“Imunidade do rebanho”
Extrema direita e direita tradicional se unem na defesa da política da burguesia de que o poder público não precisa fazer nada
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Eduardo-Pazuello-Foto-Najara-Araújo-Câmara-dos-Deputados
General Pazuello, ministro da Saúde de Bolsonaro | Reprodução

Declarações recentes do ministro da Saúde de Bolsonaro, o general Pazuello e do médico infectologista do grupo de contingência do coronavírus de Doria (PSDB), Marcos Boulos (pai de Guilherme Boulos, do PSOL), chamaram a atenção, uma vez que corroboram uma a outra e juntas expressam a política da burguesia de criar um clima que justifica a volta à normalidade, num momento em que nenhum dado concreto indica que a pandemia foi superada.

Em reunião com representantes das secretarias e órgãos de saúde dos Estados, o ministro se preocupou mais em corrigir a forma com as quais os dados foram divulgados do que em discuti-los. Ele disse:

“A vacina vai acabar com o coronavírus? Não, não vai acabar, vamos conviver com o vírus e ter campanhas de vacinação, como para o H1N1. Também vamos ter hábitos novos, como uso de máscara e os afastamentos sociais necessários em alguns casos. É bom começarmos a colocar essas ideias de forma muito clara. É uma nova normalidade.”

Por outro lado, o pai de Boulos, Marcos, que segundo o próprio Guilherme seria apenas um cargo técnico do estado de São Paulo, corroborou a posição do ministro e do governo Bolsonaro. Conforme mostra matéria publicada no DCO nesta sexta:

…a vacina não resolve tudo. Não sabemos se teremos vacina. E terceiro que talvez nem precisemos da vacina …‘parou de transmitir, deu uma imunidade na comunidade e não voltou mais. Foi o mesmo em outros países. O mesmo aconteceu com outros coronavírus em muitos países. Varreu e não voltou mais. Se isso acontecer, pra que vacina? Não precisaremos de vacina’.

As afirmações de Marcos Boulos assustam pois, ao tentar dar um tom otimista sobre a pandemia, revelam exatamente a mesma estratégia utilizada por Bolsonaro e pelos governadores direitistas desde o início da pandemia: a de esperar para que a população se infecte até que seja imunizada, após milhares de mortes.”

Ou seja, não existe “especialista”, “cientista” que não esteja ligado a uma determinada política. Boulos há décadas exerce cargo de confiança do PSDB, antes já foi diretor da Faculdade de Medicina da USP. Ambos cargos políticos com responsabilidades importantes, cujas decisões afetam interesses da direita. Por exemplo: se um gestor de saúde tem nas suas mãos a decisão de escolher um determinado medicamento em favor de outro para o combate a uma determinada doença, esse gestor será obrigado a tomar a decisão não com base na medicina, mas sim nos interesses de quem financia os governos da direita. Caso Boulos estivesse lá para defender os interesses o povo, seria expulso do governo do PSDB imediatamente.

A fala de Pazuello comprova isso: o discurso de Boulos é o mesmo do general golpista. O ministro é porta-voz das forças armadas na saúde, portanto sua política é a política do imperialismo para a saúde. Boulos, na medida que tem a mesma política, demonstra que muito mais do que um “cientista”, é um funcionário que acaba seguindo a política da burguesia. Entre a intelectualidade de Boulos e a força de uma classe social, a burguesia sempre vai sair ganhando.

Isso mostra o que tem sido denunciado desde o início da pandemia pelo PCO, não há ciência acima da luta de classes. Os chamados científicos, sejam governadores, médicos, entre outros, também expressam através da sua atuação, os interesses das classes a que estão vinculados. Isso se impõe, acima de qualquer discurso e da compreensão pessoal de cada um. O que fica claro no fato de Pazuello e Marcos Boulos estarem numa frente única na defesa da mesma política da burguesia genocida. A ciência da burguesia, neste caso, está baseada apenas única e exclusivamente na ideia da “imunidade do rebanho” como única medida para lidar com a pandemia. Que seria o fato da pandemia se resolver apenas através da transmissão comunitária e da criação de anticorpos por parte da população.

Obviamente que essa política – que foi implementada nos EUA, país no mundo em que há mais mortes por coronavírus – nada mais é do que um subterfúgio para a omissão completa da burguesia por trás do poder público. É uma forma de justificar que os governos não gastem nada com o povo e que deixá-lo para morrer seria a única política viável.

Um absurdo como esse só pode ser propagado se a burguesia travestir essa fala criminosa como ciência, através de autoridades que estejam publicamente constituídas, como Pazuello, que é ministro da Saúde, e Marcos Boulos, um médico funcionário da direita golpista. Portanto, a frente única de ambos não é por acaso, mas sim precisamente a política genocida que a burguesia quer impor aos trabalhadores.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas