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COMANDO DE GREVE

Metalúrgicos

A paralisia das direções sindicais enquanto aumentam as demissões

Em meio a uma avalanche de demissões dirigentes sindicais estão com sindicatos fechados para os trabalhadores

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Assembleia de3 metalúrgicos – Reprodução

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Foi realizada em abril uma “live” no Facebook, com a participação do professor João Assis Dulci, da Universidade de Juiz de Fora; Renata Belzunces, do Departamento Intersindical de estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Júlio Bonfim, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari/BA; Marcelo Toledo, dirigente da FitMetal e, Alex Custódio, presidente do Sindicato dos metalúrgicos de Betim/MG, cujo tema foi debater sobre a saída do Brasil da multinacional Ford, bem como a criação da Stellantis, fusão da Fiat com a Peugeot, como parte dos debates do III Congresso da Federação Interestadual dos Metalúrgicos do Brasil (FitMetal), filiada à CTB, do PCdoB.

João Assis Dulci, ao iniciar os debates, disse que, no Brasil “não temos uma política de industrialização…” nem no atual governo, nem nos governos anteriores. Disse ainda que uma fábrica fecha por uma série de questões que obstaculiza a obtenção de lucros, como plantas antigas, custos mais altos, por sua unidade operacional, limitações crescentes de uma dada região e que os preços dos automóveis funcionam de forma controlada pelos produtores.

Ele dá um exemplo da Renault, onde um ex-presidente, em plena crise de 2008, disse que o Brasil é um mercado importante e, portanto, as montadoras vêm se instalar aqui.

Ao falar sobre isso, João Dulci disse que esse Brasil não existe mais, o país que, naquela época licenciava mais de 3 milhões de veículos por ano, tinha mais de 125 mil trabalhadores diretos e que de meados do governo Lula até 2014 as indústrias automotivas foram bem sucedidas. Foram bons momentos, onde havia aumento real dos salários, aumento de produção, bem como para o movimento sindical, onde as negociações eram bem sucedidas, segundo ele.

Ignorando toda uma situação em que os trabalhadores viviam na corda bamba, João Assis Dulci desconsiderou toda uma situação em que os metalúrgicos sofreram pressão que as montadoras faziam junto ao governo. Desta forma foi criado o sistema de “lay off”, onde os trabalhadores ficavam apreensivos, à espera de, a qualquer momento, serem demitidos, ou seja, o governo tinha que realizar manobras, para desta forma tentar dar uma sobrevida aos empregos. Apesar dessa situação, ainda havia o chamado Pedido de Demissão Voluntária (PDV), uma forma disfarçada de forçar as demissões dos trabalhadores.

Na década de 90, por exemplo, foi criada as câmaras setoriais, o que significava já naquele período pacotes e incentivos às montadoras.

Naquele período a maioria das montadoras se localizava no estado de São Paulo, onde um dos principais polos industriais era o grande ABC. Foi através da pressão dessas empresas imperialistas, para baixar custos, diminuir a pressão dos trabalhadores organizados, a exemplo de São Paulo, bem como, subsídios de impostos que, a exemplo da Ford, várias empresas foram se instalar em outras cidades e estados fora de São Paulo.

João Dulci, apesar de ignorar o fato de, mesmo com os incentivos, a coparticipação do governo na tentativa de evitar as demissões, afirma que, somente no ABC, o quadro de funcionários foi reduzido a mais de 50%. A produção e manutenção foram as mais atingidas.

Conforme relata, em 2010 a capacidade instalada era de 91%, em 2016 esses números foram para 64%.

Apesar do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari/BA Júlio Bonfim (CTB/PCdoB) dizer que foi pego de surpresa, segundo o relato de João Dulci, o fechamento da Ford já estava no relatório da montadora em 2018/2019 e até já havia sido separada a verba para as indenizações dos trabalhadores.

A Ford foi embora, e as outras?

De acordo com a representante do Dieese, Renata Belzunsces, a saída da Ford no Brasil foi estratégica, no entanto, não quer dizer que outras montadoras tomarão a mesma decisão. Será?

A saída da Ford na verdade é uma tendência dos monopólios da indústria automobilística. Uma vez dominado o Brasil pelo imperialismo a partir do golpe de 2016, a desindustrialização que já vinha de décadas aumentou exponencialmente. A Ford não viu mais necessidade de manter-se no país, com a economia destruída pelo golpe que ela e todos os industriais imperialistas apoiaram. Ela completou seu siclo de espoliação da força de trabalho nacional e venda de mercadorias para o mercado interno a partir de automóveis produzidos no País. Agora, parte para outros destinos onde seria mais interessante financeiramente. Além disso, vai ganhar dinheiro importando carros para o Brasil.

A suspensão das atividades de uma série de outras montadoras, com a desculpa da pandemia, indica na verdade a tendência aberta pela Ford. Isto é, as montadoras e o capital imperialista já sugaram tanto o País que está sobrando apenas o “bagaço”.

O canto de sereia dos patrões

Conforme esse diário denunciou em um artigo em que explica a farsa das montadoras, num total de oito espalhadas pelo Brasil (como A Volkswagen, Mercedes Benz, Toyota, GM, Nissan, Volvo e Scania), a maioria vai dar férias coletivas aos funcionários que atuam dentro das fábricas e manterá a equipe dos escritórios em home office.

Disseram que é em função da pandemia do Coronavírus, no entanto os trabalhadores já estão calejados de saber dos tradicionais golpes das indústrias automobilísticas para deixá-los na mão.

Com uma estapafúrdia argumentação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Camaçari, na Bahia, filiado à CTB (do PCdoB), Júlio Bonfim, para justificar a inatividade do sindicato, alega que “o mercado deu uma guinada para mais automação”. Estaria entrando no mercado a “indústria 4.0 que gerou uma onda de desemprego”.

Conforme Bonfim, as montadoras vinham rebaixando os salários, benefícios, etc. Foram atingidas as cidades de São Paulo, Betim (MG) Camaçari, dentre outras. Desta forma, seu sindicato resolveu debater com a empresa outras questões, tais como investimento, novos produtos… Para tanto, dirigentes sindicais, incluindo Júlio Bonfim, se dirigiram aos EUA (!) para discutir esses novos produtos, ou seja, foram como verdadeiros estrategistas da multinacional, para discutir quais as melhores opções no mercado brasileiro. Enquanto isso, no Brasil, o terceiro turno da fábrica da Ford estava fechado e todos os trabalhadores desse turno em “lay off”. Melhor do que organizar a mobilização dos trabalhadores é deixar o sindicato fechado e os trabalhadores à própria sorte, correto? Enquanto isso, por que não fazer um tour nos “States”?

Por fim, Júlio Bonfim, bem como todos os dirigentes do sindicato, “acredita” que os parlamentares, a exemplo de Baleia Rossi, Rodrigo Maia, entre outros golpistas apoiados pelo PCdoB, possam “construir leis para barrar a comercialização de produtos externos para o Brasil.”

Outro debatedor foi Marcelo Toledo, da FitMetal. Segundo ele deve haver uma política de estado, isto é, o estado, com dinheiro público (dos trabalhadores), deve socorrer as multinacionais (!). Ele deu um exemplo de que, quando a General Motors (GM) no período da crise de 2008 foi socorrida pelo governo norte-americano com 50 bilhões de dólares, ou seja, o estado, para que não houvesse uma quebradeira veio socorrer empresas gigantes como a GM. Toledo considerou que essa foi uma medida acertada. Ou seja, quando a multinacional que, na época, tinha cerca de 1 milhão de trabalhadores, demitiu contingente enorme de trabalhadores, o dinheiro público salvou a empresa. Para ficar mais claro: o burocrata sindical, que deveria defender os trabalhadores, propõe que a empresa capitalista seja salva com o dinheiro dos próprios trabalhadores!

Conforme disse no Facebook, “nos países imperialistas o estado é fundamental para criar o equilíbrio no processo produtivo no capital, para eles lucrarem”. Temos uma demonstração explícita de qual lado estão nossos sindicalistas.

Tendo como principal base a Stellantis, montadora formada na fusão entre a Fiat, Chrysler, e Peugeot e Citroën, o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim afirma que constantemente há demissões de cerca de 100 trabalhadores de uma única vez. No entanto, se solidariza com o seu companheiro de Camaçari: a discussão, desde a fusão, que ocorreu nesse ano de 2021, é sempre da redução da pauta da campanha salarial, que foi antecipada a pedido da própria empresa.

Como ficam os trabalhadores?

Apesar das informações expostas pelos debatedores no encontro virtual, todos, sem exceção, defendem o estado como sustentáculo dos grandes capitalistas, a exemplo do que fez o governo ilegítimo de Bolsonaro. No entanto, os trabalhadores, a exemplo de todo o período (inclusive anterior) da pandemia do coronavírus, estão sendo demitidos aos montes.

Como reconheceu João Dulci, na planilha da Ford o processo de fechamento e demissão dos trabalhadores já era algo certo. Porém, os dirigentes representantes da base, a exemplo de Camaçari, não deram a mínima atenção, preferiram agir como agentes da empresa e até hoje mantêm as portas dos sindicatos fechadas.

Abrir os sindicatos para os trabalhadores e diante da situação em que o país se encontra e os patrões despejando o ônus da crise nos trabalhadores, greve com ocupação de fábricas!

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