Terrorismo? Golpe de Estado?
A esquerda precisa deixar de ser um braço auxiliar da burguesia. Deve entender que toda a repressão contra a direita no final se voltará contra os trabalhadores
1_000_8ya7wv-20896886
Apoiadores de Trump fazem manifestação e ocupam o Congresso dos EUA | Foto: Joseph Prezioso/AFP
1_000_8ya7wv-20896886
Apoiadores de Trump fazem manifestação e ocupam o Congresso dos EUA | Foto: Joseph Prezioso/AFP

A esquerda brasileira tratou de correr atrás da propaganda da burguesia imperialista a respeito da invasão de simpatizantes do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Congresso dos EUA no último dia 6.

Tratou os manifestantes como “terroristas”, “vândalos”, “bandidos”, suscitados pelo “louco” Donald Trump, em uma suposta tentativa de dar um golpe de Estado (!) a fim de que o republicano permanecesse no governo. Esse foi exatamente o discurso da imprensa capitalista, seguido fielmente pela esquerda.

No entanto, não foi o que realmente ocorreu. Os apoiadores de Trump haviam participado de uma manifestação em frente à Casa Branca, com cerca de 50 mil pessoas, contra a fraude eleitoral denunciada por eles. Após o evento, um grupo de cerca de 3 mil pessoas se dirigiu ao Capitólio e ocupou as dependências da Casa. Trump foi acusado de incentivar a ação, mas ficou evidente que a situação lhe saiu do controle. Ao ponto dele utilizar suas redes sociais para chamar a que se acalmassem, realizassem uma manifestação ordeira e depois que voltassem para casa.

É preciso entender que a ação, em si, independentemente de quem a tenha realizado, foi uma ação democrática. Representando uma parcela significativa do eleitorado que se considerou fraudada nas eleições, os manifestantes resolveram ocupar um prédio público contra a fraude.

Algo do tipo é costumeiro. E a história mostra que a esquerda e os movimentos sociais e de trabalhadores utilizam essa tática como forma de protesto. Ora, no Brasil é comum professores ou funcionários públicos em greve realizarem uma manifestação em frente à Secretaria de Educação de algum estado ou município, Câmara Municipal ou Assembleia Legislativa, e terminarem por ocupar o prédio, geralmente de modo “violento”, com confrontos com os seguranças e feridos. Alguém teria a coragem de dizer que isso é antidemocrático? Uma tentativa de golpe de Estado? Não, apenas a luta por seus direitos e reivindicações.

Assim, por que uma ação idêntica seria considerada “terrorismo” e um “golpe fascista”, apenas porque foi feita por manifestantes que, em grande parte teriam uma ideologia de extrema-direita?

A esquerda não consegue entender que, defendendo a repressão à extrema-direita pelo Estado, os maiores prejudicados serão justamente os trabalhadores e os movimentos populares, os quais a esquerda diz defender.

É a mesma coisa quando se defende a censura à extrema-direita. A esquerda aplaude o Twitter, o Facebook, o Google, por terem bloqueado as contas de Trump. Mas, ao mesmo tempo, essas redes sociais censuram massivamente contas que seriam ligadas aos governos da Venezuela, Cuba, Irã, Rússia, China, Coreia do Norte etc. A ditadura dos monopólios está reduzindo ou mesmo proibindo a livre manifestação na Internet, um direito democrático básico. E os cidadãos comuns, os trabalhadores, os povos oprimidos, sempre serão os mais afetados com isso, porque não têm outros meios para se expressar, ao contrário da burguesia.

Trata-se da realização da famosa expressão “pau que bate em Chico, bate em Francisco”. Com um adendo importante: o pau que bateu em Francisco (a extrema-direita) vai bater ainda mais forte em Chico (os trabalhadores). Porque são eles com sua luta o principal problema a ser enfrentado e esmagado pela pela burguesia.

Relacionadas
Send this to a friend