A média de abortos cai onde a prática é legalizada

A proibição do aborto é uma prática do imperialismo como forma de submeter as mulheres à escravidão da economia doméstica. Via de regra, os países em que essas práticas são proibidas estão à periferia econômica do imperialismo. O veto é mais uma forma de manter a oprimida metade da classe operária desses países, ou seja, as mulheres.

No entanto, independente da orientação religiosa, na prática as mulheres fazem abortos em todos os lugares. Em países em que a prática é proibida, como é o caso do Brasil, as mulheres se submetem às mais insalubres clínicas de aborto. Na verdade, esses estabelecimentos estão mais para um açougue humano do que para uma clínica mesmo.

Assim, o índice de mulheres assassinadas durante o processo do aborto é gigantesco, haja vista ainda que a punição nesses casos é praticamente nula dado se tratar de um ato ilegal. Dessa forma, o imperialismo e a sociedade de classes se impõem às mulheres da maneira mais cruel possível.

O instituto americano Guttmacher divulgou dados reveladores sobre essa imposição imperialista às proletárias do mundo. Os índices de aborto em países desenvolvidos como os da América do Norte e Europa, em que a prática é legalizada, caiu sobremaneira que chegou a baixar os índices de aborto no mundo todo. A média passou de 46 para 27 abortos para cada mil mulheres.

Na região da América Latina e do Caribe, em que o aborto é proibido por lei, a incidência de aborto é a mais alta do mundo. São 44 abortos para cada mil mulheres. Comparando esses dados com os auferidos especificamente na América do Norte, o índice deles cai para 17 abortos para cada mil mulheres.

É evidente que esses dados são um reflexo da política contra o aborto do imperialismo para a periferia mundial. Estimulam o debate contra o aborto nesses lugares, e por essa criminosa prática contra as mulheres, acaba por dominar ainda mais essa metade combativa da classe operária.

Nesses termos, lutar contra a proibição do aborte passa, necessariamente, por uma luta de classes que se deve estabelecer contra o imperialismo. As mulheres já abortam, o que está em jogo agora, é que elas não precisam mais morrer para abortar e, com um acompanhamento do estado, essa prática tende até a baixar.