A luta continua depois das eleições, nos dia 8 e 9 de Dezembro, todos à 2a Conferência contra o Golpe

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Da redação – As eleições fraudadas de 2018, a sistemática linha de ataques fascistas a esquerda, o aprofundamento do poder das forças armadas no governo nacional, tudo isso, significam um aprofundamento do Golpe de Estado que só pode ser contido pela mobilização popular. Muito além de uma luta eleitoral da “barbárie contra a democracia”, o que está em jogo agora é o ataque direto a todas as formas de organização popular, desferida pelos diversos setores da burguesia nacional e das forças armadas, que dão base para o golpe imperialista no Brasil. Nessa luta, é precisa desacreditar das instituições golpistas como método de resistência, passando a apostar apenas na organização popular como forma de garantir a Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo. Essa organização deve se dar por meio dos Comitês de Luta Contra o Golpe e pelos Comitês de Autodefesa com uma estratégia de luta nacional a ser debatida na 2 Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo que ocorrerá nos dias 8 e 9 de dezembro em São Paulo.

Independentemente do resultados das eleições, será necessária uma ampla mobilização popular de luta para contrapor o avanço do fascismo e conter o aprofundamento do golpe. A tese do “poder do voto” já foi negada inúmeras vezes por esse mesmo golpe que vivemos hoje: Dilma, por exemplo, teve milhões de votos derrubados duas vezes pelo Golpe. A primeira foi em 2016, com o início do Golpe de Estado imperialista que golpeou a ex-presidenta, e seus 56 milhões de votos, por supostas “pedaladas fiscais”, um “crime de responsabilidade” “descriminalizado” pela mídia semanas após a derrocada da ex-presidenta. A segunda vez, foi nas eleições deste 2018 em Minas Gerais. Dilma tinha maioria absoluta para o senado, estando com mais que o dobro das intenções de votos que o segundo colocado, mesmo nas pesquisas desenvolvidas e divulgadas pela burguesia. Como resultado da apuração de votos do dia 7 de outubro, contudo, Dilma ficou em quarto lugar e fora do senado. Esse também foi o dia em que candidatos desconhecidos pela população tiveram um crescimento “sobrenatural” no número de votos. Zema (NOVO), cresceu de 5% das intenções de votos para galgar o primeiro lugar no segundo turno do governo mineiro e Janaina Paschoal (PSL), cujo nome não foi citado uma única vez em três meses de pesquisa eleitoral de intenções de voto, ganhou record em votações, com 2 milhões de votos para deputada estadual em São Paulo. Essas são as eleições que Fernando Haddad (PT) está disputando. Essas são as eleições que retiraram Luiz Inácio Lula da Silva do pleito, após a maior série de arbitrariedades já vistas no país.

Nessa situação, mesmo que o candidato do PT ganhe o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL), o golpe de Estado continua. Isso quer dizer que os o general Fernando Azevedo continuará controlando o Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que os ministros “façam xixi no pinico”, como disse o coronel Carlos Alves de Lima Filho em vídeo que ameaça fechar o STF se Haddad for eleito. Da mesma forma, o general Villas-Bôas continuará como Ministro da Defesa do país, controlando as ações do então novo presidente da república. Com 72 militares eleitos para a Câmara, o poder militar nos três poderes está garantido, provando o caráter artificial que tem as eleições de 2018 sem Luis Inácio Lula da Silva como catalizador de uma ampla crise política que deixaria claro o caráter fraudulento de todo esse processo.

Lula deixava a ferida do golpe aberta. Ele catalisava o processo de organização popular e de mobilização do povo em enfrentamento com o golpe e as medidas golpistas. A máxima desse fato se deu em abril nos dias de resistência a prisão de Lula no sindicato dos metalúrgicos do ABC e no dia 15 de agosto em Brasília que garantiu o registro da candidatura do ex-presidente Lula. Nessas duas situações, ficou claro uma “incoerência” na atitude golpista que negou todos os pedidos judiciais do PT e o atacou sem trégua em todas as oportunidades. A questão é que, nessas situações, havia povo nas ruas. Nessas situações, “Cercar e não deixar prender” e “Lula Presidente” eram palavras de ordem de um povo aguerrido, organizado e disposto a lutar até o fim.  Isso deixa claro que o fator diferencial para as situações de maior avanço popular se deram em decorrência da mobilização do povo. É preciso aprender com a experiência e ela deixou claro que a única forma de avançar na luta progressista contra o Golpe, contra o Fascismo e pela Liberdade de Lula é com a mobilização popular independente das instituições burguesas. Por esse mesmo motivo, tirar Lula das eleições foi a principal tarefa do golpe desde seu início: como ele levava a população ao enfrentamento com os golpistas, fraudar uma eleição com um candidato tão popular seria muito mais difícil. Em uma eleição a presidência com Lula, ficaria claro, por exemplo, o absurdo do crescimento de um candidato de extrema direita num país cuja popularidade do candidato do PT garantiria quase 50% do voto do eleitorado. Isso implica no fato de que, colocando Lula na equação das eleições, o lugar de Jair Bolsonaro seria delimitado com clareza: mais um candidato golpista, impopular, cujo crescimento artificial se deu por conta dos inúmeras ferramentas de fraude, pela pressão das Forças Armadas e pelo apoio do conjunto da burguesia.

Jair Bolsonaro está aí para colocar em prática toda a pauta golpista, utilizando-se da forte repressão popular como meio de conter a insatisfação do povo brasileiro com a perda de direitos. Nesse sentido, o crescimento do fascismo também é articulado pela mesma burguesia que está colocando o candidato do PSL no poder. Isso significa que há certa concordância na classe dominante de que, para colocar a pauta de terra arrasada nacional em prática, será necessário perseguir sistematicamente as organizações populares de resistência. desmantelando todas as estruturas de luta criadas historicamente pelo povo brasileiro.

A única forma de conter essa perseguição é a mobilização popular organizada pelos Comitês de Luta Contra o Golpe e pelos Comitês de Autodefesa. É preciso organizar a sublevação do povo para lutar contra essa nova etapa do golpe. Nessa situação, a luta torna-se cada vez mais sangrenta e a possibilidade de um golpe militar, cada vez mais próxima. Contra tudo isso, contra fraude eleitoral, contra o STF e o judiciário golpista, contra o desmantelamento de todos os direitos da população, contra a entrega dos bens nacionais ao imperialismo, é necessário organizar a luta popular pelo povo. Para isso, é preciso fazer uma ampla campanha para que a 2 Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo seja um sucesso, agrupando mais de mil pessoas em torno de uma política efetiva de luta e independente da burguesia golpista. Por isso, todos à 2 Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo nos dias 8 e 9 de dezembro em São Paulo.