A luta por um jornal proletário

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Essa semana, o jornal Causa Operária, fundado em 1979, completa mil edições. Para isso, serão distribuídos dezenas de milhares de exemplares de uma edição especial do jornal, que está em circulação com quatro páginas sobre a luta contra o golpe e a liberdade de Lula. Leia abaixo o editorial de abertura da edição mil do jornal Causa Operária sobre a luta por um jornal proletário.

O jornal Causa Operária completa nesta edição o seu número 1000. É preciso fazer uma breve retrospectiva e ilustrar a vitória que é ter chegado a este ponto.

O Jornal foi fundado em 1979 por estudantes e operários que haviam saído da Organização Socialista Internacional (OSI). O número 0, a primeira edição, marca o começo da organização que hoje trata de mantê-lo.

Fundado durante a ditadura, por um grupo restrito, jovem em termos de idade e de militância, inexperiente, mas corajoso, e obstinado, ele circulava em pequenos números, com os impressores que podiam ser encontrados, na esmagadora maioria das vezes militantes, na clandestinidade.

Ele nasceu irregular, com dificuldades de se financiar, como nasceram todos os jornais proletários.

Retratou os principais acontecimentos desta era política. As greves do ABC ele reportou, propôs um curso de ação aos trabalhadores. O Causa Operária estampou em suas capas a palavra de ordem de “Abaixo a Ditadura”, fez campanha pela formação do PT, e por eleições diretas.

Foi órgão que ajudou a criar a CUT, combateu a frente popular e travou um debate com os trabalhadores sobre qual o rumo correto para o povo, estava lá nos atos do Fora Collor, e manteve um programa sério em defesa do povo quando a onda neoliberal tomou conta do País.

Viu, criticou e apresentou uma política durante os governos de Lula e Dilma. Todo este tempo apresentando uma política revolucionária para os trabalhadores. Muitos podem pensar que participar de atos, propor linhas políticas e intervir seria o trabalho de um partido. Pois o Partido é a imprensa, e a imprensa o Partido. Ainda mais verdade no caso do PCO e do seu jornal.

Recém egressos da OSI, os jovens militantes fundaram a Tendência Trotskista do Brasil, que veio a mudar de nome depois. Durante a ditadura era comum os grupos serem conhecidos por seus jornais, as organizações disfarçavam-se para evitar perseguição policial.

O hábito manteve-se após a queda do regime militar, os militantes que vendiam o Causa Operária, ficaram conhecidos como sendo membros da “Causa Operária”, mesmo que não houvesse nenhuma organização com este nome.

Nem era o nome Causa Operária uma inovação, era um empréstimo feito por aquela jovem organização, emprestaram-no de Lênin e seu partido Bolchevique, os responsáveis pela Revolução Russa. O Jornal foi planejado, escrito, impresso, mas a repressão não permitiu que nenhum número do Causa Operária russo visse a luz do dia.

Através dos militantes da Causa Operária no Brasil ele foi 1000 vezes às ruas, em todos os Estados do País em centenas de cidades, neste sentido, ele está cumprindo sua missão, lutar pela revolução, está pagando o empréstimo do nome.

O Partido da Causa Operária ganhou seu nome por conta da publicação, neste sentido o Partido surgiu do seu jornal, que sempre foi o eixo fundamental da atividade partidária.

Este editorial foi intitulado “A luta por um jornal proletário” pois é disso que se trata, uma luta.

Na esquerda, a maioria das organizações se rendeu aos impulsos pequeno-burgueses e abandonou a ideia de ter uma imprensa regular, digital, que dirá impressa.

Dentro do PCO foi uma grande luta para tornar o jornal regular, para vendê-lo, para transformá-lo no que ele é hoje, foi preciso trabalho e constância, duas características fáceis de encontrar nas fábricas e nos proletários que nelas trabalham, e tão raras nos escritórios dos profissionais liberais pequenos-burgueses.

Foi uma luta pela proletarização do Partido, pela constituição de um corpo de militantes profissionais para garantir sua publicação. A construção, pois se trata de um trabalho em progresso, de uma grande imprensa da classe operária é o trabalho da construção de um partido operário de massas.

“A imprensa não é apenas uma agitadora e propagandista coletiva, é também uma organizadora coletiva das massas”

Vladimir Lênin, Que fazer, questões candentes do nosso movimento, Rússia, 1901