Mobilização
A frente deve ser nas ruas, pela liberdade de Lula e Fora Bolsonaro
A chamada “frente ampla”, defendida por alguns setores da esquerda nacional, implicaria na submissão do movimento popular aos interesses de partidos vigaristas, como o PSDB.
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A frente deve ser nas ruas, pela liberdade de Lula e Fora Bolsonaro
A chamada “frente ampla”, defendida por alguns setores da esquerda nacional, implicaria na submissão do movimento popular aos interesses de partidos vigaristas, como o PSDB.
Manifestantes na Vigília Lula Livre em Curitiba. Foto: Ricardo Stuckert.
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Manifestantes na Vigília Lula Livre em Curitiba. Foto: Ricardo Stuckert.

No dia 19 de setembro, o portal Brasil 247 publicou um artigo da historiadora Patrícia Valim sobre a questão da frente ampla. O texto, intitulado “O artigo de João Filho, a frente ampla e Lula Livre”, faz referência a uma publicação, feita pelo portal The Intercept há alguns dias, que propunha que a esquerda abrisse mão da defesa da liberdade do ex-presidente Lula.

Patrícia Valim inicia o artigo esclarecendo que acha a defesa da liberdade de Lula como uma reivindicação fundamental para a esquerda – opondo-se, portanto, a João Filho, responsável pela publicação do Intercept. Acertadamente, Valim aponta que o PT é um fator decisivo para a luta dos trabalhadores contra a direita:

Trata-se de um partido de massas altamente capilarizado com quase dois milhões e meio de filiadas e filiados, com 3187 diretórios municipais, 289 comissões permanentes e outros tantos diretórios aguardando formalização em um total de 5570 municípios no país. Trata-se, também, de um partido que governou por quase quatro mandatos consecutivos, com muito mais acertos do que erros para a maioria da população e, não por acaso, foi alvo de uma campanha altamente articulada entre FIESP, Agronegócio, Think Tanks americanos, rentistas, bancada da bala, judiciário, mídia para criminalizá-lo. Por fim, foi a maior liderança política do PT, e não de outro partido, que foi sequestrado politicamente pela parcela mais corrupta do judiciário brasileiro para garantir a eleição de Jair Messias Bolsonaro à presidência do país.

A segunda parte do texto de Patrícia Valim, contudo, contrasta totalmente com as considerações da autora em relação à luta pela liberdade de Lula. Segundo ela, a esquerda deveria se aliar aos setores imundos que apoiaram o golpe de 2016:

é urgente que o PT construa uma Frente Ampla com lideranças políticas de todos os matizes, inclusive as que estiveram no Golpe de 2016 e se arrependeram, em defesa da Democracia e para derrotar o bolsonarismo.

Assim como João Filho, Patrícia Valim defende, portanto, a formação de uma frente ampla com a burguesia. A diferença entre eles seria o fato de que Valim acredita que a frente ampla pode se dar mesmo com a defesa da liberdade de Lula:

Nossas lideranças petistas precisam articular uma Frente Ampla e participar de eventos como o “Direitos Já – Fórum pela Democracia”. Para tanto, devem reivindicar as pautas do Partido dos Trabalhadores, desobedecendo quaisquer orientações que interditam o #LulaLivre.

A chamada “frente ampla”, conforme vários parlamentares da esquerda nacional já sinalizaram, é uma aliança da esquerda com partidos golpistas como o DEM e o PSDB. O PCdoB, por exemplo, já se dispôs, em vários momentos, a se aliar com o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ). O candidato do PT nas eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad, nunca escondeu seu interesse em formar uma frente com Fernando Henrique Cardoso.

Uma frente com esses setores é um grave erro político. O PSDB, o DEM, o MDB, o PP e os demais partidos burgueses foram os responsáveis pelo golpe de Estado de 2016, articularam as condições políticas para a prisão de Lula e apoiaram abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro. Bolsonaro é a continuação do golpe dado por esses partidos – sua vitória eleitoral é resultado do desgaste que os partidos da direita sofreram após implementar a política neoliberal.

A direita tradicional não é adversária do bolsonarismo – é, na verdade, sua genitora. Seus interesses são os mesmos: entregar todas as riquezas da população nas mãos dos banqueiros. Por isso, submeter a esquerda e o movimento popular a uma aliança com esses partidos é uma verdadeira traição aos interesses dos trabalhadores.

Além de ser uma traição aliar-se ao PSDB e o DEM, acreditar que a frente formada com esses partidos poderá defender a liberdade de Lula é uma ilusão. A direita não tem interesse algum em libertar o ex-presidente Lula – todos os partidos da burguesia defenderam sua prisão e a cassação de seus direitos políticos.

A parte inicial do artigo de Patrícia Valim já é, por si, suficiente, para refutar a frente ampla: a esquerda possui milhares de organizações no país e Lula teria força suficiente para ser eleito presidente, caso não fosse vítima de um golpe da direita. Portanto, o caminho para derrotar o governo Bolsonaro independe de alianças com os golpistas.