A greve dos caminhoneiros só tem uma solução: estatizar todo o petróleo

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A greve dos caminhoneiros, que vem ganhando contornos nacionais, despertou o debate público a respeito do preço do combustível. Em tempos de golpe de Estado, em que as manifestações dos trabalhadores são duramente reprimidas pelo aparato policial, analisar concretamente a relação entre os caminhoneiros grevistas e as reivindicações reais da população é um dever para a esquerda.

Rodada Internacional de Palestras com Rui Costa Pimenta

O golpe de Estado, sofrido pela presidenta Dilma Rousseff e continuado na prisão de Lula, teve como um dos grandes objetivos a privatização da Petrobrás. Temer fez o favor ao imperialismo de dar andamento a esse projeto, com passos galopantes, e se apressou em agilizar a privatização de estatais como a Eletrobrás e a Petrobrás.

Para entregar a Petrobrás ao capital financeiro do imperialismo internacional Pedro Parente, executivo direto do imperialismo, foi colocado na presidência da Petrobrás. O golpista deu dinamismo ao processo de privatização e chegou até ameaçar a demitir-se da Petrobrás se não houvesse aumento do preço dos combustíveis. Dessa forma, o controle da Petrobrás deixou de responder aos interesses da soberania nacional e atende ao capitalismo imperialista internacional.

Enquanto  a política econômica era determinada pelo Estado, que também atende às demandas sociais, havia o subsídio estatal para regulamentar o aumento do preço do combustível de forma escalonada e por vezes ter até alguma queda nos preços. Os golpistas tiraram o poder do Estado justamente para entregar de mão beijada essa fortuna aos imperialistas.

Como agora a Petrobrás está sob o controle de acionistas norte-americanos, ávidos por lucro e pela destruição das demais economias nacionais, o preço do combustível está vinculado ao da cotação do dólar comercial no mercado financeiro. Assim, os reajustes acabam se refletindo nas bombas com uma regularidade, que se mantinha até agora de forma trimestral, mas que esse aumento abusivo já está quase que de forma semanal para não dizer diária.

Esses acionistas, evidentemente, não estão nem um pouco preocupados com as consequências que o aumento exorbitante dos combustíveis pode afetar a vida dos brasileiros. Querem garantir seus lucros, às custas do suor dos trabalhadores, de qualquer maneira. O objetivo é ficarem milionários com as riquezas naturais do Brasil: a matriz energética e a força de trabalho.

A única forma de fazer com que o combustível se estabeleça em preços aceitáveis, como na Venezuela que é uma das maiores democracias do mundo, é que a Petrobrás seja totalmente estatizada e sobre controle dos trabalhadores. Aliás, o caso da Venezuela é emblemático, pois desde quando Hugo Chávez estatizou completamente a PDVSA (a estatal venezuelana do petróleo), o preço nos postos de gasolina venezuelanos são infinitamente mais baixos que os praticados aqui.

Para isso é essencial a greve geral, por tempo indeterminado, até a derrota do golpe de Estado e toda a sua condição política que é a liberdade para Lula, anulação do impeachment de Dilma e o fim da intervenção militar no Rio de Janeiro.

Rodada Internacional de Palestras com Rui Costa Pimenta