Aldo Fornazieri
A luta pelo Fora Bolsonaro é para agora, não é um “longo caminho”
A luta pelo “Fora Bolsonaro” e pela “Liberdade de Lula” é para já ou o povo brasileiro terá que suportar um longo calvário até o dia do Juízo Final?
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Aldo Fornazieri
A luta pelo Fora Bolsonaro é para agora, não é um “longo caminho”
A luta pelo “Fora Bolsonaro” e pela “Liberdade de Lula” é para já ou o povo brasileiro terá que suportar um longo calvário até o dia do Juízo Final?
Humor Político – Publicado por Renato Aroeira em 01/06/2019
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Humor Político – Publicado por Renato Aroeira em 01/06/2019

Artigo do sociólogo e professor Aldo Fornazieri publicado no sítio GGN na última terca-feira (03), sob o título “Bolsonaro faz o que quer”, faz uma avaliação da última pesquisa DataFolha, com o objetivo central de reforçar uma falsa crítica que já vem desenvolvendo contra a política da esquerda diante da situação política do país e do governo ilegítimo de Bolsonaro.

A crítica de Fornazieri à política da esquerda é que ela “está desorientada”, “não tem uma tática”, não sabe como agir diante da ofensiva da direita contra às condições de vida das massas. Tomadas às afirmações isoladamente poderiam parecer até corretas. De fato, uma parte das lideranças da esquerda estão à reboque da política do “Centrão”, ou seja, de constituir uma “frente ampla de oposição” ao governo Bolsonaro, juntando em um só bloco todos os partidos e políticos responsáveis pelo golpe de Estado no País, como PSDB, DEM, Novo, Fernando Henrique Cardoso, Ciro Gomes, entre outros expoentes da direita brasileira, uma política verdadeiramente de “virar a página do golpe”, de sustentação do governo fascista até 2022. estabilizar um novo regime político saído do golpe. Uma outro setor, que diretamente não está a reboque do “Centrão”, capitula, vacila. Não tem política para o “hoje”. É o discurso de “acumular forças”, “mobilizações por reivindicações específicas”, “derrubar Bolsonaro é ser a favor do impeachment”, etc., etc.

O problema todo consiste que Fornazieiri critica a política direitista da esquerda que vacila, para tirar uma conclusão mais direitista ainda. Se não, vejamos: “Sem líderes, sem oposição e sem alternativas, a parte da sociedade que rejeita Bolsonaro mergulha numa espécie de niilismo, deixa-se apoderar por uma depressão social. Não consegue ver saídas e desacredita da luta”, daí a sua tese de que “Bolsonaro faz o que quer “ e de que o momento é de defensiva, de acúmulo de forças.

Segundo o professor doutor, “O pouco que sobra de seriedade, de dignidade e de combatividade nas esquerdas precisa assumir a consciência de que a recuperação será lenta e longa. Que ela virá de um trabalho árduo e silencioso feito nas bases, na juventude, lá onde o povo pobre está. O mesmo povo pobre abandonado por todos e que as esquerdas o enxergam apenas como número, como voto. Somente este trabalho tenaz centralizado na formação, na organização e nas lutas poderá fazer surgir uma nova liderança, um novo campo progressista e de esquerda, corajosos e combativos, capazes de construir uma nova perspectiva de futuro”.

A receita do professor sociólogo vai muito mais à direita de quem ele critica. Já não é 2022 ou 2026, mas, talvez, um dia quando as forças progressistas forem “capazes de construir uma nova perspectiva de futuro”. Seria interessante que o professor de sociologia dessa a sua “receita de bolo”  integral e não pela metade. O que seria feito durante essa “recuperação lenta e longa”? Se “Bolsonaro faz o que quer”, o que a esquerda e as centenas de milhões de pessoas que estão sendo destruídas por um governo fascista devem fazer? Pedir asilo aos países europeus? Aos EUA? Como fizeram alguns “nobres” intelectuais brasileiros? Havemos de convir que isso seria impossível para 99,999999% desses milhões de brasileiros.

Em que Fornazieiri se diferencia da esquerda que critica se não em ser o maior de todos os “niilistas”? O que ele quer é simplesmente muito mais do mesmo. Existe uma depressão social na parte da sociedade que rejeita Bolsonaro? Não, senhor Fornazieri. O povo brasileiro ou pelo menos boa parcela dele já decidiu que quer “Fora Bolsonaro”. Cada vez mais amplas camadas compreendem que a luta não é por reivindicações parciais, isoladas, mas contra a cabeça do poder que hoje é representada pelo governo do capitão fascista. O sentimento popular contra o governo só não é maior por conta da própria esquerda, que, em grande medida, está a seguir em decorrência do seu vacilo, a política que o senhor Fornazieri advoga. A luta  localizada, parcial, pelas beiradas. Obviamente que o senhor Fornazieiri quer mais. Alguns esquerdistas mais cientes do seu compromisso com o golpe vão além. Defendem diretamente uma aliança com os golpistas, como assistimos no espetáculo vergonhoso ocorrido no Teatro da Universidade Católica de São Paulo na última segunda, dia 2, como bem apontou esse sítio em matéria intitulada “Na PUC, uma convenção de vampiros, com FHC, Kassab, Ciro, Novo e Cia.”

O nó da questão para a esquerda e para Fornazieri, é claro!, é o mesmo. Acumular forças, “recuperação lenta e longa”, uma verdadeira maratona. A esquerda não deve ser vanguarda, mas retaguarda. O povo grita fora Bolsonaro, mas que povo é esse? “São os deprimidos sociais”, conforme atestado pelo instituto de pesquisa da ultradireitista e golpista Folha de S.Paulo  um jornal venal e manipulador de informações. Talvez o DataFolha tenha esquecido de acrescentar na pesquisa a opinião sobre o “fora Bolsonaro” ou “pela liberdade de Lula”, mas isso são simples conjecturas, porque o problema não consiste em que a esquerda tenha pulso, tenha decisão, seja direção, mas em esperar. Esperar que um dia os trabalhadores já absolutamente convencidos por si mesmos, exija do seu sindicato ou do seu partido que defenda o “Fora Bolsonaro” e a “Liberdade de Lula”. Para esse dia ficaria então a pergunta, para que então existem as direções?

Finalmente, é justamente a impotência pequeno-burguesa da academia, o individualismo exacerbado, a desconfiança profunda na classe operária e no povo que faz com que o professor Fornazieri superdimensione o fascista bolsonaro: “Mas as evidências de que ele é portador desta vontade de poder total são substantivas: ataca os vivos e os mortos; glorifica ditadores e torturadores sanguinários; deseja exterminar os inimigos e expurga aliados; anula os dados científicos e se autoproclama e é proclamado o escolhido por Deus; manda sufocar a pesquisa científica e as universidades; transforma a verdade em mentiras e as mentiras em verdade; espezinha a cultura e a arte; naturaliza o machismo, o racismo e a homofobia; investe contra os direitos e despreza o sofrimento dos mais pobres; com suas palavras estimula a violência contra as mulheres, a violência policial e o fogo na Amazônia; não manifesta nenhum sentimento de piedade e de consternação ante o fogo devastador das florestas, exterminador de animais, aniquilador da biodiversidade. Impiedade e crueldade parecem ser as conselheiras noturnas de sua alma perturbada”.

O mundo que o intelectual Fornazieri habita não é o mundo real do povo brasileiro, que vive uma batalha cotidiana pela sua sobrevivência. Que está sendo assassinado em massa pelos governos fascistas de Bolsonaro, Witzel e Dória. O povo tem, deve e vai se levantar contra esse estado de barbárie e isso é para já!

Bolsonaro é um fascista, não tenhamos dúvidas, mas a sua força está baseada na capacidade que tenha em destruir a esquerda e a classe operária. Tanto o golpe como o próprio Bolsonaro, ainda não conseguiram. A iniciativa, aliás, tem tudo para estar com a esquerda. Mais, o desenlace positivo de toda essa história de terror está nas mãos do povo brasileiro. É por isso que o Fora Bolsonaro e a Liberdade de Lula ecoam por todo o país.