são devidamente explorados pelo autor:

Ninguém sabe o que determinou o recuo do arrogante presidente norte-americano, mas provavelmente deve ter contribuído para o seu novo comportamento o seguinte: primeiro, a desaprovação do povo americano ao assassinato do general iraniano Kassem Soleimani, segundo pesquisas, diante do clima de insegurança criado no país; segundo, à posição da China e Rússia, aliados do Irã, que advertiram para a possibilidade de uma guerra nuclear; e, terceiro,  ao risco de novos ataques a cidades americanas, a exemplo do 11 de setembro, considerando as ameaças dos iranianos.

O principal motivo que impediu Trump a continuar sua ofensiva contra o Irã não é citado acima: a mobilização que existe no Irã e em todo o Oriente Médio. A gigantesca manifestação no enterro de Qassem Soleimani provou que a dominação imperialista é extremamente impopular e que a fúria dos povos do Oriente Médio poderá levar a uma explosão social.

O último ataque provocado pelos Estados Unidos aumentou ainda mais a revolta contra o imperialismo, de modo que a temperatura se elevou rapidamente nos países do Oriente Médio. Se Trump continuasse suas investidas, poderia colocar sob risco toda a histórica ocupação norte-americana da região.

Se o que Trump mais teme é a revolta contra o imperialismo, é preciso entender que o caminho para a paz entre os povos não é por meio do diálogo com o imperialismo, mas sim por meio da mobilização dos trabalhadores contra seus algozes. É preciso, portanto, organizar, em todo o mundo, a classe operária para que enfrente diretamente as aves de rapina do imperialismo.