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O relatório da revista Focus para a projeção de crescimento do PIB de 2019 foi novamente revisto passando agora de 0,97% para 0,87% nesta segunda-feira, 24. Há quatro semanas, a projeção era de 1,23%. Para 2020, inclusive, a projeção de crescimento do PIB passou de 2,50% para 2,25% de quatro semanas atrás para hoje.

A 17a queda consecutiva na estimativa de crescimento do PIB para 2019 fez com que os agentes do mercado finaceiro apontem uma maior redução da taxa Selic (taxa básica de juros da economia do Brasil, sob controle do Banco Central), prevista, inicialmente, para encerrar o ano em 5,75% ante os 6,5% atuais, desde que atrelada à aprovação da Reforma da Previdência.

Além da reforma da Previdência, um outro fator que permitiria a queda da Selic são os números da inflação supostamente controlados, girando em torno de 3,57% e no Índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA), calculado em 3,80%. O  fato é que, a inflação se mantém baixa artificialmente, com base no desaquecimento da economia brasileira com o alto índice de desemprego, segundo indicado na queda de 0,67% IBC-Br.

A  queda na previsão do crescimento do PIB é um reflexo dos diversos índices econômicos negativos apresentados no governo golpista de Jair Bolsonaro. No dia 14, por exemplo, o Banco Central (BC) indicou queda de 0,47% do Índice de Atividade (IBC-Br) de abril em relação ao mês anterior e queda de 0,67% quando comparado a abril de 2018. O IBC-Br é o indicador do BC que leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos três setores da economia brasileira (indústria, agropecuária e serviços). No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2019 seguiu em déficit de US$ 23,00 bilhões, ante US$ 25,00 bilhões do mês anterior. Para 2020, a projeção de rombo permaneceu em US$ 32,80 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 35,30 bilhões. O BC projeta déficit em conta de US$ 30,8 bilhões em 2019. O BC afirmou, no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que os índices recentes de atividade “indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres”.

Na realidade, a grande aposta dos acionistas junto ao governo golpista é a aprovação da reforma da Previdência, que deverá compensar a redução dos lucros associados a taxa básica de juros, mas, como já é largamente admitida no mercado e no próprio governo, a reforma será insuficiente para reverter o quadro de debacle da economia nacional.

Segundo Dev Ashish, porta-voz de um importante grupo de banqueiros, o Société Générale, “à medida que aumentar o consenso no mercado de aprovação da reforma da Previdência mais cedo, deve crescer ainda mais a visão de juros menores no Brasil”. Ele prevê que aval final do Senado às medidas que alteram a aposentadoria deve ocorrer no terceiro trimestre, com a Câmara fazendo a primeira votação no plenário em julho. Ele ressalta que o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vem dando declarações que apoiam a visão de que a votação deve mesmo ocorrer no plenário da casa até meados de julho.

Conforme a população brasileira, contudo, tende a esquerda e intensifica a luta contra o governo golpista, o pagamento aos acionistas com a previdência dos brasileiros não se consolida. Com isso, a tendência é que haja a elevação da pressão dos investidores internacionais sobre a economia brasileira já em crise e acentue-se o quadro recessivo.

De maneira ainda tímida começam a surgir vozes do mercado financeiro que a economia brasileira caminha a passos seguros para um quadro de estagnação e até mesmo de depressão.

 

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