Luta do negro
A libertação do negro, das péssimas condições econômicas e sociais, é que vai acabar com o racismo, não o oposto
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François-Dominique Toussaint L'Ouverture (dir.) | Foto: Reprodução

Nos últimos anos, surgiu o identitarismo e toda uma política subjetiva e individual como possível forma de libertação do negro. Uma concepção acima das relações de força da sociedade, acima das classes sociais, acima do que realmente acontece com o negro, sua posição social e seu peso político. 

Essa posição é apresentada como sendo o que há de mais evoluído na luta do negro contra o racismo. Basta a mudança da forma de se falar tal ou qual coisa. Basta integrar alguns negros em alguns processos, em alguns cargos, em algumas secretarias, em alguns jornais. Bastam os comerciais com negros, com cabelo Black, sorridentes. Inventaram um monte de palavras que mais confundem que ajudam na luta do negro.

Em grande medida, isso é resultado direto da influência da classe média no movimento negro, uma política direta da pequeno-burguesia, influenciada pela esquerda norte-americana. É natural que, enquanto classe, a mudança social pretendida pela pequena-burguesia seja a ascensão social individual, a adaptação ao regime.

Por outro lado, o que fez Toussaint Loverture, ao encabeçar a libertação do povo haitiano diante das potências imperialistas, parece ter sido esquecido. Seus métodos de organização, a luta daquele povo, primeiro a acabar com a escravidão nas américas, ficam, pouco a pouco, esquecidos, em troca de belas palavras e de alguns poucos negros bem colocados dentro do regime. A Revolução Haitiana derrotou (só) três exércitos imperiais: França, Espanha e Grã-bretanha.

Em seu discurso de vitória, Toussaint afima: “a partir de hoje, somos todos negros”, em uma imposição da vitória dos escravos revoltosos, transformando o país em uma república negra independente, e um chamado à unidade do país contra as forças escravocratas. 

Toussaint disse isso como resultado da revolução, como resultado da alteração da relação de forças sociais dentro do país. Hoje a esquerda da classe média faz o exato oposto: diz “somos todos iguais”, ou que deveríamos ser, sem que seja feita a revolução, sem que o negro tenha os mínimos direitos democráticos, sem que, na vida real, objetivamente, o negro tenha valor. 

É uma ilusão típica de quem tem a vida relativamente resolvida, que não tem mais pressões econômicas e sociais e dispensa um processo revolucionário, espera e aguarda, tão somente, que o regime racista o aceite, pelo menos por algum tempo. Nesse sentido, essa política é ultra conservadora, e deve ser duramente combatida pelo movimento negro organizado.

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