A luta pela liberdade de Lula é a luta contra o golpe e Bolsonaro

O ex-presidente Lula chega em sua residência em São Bernardo do Campos

Na tarde de ontem, ocorreu a cerimônia de diplomação de Jair Bolsonaro, o futuro presidente do Brasil. Fascista, impopular e capacho dos Estados Unidos, Bolsonaro só conseguiu vencer as eleições desse ano porque a direita operou uma fraude contra toda a população. O eixo principal da fraude eleitoral foi a cassação ilegal da candidatura do ex-presidente Lula. Maior líder popular do país, Lula seria eleito em primeiro turno se as eleições fossem minimamente democráticas.

A fraude realizada para “eleger” Bolsonaro é uma consequência direta do golpe de Estado de 2016. Naquele ano, o imperialismo conseguiu derrubar a presidenta eleita Dilma Rousseff e colocar um governo alinhado com os interesses dos banqueiros, latifundiários, empresários e industriais. Em um contexto de aguda crise do capitalismo em todo o mundo, a direita vem dando golpes para conseguir estabelecer governos que submetam a maioria da população a um regime de superexploração pelo imperialismo.

Embora a burguesia tenha conseguido colocar Michel Temer na Presidência da República e aprovado medidas nefastas como a Reforma Trabalhista, pacotes de privatizações e a PEC dos Gastos, o governo golpista se desgastou rapidamente. As diversas manifestações contra o golpe e as crises internas do bloco golpista deixou o governo Temer em frangalhos. Por isso, era necessário “renovar” o governo – colocar no lugar de Temer alguém que tivesse um maior aspecto de “legitimidade” e tivesse maior força para aprofundar os ataques contra os trabalhadores.

Bolsonaro é, portanto, a continuação do governo golpista. Ele foi escolhido pela direita para levar adiante tudo o que não era possível fazer no desgastado governo Temer. Mesmo antes de ter sido eleito, Bolsonaro já expulsou os médicos cubanos do país, causando um caos na Saúde Pública.

Em contrapartida a todos os ataques do imperialismo, há uma forte tendência de reação popular contra o golpe. O risco do fim da aposentadoria, a perda de direitos trabalhistas, o aumento de preços, as demissões etc. são vistas com muita insatisfação pela população e revela um potencial de luta contra as investidas da direita.

A tendência à luta contra o golpe é representada, principalmente, na mobilização dos trabalhadores e dos setores democráticos em torno da figura do ex-presidente Lula. Liderança histórica do movimento operário e eleito duas vezes presidente da República, Lula é amplamente apoiado pelos setores que mais têm interesse em combater o golpe.

É justamente por esse apoio popular que Lula foi impedido de participar das eleições desse ano. Caso eleito, Lula apresentaria uma resistência a seguir às ordens do imperialismo, uma vez que sofreria uma enorme pressão dos setores responsáveis por sua eleição – isto é, as massas esmagadas pelo golpe de Estado. Caso Lula participasse das eleições, mas não fosse eleito por meio de alguma manobra, o país entraria em uma profunda crise política, já que isso significaria uma fraude explícita contra a maioria da população.

Embora Lula tenha um apoio eleitoral gigantesco, sua participação na situação política não se resume apenas à disputa de eleições. Por ser um líder de massas, Lula é uma figura que mobiliza os trabalhadores, que coloca as pessoas nas ruas – é, portanto, uma ameaça permanente à estabilidade do regime político. E por isso que Lula está também preso: para a direita, é necessário impedir ao máximo que Lula influencie na situação política.

A recente carta do ex-presidente Lula à reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores é uma demonstração clara da influência de Lula. Há pouco mais de uma semana, o Diretório Nacional do PT se reuniu para fazer um balanço das últimas eleições. Interessadas em transformar o PT em um partido adequado ao regime golpista, isto é, um partido completamente submisso aos interesses do imperialismo, a imprensa burguesa e a ala direita do PT planejavam aprovar resoluções que levassem ao abandono da campanha “Lula livre” e a deposição de Gleisi Hoffman da presidência do partido. No entanto, ciente da ameaça que a ala direita representava, Lula enviou uma carta em que reafirmava a necessidade de lutar contra o governo Bolsonaro e defender a esquerda do golpe de Estado.

Como resultado, a reunião do Diretório Nacional do PT descartou as resoluções que visavam alavancar a ala direita do PT e decidiu retomar a campanha pela liberdade de Lula. O ato de ontem, ocorrido no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e em vários outros lugares do país, é resultado direto dessa retomada da campanha pela liberdade de Lula.

A liberdade de Lula é uma questão fundamental para o desenvolvimento da luta contra o golpe e, por consequência, o governo Bolsonaro. A liberdade de Lula, conquistada na marra pela mobilização dos trabalhadores, seria uma derrota dos golpistas e daria muito mais condições para que a população consiga reverter o golpe.