A invasão imperialista fracassou de propósito? PSTU diz que Guaidó e Trump não querem derrubar Maduro

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No dia 23 de fevereiro o imperialismo norte-americano mobilizou seus capachos de extrema-direita na América Latina para intensificar a campanha pela derrubada do governo de Nicolás Maduro na Venezuela. O presidente autoproclamado e fantoche dos americanos Juan Guaidó convocou os demais golpistas dos países vizinhos da Venezuela e organizou o envio de uma farsesca “ajuda humanitária” que entraria no país pelas fronteiras com o Brasil e a Colômbia e seria o ponto de apoio para a invasão da Venezuela pelo imperialismo. Tudo fracassou e Maduro continua sendo o legítimo presidente da Venezuela à despeito das vontades dos EUA e da União Européia.

Logo após a derrota parcial sofrida pelo imperialismo, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou uma nota na qual apoia a derrubada de Maduro (se colocando ombro a ombro com os norte-americanos) e demonstra não saber absolutamente nada do que acontece em nosso país vizinho. A nota emitida pelo PSTU é tão ruim que é até difícil acreditar que eles saibam onde fica a Venezuela no mapa.

De acordo com a análise divulgada pelo PSTU, que é um verdadeiro labirinto de tantas contradições, haveria uma necessidade de derrubar Nicolás Maduro e de destruir o chavismo (justamente o objetivo do imperialismo) e que isso seria uma tarefa das massas trabalhadoras, o que sequer faz sentido na etapa atual, visto que as massas apoiam Maduro e saem às ruas todos os dias para defender o governo. Em uma determinada passagem a nota afirma que “queremos que sejam as massas venezuelanas a derrubar Maduro. Nem Guaidó nem Trump querem isso porque podem perder o controle da situação. Por isso, Guaidó tentou essa operação que agora fracassou”. A própria frase contém em si uma contradição aberrante: Se o Guaidó e Trump não querem derrubar Maduro por que motivo realizaram então tal operação? Se derrubar Maduro fosse do interesse do povo venezuelano então por que os abutres norte-americanos iriam querer fazer isso, enquanto o povo apoia o governo?

Tanto o golpista Guaidó quanto o vice-presidente americano, Mike Pence, tem falado abertamente sobre uma intervenção com tropas estrangeiras na Venezuela, mas, apesar disso, o PSTU segue acreditando que a tarefa do povo deveria se derrubar Maduro ao invés de defender seu país dos estrangeiros. Por sorte o povo venezuelano é mais inteligente que os “intelectuais” do PSTU e tem se colocado firmemente ao lado do chavismo e todos os dias enche as ruas por todo o país em defesa dos interesses nacionais contra a intervenção imperialista e a tentativa de Golpe de Estado.

Em outro ponto da sua matéria o PSTU afirma que “o povo rompeu com Maduro”, argumentado que haveria na Venezuela um movimento popular de oposição que seria “antichavista” e que o dever da esquerda deveria ser o de apoiar sesse movimento. O problema é que esse movimento nunca existiu a não ser na cabeça dos aloprados do PSTU, e as massas populares venezuelanas apoiam firmemente o governo Maduro e o reconhecem como legítimo presidente do país. A prova disso são as frequentes manifestações públicas que colocam centenas de milhares de manifestantes nas ruas de todo o país lutando contra o assédio imperialista. No mesmo final de semana das provações imperialistas na fronteira, milhares de pessoas se reuniram em Caracas (capital do país) durante todo o dia para ouvir o pronunciamento de Maduro e prestar seu apoio ao chavismo. Quanto ao movimento “antichavista” anunciado pelo PSTU, a única coisa que sabemos é que, além de ele não existir nas ruas como movimento de massas, ele conta com o apoio, financiamento e treinamento das agências de inteligência norte-americanas (como a chamada “geração de 2007” do golpista Guaidó) e se apresenta como um movimento de extrema-direita. Na Venezuela os campos em luta são o imperialismo e as massas populares que apoiam Maduro, mas no mundo da fantasia da esquerda pequeno-burguesa existem massas revolucionárias invisíveis que só eles mesmos conhecem.

Por último, o PSTU desafia o conjunto da esquerda, a quem eles chamam de reformista, a explicar os motivos da crise política e econômica da Venezuela que para eles só pode ser explicada culpando Maduro e o chavismo. Apesar de o PCO ser um partido revolucionário e não reformista, acreditamos que responder os questionamentos do PSTU pode ser uma boa oportunidade para esclarecer alguns pontos sobre o que se passa realmente na Venezuela. Diferente do que o PSTU argumenta, o governo chavista de Maduro deve ser caracterizado como um governo nacionalista burguês que busca apoio nas massas populares e em alguns setores da burguesia local para se opor ao saque imperialista e não como uma ditadura contra o povo, fato é que apesar de estar longe de ser um governo revolucionário o governo de Maduro é mil vezes preferível àquilo que imperialismo está preparando.

A crise na Venezuela é produto direto das ações do imperialismo para forçar a derrubada de Maduro e o esmagamento do chavismo. Essas ações incluem vários boicotes e sanções econômicas que atingem a produção e a distribuição de vários produtos em nosso país vizinho, mas também incluem a sabotagem direta à economia venezuelana com o sequestro de ativos de empresas e o financiamento de grupos que escondem os produtos e depósitos clandestinos para impulsionar a sensação de crise entre a população. A ação do imperialismo também dificulta o comércio da Venezuela com outros países, força a redução do preço do petróleo para que o país perca dinheiro e inviabilizando as transações econômicas da Venezuela e vários bancos. A ação do imperialismo é criminosa e causa um prejuízo monstruoso à economia da Venezuela, deixando também o país em uma situação de fragilidade, tudo isso para que os imperialistas possam invadir o país e saquear suas riquezas escravizando os trabalhadores no processo.

A crise é totalmente artificial e é uma arma tradicional do imperialismo que fez o mesmo em Cuba e e vários países que se opunham em diferentes níveis ao avanço dos seus interesses. Os únicos culpados da crise na Venezuela são os próprio países imperialistas e os grandes capitalistas internacionais que travam uma guerra econômica contra o país sem se preocupar com os efeitos negativos que causam à população. O PSTU afirma que o povo sofre com privações na Venezuela e que isso seria culpa de Maduro, mas se esquece de dizer que o grande responsável por essa situação é o imperialismo. De certa forma o PSTU encoberta em sua matéria a ação criminosa dos grandes capitalistas e transfere para Maduro a responsabilidade de uma crise que foi criada sob medida para levar a Venezuela ao caos.

Nessa mesma linha de confusão política a nota afirma ainda que as pessoas que atacaram o exército venezuelano no dia 23 eram venezuelanos indignados com a fome e a crise. Essa afirmação é totalmente falsa. Até uma criança consegue perceber que as provocações feitas por grupos anti-Maduro na fronteira foram realizadas por mercenários pagos pelo imperialismo enviados para lá com a única intenção de aumentar a pressão sobre Maduro e buscar criar algum fato político que justificasse a invasão do país. É preciso ressaltar que após o falecimento de Hugo Chávez em 2013, o imperialismo investiu cada vez mais pesado na desestabilização da Venezuela visando criar um clima propicio para derrubar o governo e colocar uma de suas marionetes no lugar, tal como faz agora com Guaidó. Essa estratégia incluía o financiamento e treinamento de vários grupos de extrema-direita que se especializaram em levar adiante ações contra o governo na intenção de desestabilizá-lo e criar as condições para a sua derrubada. Foram estes os grupos que atacaram o exército na fronteira no dia 23, assim como são esses grupos os que realizaram protestos extremamente violentos na Venezuela ano passado e deixaram vários militantes chavistas mortos (alguns foram queimados vivos).

O que fica claro é que a única fonte de informação do PSTU é a imprensa burguesa e golpista, pois a nota reproduz quase integralmente as acusações feitas por ela ao governo de Maduro e responsabiliza o presidente pela repressão de cidadãos na fronteira. A verdade é que os únicos atos de violência realizados foram levados adiante pelos “guarimbeiros”, que compõem uma milícia que atua na Venezuela em nome dos interesses dos capitalistas estrangeiros. Mais uma vez o PSTU vem a público para propagar as mentiras criadas pelo imperialismo. Não apenas não houve repressão por parte do governo, como houve enormes mobilizações no lado venezuelano das fronteiras com a população disposta a barrar na marra a intervenção imperialista, mas como a imprensa burguesa não deu atenção parece que o PSTU sequer ficou sabendo.

Assim como no Brasil, onde o PSTU pediu a derrubada ilegal de Dilma Rousseff ao lado direita, na Venezuela eles pedem a derrubar do presidente legítimo ao lado do imperialismo norte-americano. Quando olhamos a situação da América Latina de conjunto e percebemos o apoio direto e indireto que o PSTU deu ao imperialismo em vários países podemos até dizer que política do partido é uma só: frente única com o imperialismo para dar Golpes de Estado!

Além de ser produto direto de uma enorme confusão política, a nota do PSTU é também um grande desserviço para a luta dos povos oprimidos contra o imperialismo. É preciso denunciar que a palavra de “FORA MADURO” levantada na nota é a palavra de ordem da direita e que deve ser combatida incansavelmente tanto na Venezuela como aqui. É preciso derrotar o imperialismo, é preciso ter firmeza para defender Maduro e o povo venezuelano!