A ganância dos patrões dos frigoríficos e o aumento dos acidentes e doenças do trabalho

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No Estado de Mato Grosso do Sul, segundo a Justiça do Trabalho, nos anos de 2016 e 2018 houve um aumento de 4,74% do número de acidentes e doenças ocupacionais.
Conforme os dados levantados, somente em 2017 foram registrados 7.830 casos, o que resulta em aproximadamente 21 acidentes por dia. Desse total, 38 resultaram em morte, 72% a mais que no período anterior.
Há de se observar que, de acordo com o a Justiça do trabalho, que essas informações estão subestimadas, uma vez que, conforme relato do juiz do trabalho Márcio Alexandre da Silva, isso ocorre porque existem situações que acabam passando batidas. Ou seja, a falta de informações, apesar dos números assustadores, não dão conta de que a realidade é ainda, muito pior, uma verdadeira calamidade pública.
Diz, ainda, o juiz de que própria legislação brasileira tem sua parcela de culpa na ocultação dos acidentes de trabalho.
Os patrões por não dar as mínimas condições de segurança e saúde aos seus funcionários, se recusam a fornecer o CAT (Comunicado de Acidentes do Trabalho), inclusive para disfarçar tais condições colocam em quadros de avisos estatísticas falsas, de resultados destoantes da realidade, falaciosos. Este é o caso, do frigorifico Seara, da cidade de Osasco, município do estado de São Paulo, que colocam nesse quadro que não há afastamento de trabalho há mais de 100 dias, enquanto encontram-se trabalhadores com ataduras, faixas, etc., em seus braços e pernas e, sem condições mínimas para exercer suas funções dentro das instalações da fábrica, uma verdadeira aberração.
Os principais problemas são as doenças mentais adquiridas no exercício das funções. “Pressão no trabalho, cobrança de metas e jornadas excessivas dão sobrecarga mental a alguns trabalhadores e eles começam a desenvolver problemas psíquicos, como a depressão, por exemplo, que hoje é a terceira maior causa de afastamentos”.
A maioria dos frigoríficos de Mato Grosso do sul contribuem, inclusive para tornar este ramo industrial, o primeiro em acidentes, tendo como destaque o Marfrig e JBS/Friboi.
Aos patrões interessam somente o lucro, neste sentido, os trabalhadores são somente uma peça que, a qualquer momento pode ser descartada, algo que se usa, desgasta e joga-se fora.