Dividir para reinar
Na última terça-feira (16), a imprensa indiana informou que o exército indiano perdeu 20 homens e, ademais, matou 43 soldados chineses.
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Conflito entre China e India reforça animosidade entre países atrasados. | Getty Images

Com a eleição de Narendra Modi, representante da extrema-direita nacionalista do parlamento indiano, a Índia vem se aproximando cada vez mais da política imperialista dos Estados Unidos. Desde o começo, Modi procura desenvolver seu laço com Donald Trump, com o ingênuo pretexto de criar uma nova ordem mundial multipolar, na qual a Índia seria um de seus principais representantes. Essa amistosidade chegou ao ponto de Trump afirmar que Modi é um “líder excepcional”, o qual tem “orgulho de chamar de meu verdadeiro amigo”.

Para analisarmos essa relação, é prudente retornarmos ao conceito de “dividir para governar”, termo que pode ser traçado para tempos tão remotos quanto os do imperador romano César. Em suma, consiste em estimular a fragmentação de laços entre grupos que possuem interesses contrários ao do soberano, para que este possa garantir o controle sobre seu estado. Em termos contemporâneos, é uma manobra – por parte do imperialismo – para que países menos desenvolvidos sejam impedidos de formar qualquer tipo de aliança. O que resultaria, por conseguinte, na derrocada da dominação imperialista sobre o mundo.

A relação diplomática entre a Índia e a China é, historicamente, um ótimo exemplo desta política. Desde 1959, a administração chinesa rejeita as demarcações resultantes do processo colonial promovido pela Inglaterra na região. Tal negação resultou na Linha de Controle Real (LAC), que delimitava a fronteira entre áreas controladas por ambos os países ao redor da região de Ladakh e o Tibete. Entretanto, esta demarcação sofreu alterações após a Guerra Sino-Indiana, em 1962.

Por mais que extenso debate já tenha ocorrido inúmeras vezes, a verdadeira limitação entre estes territórios nunca foi clara, resultando em diversas denúncias de invasão territorial por ambas as partes. Enquanto a Índia acusa a China de estar ocupando 38 mil quilômetros quadrados de seu território, a China reivindica todo o Estado de Arunachal Pradesh, que chama de Tibete do Sul. Nesse sentido, a política nacionalista de Modi, alinhada aos interesses do imperialismo, tem contribuído para que, cada vez mais, a relação entre a China e a Índia seja prejudicada.

Mais recentemente, na última terça-feira (16), a imprensa indiana informou que, decorrente de conflitos não armados na região de Ladakh, o exército indiano perdeu 20 homens e, ademais, matou 43 soldados chineses – dados não confirmados pela imprensa chinesa. Frente a tal acontecimento, as autoridades chinesas alertaram a Índia para que não tomassem atitudes unilaterais e respeitassem as resoluções tomadas em duas cúpulas informais tidas entre Modi e Xi Jinping. Além disso, afirmaram estarem dispostas a resolver o conflito de forma diplomática, com o objetivo de reduzir a tensão entre as duas nações.

Todavia, não podemos nos iludir quanto aos interesses de Narendra Modi e, consequentemente, do imperialismo estadunidense. O fato é que os Estados Unidos e a China estão em uma constante guerra econômica, com o objetivo de dominar o mercado global. Por isso, é de total interesse que a China perca o controle da região, uma vez que ela representa importante rota para o país, parte da iniciativa chinesa do Cinturão e Rota e do Corredor Econômico China-Paquistão. Nesse sentido, o apoio que Donald Trump demonstra a Modi é completamente falso no que diz respeito à desenvolver uma economia mundial em conjunto com o governo de Nova Dheli. É uma relação de puro interesse que beneficiará somente os Estados Unidos, colocando a Índia em uma posição cada vez mais dependente do imperialismo estadunidense.

No fim, devemos entender quem são os verdadeiros inimigos da classe trabalhadora. Enquanto o conflito com a China e o criminoso governo de Modi fazem crescer um sentimento direitista intenso na sociedade indiana, os Estados Unidos saem ilesos da crise e continuam com sua política imperialista sancionatória, ceifando a vida de milhões de trabalhadores ao redor de todo o mundo. Não podemos cair em sua armadilha, devemos ter plena convicção que o governo estadunidense é, direta ou indiretamente, o verdadeiro responsável por qualquer conflito entre países atrasados. Por isso, qualquer tipo de resolução amistosa por parte desses países deve ser incentivada, desde que representem o interesse da população e da população somente.

Finalmente, somente um verdadeiro comunismo internacionalista pode salvar o mundo do veneno da política dos Estados Unidos. Menos que isso e estaremos fadados a permanecer de forma indeterminada sob o regime genocida que é o imperialismo.

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