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Abaixo a repressão estatal
A luta deve ser contra o fascismo, não contra o “terrorismo”
Em detrimento de organizar os trabalhadores contra o fascismo, a esquerda se soma ao bolsonarismo reivindicando que o Estado burguês reprima a extrema direita
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Abaixo a repressão estatal
A luta deve ser contra o fascismo, não contra o “terrorismo”
Em detrimento de organizar os trabalhadores contra o fascismo, a esquerda se soma ao bolsonarismo reivindicando que o Estado burguês reprima a extrema direita
Integrantes do grupo integralista que reivindicou o ataque: extraído do Youtube
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Integrantes do grupo integralista que reivindicou o ataque: extraído do Youtube

Após o ataque à produtora do canal Porta dos Fundos no último dia 24, véspera de Natal, um setor da esquerda reagiu de forma totalmente equivocada, chegando ao absurdo de reivindicar que a lei antiterrorismo e o aparato de repressão estatal fossem utilizados contra a extrema direita que organizou o ataque.

O episódio ocorreu quando o grupo de extrema direita com duas bombas sendo jogadas por volta das 4 horas da manhã, no bairro Humaitá, no Rio de Janeiro, no dia 24, véspera de Natal. O ataque incendiário só não foi trágico, graças à presença de um segurança da produtora, que evitou as chamas de se espalharem pela edificação.

Não foi por acaso. As bombas acabaram sendo a materialização da sequência de ataques, virtuais, petições e ações na justiça que os integrantes e a produtora do grupo de humor vêm sofrendo após protagonizarem um especial de Natal retratando Jesus Cristo homossexual. É claramente um caso de ataque fascista contra o grupo.

A violência empregada ao grupo de humor provém provavelmente de correntes religiosas fundamentalistas, mas obviamente de um resultado direto do bolsonarismo e do golpe de Estado. Ao terem seus processos negados na justiça, como uma juíza mesmo relatou que “seria inequivocamente censura” caso o especial de Natal fosse retirado o ar, o grupo fascista decidiu incendiar a sede da produtora.

O programa em si fez enorme sucesso, porém junto a isso contou com uma série de denúncias por parte da direita, grupos religiosos, etc. Todos estes falando em nome do “desrespeito religioso”, dos “limites da liberdade de expressão” e pregando a censura do Porta dos Fundos mais uma vez.

O discurso utilizado pela extrema-direita curiosamente muito se fez semelhante com o típico discurso da esquerda pequeno-burguesa, que assim como a direita neste caso, prega a censura contra o que por ela é considerado “intolerância religiosa”. Se a esquerda considera que criando leis que visam censurar o tratamento da direita dado às religiões afro por exemplo, é a solução dos problemas, vemos que a direita busca usar dos mesmos artifício para censurar justamente a esquerda. Neste jogo de forças, quem sai vitorioso é sempre aquele que possui o controle sobre as instituições, ou seja, a direita.

Mais que isso, ao querer enquadrar o atentado como terrorismo, a esquerda faz uma enorme concessão ao bolsonarismo. Adota ela própria, sobre a bandeira de combater a extrema direita, a política da extrema direita de apoio à repressão.