Um debate na esquerda
Setores da esquerda encontraram apenas saídas despolitizadas para trazer a juventude para a luta
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Foto: Ricardo Stuckert |

Uma vez ouvi de um dirigente da esquerda durante o Encontro Lula Livre, que a única maneira de levar a juventude para a campanha Lula Livre era através dos movimentos de cultura, como os Festivais Lula Livre, ele disse: “a juventude vai a nossos festivais, mesmo que não vá a nossas reuniões”.

Eles atribuem isso a uma suposta apatia e despolitização dos estudantes e da juventude brasileira, como sempre, é mais fácil culpar a vítima.

A verdade é bem distante disso: não foram os artistas que chamaram a juventude para ouvir o grito de “Lula Livre”, ou melhor dizendo, não foram os artistas que chamaram os setores que gritavam Lula Livre nos festivais, foi o próprio grito de “Lula Livre” que chamava os jovens, foi a manifestação contra o golpe, contra o sistema político, contra as amarras da sociedade burguesa, que se manifestam na luta pela liberdade deste preso político.

No 1º de maio deste ano, convocado sob as bandeiras erradas e em conjunto com centrais de direita, gastou-se milhões em artistas famosos, num show gratuito, e a juventude não foi. Foi um showmício esvaziado.

O festival Lula Livre de São Paulo foi muito mais modesto em termos de artistas, reunindo mais pessoas, isso apenas ilustra o ponto acima, eles queriam a política acertada e não apenas música.

A juventude, apesar do que disse o dirigente, responde à política, ao combate, à política polarizante. O PCO tem atraído cada vez mais setores da juventude, muitos de seus melhores quadros recentes têm menos de 25 anos, são jovens revolucionários, que viram no partido a verdadeira oposição à extrema-direita e a tudo que aí está.

Na Inglaterra, fileiras cada vez mais amplas da juventude aliam-se a um velho militante, Jeremy Corbyn, pois vêem nele uma luta contra o sistema político inglês, pois consideram-no uma pessoa de fora do regime, mesmo que isso não seja precisamente uma verdade. 

Nos EUA a juventude do partido democrata, seu setor mais ativo e combativo, alia-se a extrema esquerda do Partido, pois novamente, vêem nela uma saída contra o regime.

Aqui o nome da polarização é Lula da Silva, se algum setor da juventude não vai às reuniões citadas acima, é simplesmente pois essa esquerda não conseguiu mostrar que está disposta a travar o combate desesperado por Lula Livre. 

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