Frente ampla
Com a crise política dentro da burguesia cada vez mais crítica, vê-se a necessidade de introduzir um elemento que visa neutralizar as tensões contra a direita
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French President Emmanuel Macron is seen after casting his ballot, during the first round of the mayoral elections in Le Touquet, France, March 15, 2020. REUTERS/Pascal Rossignol/Pool
Emmanuel Macron, presidente direitista da França. | Foto: Reprodução.

No último domingo (28), ocorreu, na França, o segundo turno das eleições municipais do país. O evento estava marcado para ocorrer em 22 de março deste ano. Todavia, devido à pandemia do coronavírus, foi adiado mais de três meses após a primeira votação.

O evento foi marcada por rígidas medidas de distanciamento, com uso obrigatório de máscaras, álcool em gel na entrada e um número reduzido de pessoas por sessão, além da prioridade para eleitores pertencentes ao grupo de risco. Ademais, o segundo turno foi marcado pela ausência histórica de eleitores que compareceram às urnas, com um nível de abstenção de quase 60%.

Destaca-se nas eleições uma derrota massiva por parte do partido do atual presidente da França, Emmanuel Macron, o República em Massa (LREM). O resultado não é uma surpresa. Afinal de contas, o governo de Macron tem sido marcado por uma administração fundamentalmente neoliberal, resultando em uma revolta generalizada por parte da população que denuncia ferrenhamente a crescente pobreza no país.

Devemos lembrar do filho que essa revolta gerou no cenário político francês. Em outubro de 2018, surge o movimento dos chamados Coletes Amarelos. Por mais que tenha sido um movimento popular, caracterizado por reivindicações classistas, foi marcado pela falta de organização e centralização, principalmente no que diz respeito às direções das organizações de esquerda do país. Nesse sentido, é uma situação que nos lembra os fatos ocorridos em maio de 68, movimento que sofreu trágica derrota devido à incompetência da política stalinista imposta pelo Partido Comunista Francês (PCF).

Outro fato interessante do resultado das presentes eleições municipais reflete bem o estado em que a atual conjuntura política francesa se encontra. Dentre os representantes eleitos, ocupa destacada posição os candidatos do Partido Verde francês. Anne Hidalgo, candidata à prefeitura de Paris, venceu as eleições com cerca de 50% dos votos. Ademais, Os Verdes foram eleitos para prefeituras em cidades importantes da França, como Lyon, Bordeaux, Estrasburgo, Poitiers, entre outras.

A indiscutível vitória dos Verdes não é coincidência. Com Macron e sua política desastrosa, e, ademais, com a ascensão de figuras de extrema-direita no país, como a fascista Marine Le Pen, surge uma tendência de aversão às políticas neoliberais e direitistas vigentes na presente administração. Com isso, a burguesia se vê em um momento delicado, na qual seus principais representantes foram marcados por forte abjeção por parte da população. Nesse sentido, vê-se a necessidade de balancear a situação política e, finalmente, introduzir um elemento “moderado”, para que os capitalistas possam ganhar forças nas próximas eleições.

Para tal, Os Verdes tem ganhado força, exatamente porque o partido representa um ala mais “centrista” da política francesa. É a velha política burguesa: introduzir um elemento puramente demagógico, visando controlar os setores da classe média mais facilmente influenciados e dominar por inteiro as eleições do país. Acima de tudo, é um projeto de controle, direcionando para conter o avanço da esquerda no país e manter um governo liberal. A única diferença é que a política apresentada não será escancarada, se escondendo por detrás de uma agenda alegadamente imparcial e populista.

A situação da França – e da Europa como um todo, também marcada pela vitória e pelo controle dos partidos verdes – não deve ser estranha para o ávido leitor do Diário da Causa Operária. Não precisamos ir longe para presenciar situação similar, o Brasil já nos basta. A política de frente ampla divulgada por diversos setores de esquerda possui a mesma finalidade da manobra realizada no cenário europeu. É um plano para manter a burguesia no poder e “domar” a esquerda pequeno-burguesa, promovendo uma falsa moderação sobre a direita. No fim, é uma política voltada para controlar o povo, manter a classe trabalhadora em sua situação de exploração e, finalmente, impedir a tomada do poder por parte da classe operária.

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