A luta pela liberdade de Lula tem que estar acima das eleições

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O centro da luta democrática e popular no País está neste momento na mobilização pela libertação imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula é um preso político de um regime arbitrário, golpista e semi-ditatorial, ao mesmo tempo é o principal candidato dos setores populares a possível eleição presidencial. Colocar intransigentemente a questão da libertação do ex-presidente, e principal candidato das amplas massas, como a questão mais proeminente da luta política nacional é, naturalmente, impulsionar a mobilização contra o regime golpista como um todo. Levar as massas que querem Lula presidente a chocarem-se com o golpe de Estado. Essa é a tarefa do momento.

É sob esta bandeira que o movimento operário, camponês e popular, bem como toda a esquerda nacional deve unificar-se de imediato para travar a luta contra o golpe e seus ataques contra o povo. Há, no entanto, todo um setor da esquerda que dissimulando a crise política nacional empolga-se com as possíveis eleições de 2018, e há mesmo uma disputa pelo “espólio” eleitoral de Lula. Seja por inocência ou oportunismo, ou um pouco dos dois, crer que as eleições controladas pelos golpistas ocorrerão democraticamente e que o eleitorado do ex-presidente Lula irá migrar, caso não seja candidato, como aposta setores da esquerda, para os “esquerdistas” é uma ilusão infantil que a burguesia tratará de destruir, caso esse cenário nefasto se confirme.

Essa esquerda presta um desserviço ao esclarecimento político do povo. Manuela D’ Ávila e Guilherme Boulos, por exemplo, pré-candidatos à eleição presidencial, apresentam-se como candidatos à esquerda de Lula, defensores de um projeto democrático mais radical, de participação popular etc., o típico discurso do político pequeno burguês, acredite quem for cândido o bastante. Contudo, eles apresentam a eleição como se fosse de fato uma disputa de projetos políticos para o Brasil, o democrático e o anti-democrático, como se a eleição em geral e essa em particular fosse democrática, resultado da vontade geral.

É necessário colocar as coisas como elas são, a eleição não é democrática e essa será ainda mais antidemocrática, a eleição expressa sempre a relação de força entre as classes, que no momento é totalmente desfavorável para o povo. Os setores pequeno burgueses que se empolgam com a possibilidade de eleição, conscientemente ou não fazem apenas uma coisa: contribuir com a direita golpista. Primeiro legitimando uma possível eleição sem Lula, segundo criando um distracionismo e uma falsa solução para a esquerda, eleger um deles, quando neste momento a esquerda deve dedicar-se a desenvolver uma ampla mobilização pela libertação do ex-presidente Lula.

A luta que se trava no Brasil é uma luta que envolve a vida e os interesses materiais de milhões de pessoas e exige seriedade. Milhões de pessoas se deslocam para a luta contra o golpe, agrupam-se por detrás da figura do ex-presidente, que mesmo preso está em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto. É necessário mobilizar as massas pela libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato das massas. Só a mobilização revolucionária do povo é  capaz de pôr em xeque o golpe, assim como só uma mobilização revolucionária é capaz de criar as condições para uma vitoria eleitoral da esquerda.