Escárnio
Carestia não é resultado das leis da economia clássica mas de uma política deliberada de defesa do latifúndio, contra o amplo conjunto da população
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Brasília(DF), 02/01/2019 Cerimônia de posse do Ministro da Defesa General da reserva Fernando Azevedo Silva. Bolsonaro na frente de uma estatua com quepe militar. Local: Clube do Exército. Foto: Igo Estrela/Metrópoles
Política de guerra ameaça a população | Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O presidente golpista, Jair Bolsonaro, declarou nesta quarta-feira (16) que o preço do arroz subiu por causa da lei da oferta e da procura e que ele não tem nada com isso, repetindo o que tem falado sobre o assunto. Mas uma das providências que ele chegou a anunciar é a importação de 400 mil toneladas sem pagar imposto de importação. Para arrematar, repetiu o argumento do ministro da Economia, de que o aumento dos preços deu-se por conta do maior consumo de arroz causado pelo consumo produzido pelo auxílio emergencial de R$600 (Folha de S.Paulo, 16/9/20).

O que a crise do preço do arroz está mostrando é, em primeiro lugar, o resultado do desmonte do aparelho de Estado com o fim dos estoques reguladores desde o governo golpista de Temer (GGN, 9/9/20). Em segundo lugar, demonstra que o alinhamento dos preços internos ao dólar só prejudica os consumidores e, em especial, os trabalhadores que têm sofrido uma inflação que chega a ser 5 vezes maior que a inflação dos ricos (Valor, 14/9/20). Nenhuma das causas do aumento dos preços de alimentos está relacionada com aumento de consumo. O que há é uma relação direta entre o aumento do preço dos alimentos e o crescimento da fome no Brasil (RBA, 9/9/20).

Os governos golpistas Temer e Bolsonaro passaram a estabelecer como prioridade absoluta a exportação, a vinculação e subordinação do Brasil ao mercado internacional. Juntando a eliminação dos estoques reguladores com a prioridade à exportação, o resultado só pode ser aumento dos preços de alimentos, a fome e a insegurança alimentar. A lei da oferta e da procura da qual tratam os golpistas é aquela das bolsas internacionais de mercadorias e a dos interesses internacionais.

Para agravar a situação, o governo federal e vários governos estaduais têm sistematicamente colocado barreiras contra a agricultura familiar. Desde maio o BNDES suspendeu os repasses para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), “o governo de Jair Bolsonaro (PSL) deixou de repassar ao menos R$ 6 bilhões dos R$ 30 bilhões anunciados para a safra 2018/2019 da agricultura familiar” (RBA, 3/5/20). No Brasil, 70% dos alimentos que chegam à mesa dos trabalhadores é produzido pela agricultura familiar.

O aumento do desemprego, o aumento do preço dos alimentos, as privatizações (que geram aumento de tarifas) e o desmonte das políticas sociais, são elos de uma mesma corrente que tem por objetivo aprisionar e quebrar as pernas dos movimentos dos trabalhadores. Políticas de assistência vinculadas ao domínio de coronéis de extrema direita e vinculadas com a politica de segurança que coloca as polícias militares e a Força Nacional contra os movimentos sociais e os partidos de esquerda, são outros elos dessa mesma corrente. A fome e o terrorismo de Estado não são promotores necessariamente de revolta popular.

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