Entreguismo e Amazônia
A maior floresta tropical do mundo, de grande riqueza e potencial desconhecidos, seria imune a interesses econômicos internacionais dos países imperialistas
Brasília (13/06/2018) – O Ibama e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso, com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer-MT) e da Força Nacional, iniciaram nesta terça-feira (12/06) operação conjunta para coibir o desmatamento ilegal da Amazônia. Na primeira ação, agentes ambientais flagraram o corte raso de 160 hectares em área de Reserva Legal em Tapurah (MT) por correntão, técnica que usa dois tratores e uma corrente com elos grossos para derrubar a vegetação nativa.Na base utilizada pelos infratores foram apreendidos um caminhão, uma pá carregadeira, uma moto, uma camionete, motosserras e documentos que evidenciam a saída da madeira, além de fichas de funcionários e comprovantes de transações bancárias. A Sema estima que a ação evitou o desmatamento de outros 800 hectares.Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT
Mayke Toscano/Gcom-MT |

No último dia 23 foi publicado na Folha de São Paulo artigo de Rubens Valente, que trata da polêmica questão da Amazônia. O articulista usa a política criminosa do governo Bolsonaro, a quem acusa de se basear no slogan da ditadura “integrar para não entregar”, para defender a ideia de que a internacionalização da Amazônia é uma teoria conspiratória.

Com direito a crítica aos militares golpistas (de 64 aos dias atuais) e as contradições do governo Bolsonaro, o artigo chega no seu ponto principal ao defender que a soberania e as riquezas do país não estão em jogo na questão da Amazônia, que isso é apenas ideologia conspiratória dos milicos golpistas.

O autor busca fazer o leitor acreditar que a maior floresta do mundo – com pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados só no Brasil, com riqueza e potencial desconhecidos, não seria cobiçada por diversos interesses econômicos internacionais. Uma manobra argumentativa para acobertar que os países desenvolvidos (EUA, França, etc) expropriam as riquezas dos países atrasados (Brasil, Venezuela, etc). Como se a questão ambiental estivesse acima desse conflito de interesses entre os países.

Daí para pior, o articulista atribui aos militares golpistas e entreguistas da ditadura militar (1964 a 1985) a autoria de uma teoria de que países estrangeiros teriam interesse em tomar conta da Amazõnia para que pudessem explorá-la. Uma tentativa de torcer a história, de dar a esses militares um caráter nacionalista, desconsiderando totalmente que o golpe de 64 foi financiado pelo imperialismo dos EUA para a preservação de seus interesses sobre os do Brasil.

Procurando reforçar um suposto nacionalismo dos militares golpistas e entreguistas, a matéria cita fala de Bolsonaro de que “a Alemanha não iria mais comprar a Amazônia” e sua acusação de outras nações “terem interesse em se apoderar do Brasil” – e do general Villas Bôas, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) – que disse o país ser “alvo do capitalismo e de pressões estrangeiras” – porém, omite que o governo quer mesmo é entregar a Amazônia para os EUA, vide a capitulação de Bolsonaro em pedir que Trump representasse o Brasil na reunião do G7, sem se manifestar contra a ingerência total de países estrangeiros fazerem reunião para discutir o território brasileiro.

O autor também procura dizer que as falas de líderes de outros países sobre a Amazônia foram recortadas do seu contexto. Falas como a do próprio Emmanuel Macron, presidente da França, que disse que “a Amazônia é nosso bem comum” não seriam uma prova da ingerência estrangeira. No entanto, a campanha pró imperialista sobre a Amazônia está baseada justamente nesses tipos de frases: “a Amazônia é o pulmão do mundo”, “é um bem comum de todos os habitantes do planeta”, “os brasileiros não tem condições de protegê-la”, entre outras que tem como fundo a ideia de que a Amazônia não pertence aos países em que está localizada.

O articulista continua, sobre a ditadura, que baseados no conceito de “ocupar e integrar a Amazônia”: “num regime sem imprensa livre, o governo implantou diversos programas de incentivo ao deslocamento de colonos do Sul para a Amazônia, expandindo o desmatamento, expulsando e transferindo indígenas praticamente sem controle.” Vale lembrar que esses torturadores, assassinos do povo indígena, foram apoiados pelo jornal “democrático” Folha de São Paulo.

Concluindo, o autor também cita argumentos como:

O governo acredita que o país tem o direito de ampliar o desmatamento e a ocupação da região… Para os militares bolsonaristas, quem é contrário ao desenvolvimento do país é simplesmente um traidor, pois o desejo de conservação ambiental acoberta a cobiça das riquezas.”

Não é apenas uma crença do governo golpista, o desmatamento de Bolsonaro deve ser criticado, mas a Amazônia pertence aos países dos territórios em que está presente. São estes países, principalmente o Brasil, que tem direito de ocupá-la e explorá-la. Já sobre quem se coloca contra o desenvolvimento do país ser traidor, tanto os militares bolsonaristas como a imprensa capitalista brasileira (que inclui a Folha) se encaixam nessa definição. Ambos são antinacionais, de um lado o governo defende o interesse do imperialismo norte-americano e de outro a Folha defende o  imperialismo europeu. Todo o esforço retórico da matéria é para mascarar a campanha, da imprensa burguesa, a favor da entrega da Amazônia para países imperialistas estrangeiros.

 

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