Crise do imperialismo
EUA pressionam a China em meio a maior crise capitalista da história
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Presidentes dos EUA e da China assinam acordos em 2019, mas crise permanece | Foto: IVANOV ARTYOM / TASS

Há quem diga que o conflito comercial entre EUA e China gerou a crise econômica iniciada nos últimos anos. A verdade está muito mais provavelmente no contrário. A crise capitalista que se acelera em 2018/2019 tem como uma de suas consequências o aumento de disputas entre companhias chinesas e norte-americanas e europeias por fatias de mercado e de lucros globais.

No ano passado a China já anunciava que não iria se contrapor aos EUA e que não desejava guerra comercial alguma, pelo menos antes de 2050. Do ponto de vista chinês, eles precisam ganhar tempo e acumular forças para poder enfrentar os EUA. Por isso, mesmo em meio a fortes pressões norte-americanas, que inclusive se manifestarão em sobretaxações de importações de produtos chineses e de ameaças de banimento da Huawei do mercado global controlado pelos EUA, por conta do padrão do G5, a China assinou no final de 2019 acordos comerciais muito favoráveis aos norte-americanos e sinalizou que não vai à guerra (O Globo, 13/12/2019).

O imperialismo norte-americano não se viu satisfeito com o recuo chinês. Quer mais. Especialmente depois da pandemia do novo coronavírus que paralisou parte considerável da economia mundial. Em meio a uma campanha eleitoral que parecia ser fácil a Trump e que agora dá sinais de aumentar as chances dos democratas, os norte-americanos (tanto faz, democratas ou republicanos) iniciaram nova onda de pressão sobre o chineses. E isso vai respingar no Brasil.

Com a China sendo o maior comprador de produtos brasileiros, 39% da exportação brasileira de janeiro a maio deste ano. Se a China passar a comprar mais dos EUA ou ter sua economia abalada pela guerra comercial provocada pelos norte-americanos, o Brasil vai sofrer um baque (UOL, Estadão, 22/6/2020).

A pandemia reduziu em muito a produção chinesa, mas não afetou sua capacidade de produção nem seus investimentos externos. Na crise de 2008 uma parte das empresas de produção de quinquilharias para o mundo fechou as portas. Agora o governo daquele país agiu diferentemente, deu suporte às empresas, manteve empregos e manteve os investimentos. As empresas que fecharam foram em número muito menor e os investimentos, principalmente em infraestrutura, na China e na África continuaram, além da manutenção dos gastos militares e aeroespaciais.

O imperialismo norte-americano não aceita o crescimento da influência global chinesa, nem a possibilidade de ela protagonizar uma nova hegemonia econômica no Pacífico e Índico. A ideia de que a Rússia e a Índia poderiam barrar o avanço chinês na região se mostrou equivocada e os norte-americanos não encontram nem nos europeus aliados confiáveis para medidas mais drásticas contra a China. A Rússia viu fragilidades nesse processo e foi o protagonista de uma crise econômica muito séria em março, cujos efeitos ainda são sentidos no mercado de petróleo do mundo todo. Os europeus estão se preparando para momentos difíceis no próximo ano, mas agem para fortalecer suas grandes empresas multinacionais e imaginam que podem ganhar alguma coisa em uma possível guerra entre mercados financeiros e bolsas dos EUA e da China.

O quadro pareceria muito com a guerra entre os imperialismos nos momentos anteriores da I Guerra Mundial, se não fosse muito mais sofisticado o mundo de hoje e o domínio do imperialismo norte-americano não fosse tão marcante, tanto nas tecnologias, quanto no aparato militar.

Qualquer que seja a solução eleitoral norte-americana, no próximo ano o imperialismo dos EUA vai à guerra, econômica, tecnológica e militar, com muita vontade de conquistar mercados e retomar a capacidade de iniciativa em meio a uma crise capitalista que não dá mostras de se arrefecer.

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