A orientação política das manifestações

forabolsonaro

No programa Análise Política da Semana do dia 11 de maio de 2019, Rui Costa Pimenta mostra que a mobilização contra os cortes de verbas nas universidades deve assumir uma pauta mais ampla e pedir “Fora Bolsonaro”.

As análises acontece ao vivo todos os sábados, às 11h30, na COTV, vídeo completo: www.youtube.com/watch?v=1wcXTFwXZ-U

Por incrível que pareça, em pleno governo Bolsonaro (um governo de extrema direita, uma ameaça a todas as organizações operárias do país)a maior parte das direções continua com uma política de reivindicações parciais. Por exemplo, na questão da educação, tendem a restringir o problema da mobilização a mobilização simplesmente ao corte de verbas, que, por mais importante que seja, é ultra limitada diante do que tá acontecendo no país.

Sem que você vincule a defesa da universidade à luta pelo fim do governo Bolsonaro, essa mobilização já nasce estrangulada. Porque implicaria numa política de pequenas reformas parciais diante de um governo de ofensiva total contra os trabalhadores em todos os terrenos. Se isso já não funcionou na época do governo Temer, que tinha um poder ofensivo muito menor, agora no governo Bolsonaro vai funcionar menos ainda.

Por isso nós temos que colocar nas manifestações muito claramente o “fora Bolsonaro”. A mobilização não deve ser dirigida simplesmente às verbas, deve procurar unificar todos os setores contra o governo Bolsonaro. A pergunta é a seguinte: Ela tem esse potencial? Ela tem esse potencial. Porque tem uma ampla camada da população que quer ver o fim desse governo.

A esquerda fala que não pode derrubar governo, porque é golpismo etc e tal. O que é um concepção antidemocrática no final das contas. É uma concepção que não se apoia sobre necessidades do povo mas sobre um determinado legalismo que não é nem mesmo um regime democrático. Quando a população sai na rua amplamente e quer o fim do governo, o democrático é que o governo acabe.

No Brasil acontece o seguinte: O governo popular é derrubado por um golpe e todo mundo fica encolhido. O governo de extrema direito não se pode derrubar porque seria golpe. Então a única opção que você tem é sofrer o golpe da direita. Você não pode nem lutar democraticamente pela substituição do governo.”